Alérgicos a glúten podem comer pão feito com esse trigo

Por , em 27.09.2017

As pessoas forçadas a evitar o glúten por causa da doença celíaca podem logo ter seu pão (e seu bolo) próprio para consumo. Cientistas estão criando cepas de trigo que não produzem as formas de glúten que desencadeiam a reação imune perigosa em até uma em cada 100 pessoas. Como as novas estirpes ainda contêm alguns tipos de glúten, o trigo ainda pode ser usado para assar pão. “É considerado muito bom, certamente melhor do que qualquer coisa nas prateleiras sem glúten”, diz Jan Chojecki, da PBL-Ventures no Reino Unido, que trabalha com investidores na América do Norte para comercializar produtos fabricados com este trigo.

O glúten é o termo geral para todas as proteínas do trigo e cereais relacionados. Durante o cozimento, essas proteínas se ligam para formar cadeias elásticas, que é o que mantém pães e bolos juntos à medida que eles crescem.

Mas algumas pessoas têm uma condição auto-imune chamada doença celíaca. Seu sistema imunológico responde incorretamente ao glúten, que danifica o revestimento intestinal e pode levar a diarréia, vômitos, desnutrição, danos cerebrais e até mesmo câncer de intestino.

Nem todas as proteínas de glúten desencadeiam essa resposta, porém: o principal culpado é um grupo chamado gliadinas. Então, a equipe de Francisco Barro, no Instituto de Agricultura Sustentável em Córdoba, na Espanha, começou a se livrar deles.

Pão aceitável

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Eles usaram uma técnica de modificação genética para remover 90% das gliadinas no trigo. Eles fizeram isso adicionando genes que desencadeiam um processo chamado interferência de RNA, o que impede a produção de proteínas específicas. Mas uma vez que os próprios genes da gliadina permanecem intactos, em teoria, existia o risco de o trigo começar a produzir novamente as proteínas cruciais.

Então, a equipe de Barro tentou usar a edição de genes CRISPR para se livrar completamente dos genes. Esta é uma tarefa enorme porque existