Seja um gênio: pense como Leonardo da Vinci

Por , em 28.08.2013

Leonardo era o protótipo do homem renascentista, brilhando em várias áreas como cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botanista, músico e escritor.

Se você quiser ser como um Homem ou Mulher da Renascença, tem muito para aprender com ele. Pise nas pegadas deste famoso polímato seguindo seus passos: curiosità, dimostrazione, sensazione, criptico, arte/scienza, corporalità, e connessione.

Leonardo tinha uma curiosità, uma curiosidade insaciável em relação à vida. Estava sempre querendo aprender mais, continuamente buscando a verdade e a beleza. Saber resolver problemas é saber fazer boas perguntas, e para isto você deve cultivar uma mente aberta para expandir teu universo e sua capacidade de explorar o mesmo.

Você pode afiar sua curiosidade mantendo um diário sempre consigo, e anotando nele todas as suas ideias e pensamentos. Tente escrever frases que comecem com “quero sabe porque/como…”, escolha temas ou assuntos para as observações de cada dia, e faça exercícios de escrita livre, reunindo todos os pensamentos e associações que lhe ocorrerem na hora em que ocorrerem, sem fazer edições.

A dimostrazione é o compromisso de testar o conhecimento através da experiência, persistência e uma disposição para aprender com os erros. Você pode começar questionando suas crenças, e vendo quais você nunca testou – são mesmo verdadeiras? A seguir, tente o teste dos três pontos de vista, criando um argumento contra sua crença e um argumento neutro, analisando-os (de preferência com um amigo que tenha um ponto de vista diferente do seu).

Além disso, analise como as propagandas lhe afetam, examine-as, suas táticas e estratégias. Descubra também “anti-modelos”, pessoas cujos erros você não quer cometer – aprenda como evitá-los.

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A sensazione é o refinamento contínuo dos sentidos, especialmente da visão. O lema de Leonardo era saper vedere, “saber como ver”.

Você pode desenvolver os sentidos praticando seus registros. Comece escrevendo uma descrição detalhada de uma experiência, como por exemplo, um nascer do sol, em seu diário. Aprenda a descrever um cheiro, a desenhar, escute diferentes sons, dos mais tênues como o ruído da respiração ao mais alto, como o barulho do tráfego.

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Leonardo tinha uma disposição para o criptico, para abraçar a ambiguidade, o paradoxo e a incerteza. Ele conseguia controlar um senso de mistério. Você pode começar sendo aberto à ambiguidade, mas fique atento à ignorância: não saber algo não faz com que esta coisa seja ambígua. A ambiguidade surge quando você faz algo cujo significado é indeterminado.

Faça-se também perguntas que relacionem dois opostos. Por exemplo, pergunte-se como seus momentos mais felizes e tristes estão relacionados. E pratique o método socrático. O método de Sócrates visava examinar possibilidades através de questões, mas sem dar as respostas. Para o método funcionar, é preciso humildade – não dá para assumir que você ou alguém saiba tudo. Questione todas as premissas.

A arte/scienza é o desenvolvimento do balanço entre ciência e arte, lógica e imaginação. É pensar com o cérebro todo. Um método para isto é usar mapas mentais, que combinem lógica e imaginação. O resultado do mapa mental é uma teia de palavras e ideias que são relacionadas de alguma forma com a mente do autor.

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Leonardo tinha uma habilidade física ou condicionamento, corporalità, incrível, que complementava seu gênio em ciências e artes. Para desenvolver a sua corporalità, adote um programa para condicionamento físico, com exercícios de flexibilidade, força e condicionamento aeróbico.

Desenvolva também a consciência corporal: estude ioga, dança ou algum esporte de contato, qualquer coisa que conecte corpo e mente. E desenvolva a ambidestria: aprenda a fazer tarefas tanto com a mão direita quanto a esquerda. Comece usando a mão não dominante para tarefas simples, como escovar os dentes ou comer o café da manhã. Mais adiante, aprenda a usar a mão não dominante para escrever.

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Finalmente, pratique a connessione, “o reconhecimento e apreço pela interconexão de todas as coisas e fenômenos”. Uma das fontes da criatividade de Leonardo era a sua capacidade de formar novos padrões pelas conexões e combinações de diferentes elementos.

Você pode praticar a connessione descobrindo ligações entre coisas que aparentemente não tem relação, como um urso e a internet, ou geologia e a Mona Lisa. Imagine diálogos com alguém exemplar para obter uma nova perspectiva e compreensão. Ou imagine como algum dos seus modelos discutiria um problema seu. Pense sobre a origem das coisas, quais elementos estão envolvidos na criação de um objeto, e como eles estão envolvidos.

Além destas características, leia livros. No tempo de Leonardo, as pessoas não se distraíam com televisão ou internet, elas liam. E, se tiver disposição e vontade, cultive outras características de Leonardo, como o carisma, generosidade, amor à natureza e amor aos animais. [WikiHow]

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11 comentários

  • Felipe css:

    Não vejo o menor sentido em correlacionar homossexualidade à genialidade. A única relação entre homossexual e celibatário que eu vejo é: A não relação sexual/sentimental homem-mulher casual. O mais óbvio à se tirar disto é que, muito provavelmente as relações sexuais distraem a mente (como você mesmo enfatizou “distração”), ou pelo menos a relação casual que também pode distrair uma mente, onde a pessoa precisa estar cuidando de outra pessoa sentimentalmente e sexualmente. Einstein não era celibatário, mas ele não era sentimentalmente apegado à sua mulher, ele até criou regras nas quais a mulher dele teria que seguir estritamente, claro que ela inicialmente aceitou, assinando até mesmo um contrato. Leonardo Da Vinci pode ter dado suas “escapadinhas”, mas só porque sua vida íntima não veio à público, isso não quer dizer que ele seja homossexual. E claro, antes que haja algum mal entendido e venham me julgar como “homofóbico”, eu não sou nada disto, eu sou neutro quanto à este assunto, não me importo com a preferência sexual de ninguém.

  • Sharlie Stringari:

    Muito bom.

    PS.: os comentários sobre o artigo são maiores e mais difíceis de entender do que o próprio artigo. Acredito ser gente procurando emprego no site. haha

  • Will Singer:

    Olá!

    Achei à “matéria”, fantástica.
    Com exceção do comentário da Alessandra, achei os outros “paradoxais”!

    Falando das maravilhosas características desse “gênio”, “percebi” uma “negação” em “si e no mundo”, das incríveis possibilidades que ainda nos cercam.

    Não acho que precisemos necessariamente fazer ou ser considerados gênios como é o “Leo”. Se observarmos e tivermos disposição e vontade, cultivar outras características, como o carisma, generosidade, amor à natureza e amor aos animais, faremos da vida uma arte individual e o mundo, nosso formoso “ateliê”.

    Até mais…

  • Genioso Irreligioso:

    Vi certa vez num documentário que Leonardo da Vinci quando projetava alguma invenção; invertia alguma coisa no projeto de propósito; pra trollar plagiadores! 😉

  • Evandro Oliveira:

    Qual a relação de ser celibatário com ser homossexual? Relação forçada.

    Vale lembrar que pelos registros que se tem dele, Da Vinci estava muito mais para um cristão do que para um homossexual.

  • Cesar Grossmann:

    Acho que ser celibatário não contribuiu para a genialidade dele. Pode ser que tenha contribuído para ele fazer alguma coisa, mas não sei se é um fator determinante — ao mesmo tempo que existem gênios celibatários, como Isaac Newton e Immanuel Kant, também existem os que não eram celibatários, como Charles Darwin e Albert Einstein.

  • Arlete Scheleider:

    Concordo com você Evandro, hoje temos uma cultura muito diferente da época de Da Vinci, no entanto, hoje é muito mais simples ter a atitude que ele tinha diante da busca do saber, já que hoje as informações as experiências são muito mais disponíveis, a troca e a interação também…
    Sr Cesar Grossmann adorei a abordagem do artigo, parabéns!

  • Samuel Oliveira:

    Leonardo se tornou o que quis e temos que lutar para atingir no máximo do nosso potencial. Houveram outros homens grandiosos da história que nos inspiram, o mais importante é tentar colocar em prática o conhecimento que adquirimos sós ou não porque na nossa época isso não falta.

  • Evandro Oliveira:

    Ótimo relato…

    O grande contraste entre a formula de vida do Leonardo da Vinci (alias, muito comum entre os pensamentos, artistas, cientistas, monges do período) é que buscavam aprender sobre tudo, todas as areas, todos os saberes, se tonrar bom e habilitado em todas as coisas, fazer relações entre elas.

    Infelizmente, o mundo de hoje é o oposto disso e está se tornando cada vez mais distante. O modo como é hoje é tornar as pessoas cada vez mais especializadas (bitoladas). Vão estudar e aprender cada vez mais um negócio especifico. Não se prende ou “perde tempo” (como hoje se fala) em estudar, aprender, desenvolver, praticar coisas de outras areas que não está diretamente ligado a sua area de atuação profissional e academica.

    Infelizmente, estamos assim, cada vez mais bitolados.

    • Cesar Grossmann:

      Evandro, o maior problema é que hoje o conhecimento avançou tanto, que para você fazer alguma contribuição em mais de uma área você vai ter que viver duas vezes. Simplesmente há muita informação, e combinar áreas tão diferentes como física e biologia, engenharia civil e agricultura, ou engenharia mecânica e biologia implica em muito tempo de estudo até você dominar mais de uma área do conhecimento. E para começar a contribuir, você tem que fazer mais que dominar a área do conhecimento, você tem que trabalhar muito — hoje em dia a esmagadora maioria dos trabalhos inovadores não são feitos por gênios solitários, mas por equipes de pesquisadores dedicados, e levam às vezes décadas de estudos.

    • Evandro Oliveira:

      Concordo com isso. Todavia, ao mesmo tempo, acredito a priori que deve haver um equilibrio na vida. Não podemos ficar o dia todo sentado, a maior parte da vida sedentários (isso muitos fazem) em prol de tanta atividade, trabalho, transitar de carro e etc, fazendo com nossos musculos se atrofiem, nossa estrutura ossea se deforme e a saude se arruine.

      Acredito que hoje o ‘pensamento’ especifico é o que, incontestavelmente, predomina. Todavia, há uma estrutura filosofica e educativa que contribuiu para isso, oriunda das décadas passadas de Positivismo, como Dewey (se nao escrevi errado), voltando a Educação para o pragmático e na construção do saber cientifico, de forma a bitolar mesmo a pessoa numa area de atuação. Livros, de 1930 já retratavam isso, e de um triste cenário futuro em que as pessoas seriam “Homens de um livro só” ( o livro da sua area de atuação); o que contrapõe o que os antigos filosofos alertavam “Cuidado com o homem de um livro só”, “Como é terrível o homem de um livro só.”

      Apesar de tudo isso, ainda assim, seria possível uma outra maneira de se organizar. Podia e pode ser diferente. Há pessoas ainda hoje, que são muito especialistas e conhecedores na sua area de saber; mas que não são bitolados, eles buscam também as demais. De certa forma é uma reorganização do tempo.

      Nos curriculos educacionais da USP estão tentando aumentar a interdisciplinaridade e envolver os alunos com outras atividades, artes, atividades culturais diferentes do seu curso.

      Conheço um professor que é um cara de intelecto unico, Oscar Joao Abdounour. Livre docencia em matematica… mas que conhece profundamente e manja de varios saberes, como educação, filosofia, antropologia, musica… entre outros… (o cara já regeu o coral da usp)…

      Há outros ainda no mundo, mesmo que raros… o conhecimento é construtivo. A pessoa não precisa ser o unico pensador/cientista a construir tal pensamento. Pode se auxiliar com outros, e outros podem partir de onde ele parou. Assim o conhecimento e trablho é feito de geração em geração. Os dois grandes problemas que eu vejo da forma como o mundo está organizado hoje nesse sentido é:

      1. Começou a se especializar numa coisa tem que ir até o fim da vida nessa mesma coisa. O contrário disso seriam contribuições parciais. Um tipo de rodizio entre saberes, praticas, atividades. Claro, podendo ser mais afinco numa do que outra.

      2. Produção. Como um processo da Revoluçaõ Industrial, ainda mais após o Fordismo. O Estado, a Universidade, o Mercado estão precionando as pessoas para ter maior produção. Ou seja, produzir cada vez mais num espaço de tempo cada vez menor. Nos tempos antigos, não era assim. Acreditavasse no Positivismo que as tecnologias iriam favorecer para o homem ser tão produtivo que lhe sobraria mais tempo, mas não foi bem isso. Tornou o homem mais produtivo, mas isso aumentou apenas mais a competição e exigencia de se produzir mais. Vivemos numa loucura de produção que demanda uma maior especializaçaõ e fluencia naquilo que se faz. Queremos as coisas para ontem. E a formação dos saberes e praticas é um processo mais lento e de longo prazo, por isso se tornando inconciliavel a pessoa buscar se desenvolver em outros saberes.

      O problema não é a quantidade de informação. Sempre, em toda a História, tivemos mais informação do que o tempo de vida necessário para tal. Salomão em Eclesiastes já dizia que era loucura viver apenas lendo e lendo, querendo ler tudo, ter todas as informações, pois os livros nunca iriam parar de aumentar. Quantos livros podemos ler na nossa vida? Poucos.
      Na época de Da Vinci haviam clarmaente muito mais informações, saberes, livros, do que ele podia acessar, ler, praticar em 1 vida (nem duas vidas seria suficiente no meu ver). Mas a forma que ele organizou sua vida foi diferente como hoje fazemos também para quantidades muito maiores de informação que podemos averiguar. Certo que ele não foi um grande matematico (nao se tem nenhuma descoberta e teorema importante atribuido a ele), nao foi um grande medico mas fez muitas coisas em prol disso, nem um grande engenheiro mas fez muitos projetos, nem um grande musico ou teologo, entre outros, todavia se dedicou mais as artes da pintura. E tinha uma visao mais clara do todo, sabia ver o Macro ao invés de apenas o micro. Hoje as pessoas só veem o nano.

      É uma forma de organização da vida, dos saberes.
      É um desafio para cada um.
      Ainda mais nos dias de hoje que temos esses itens 1 e 2 como predominantes.

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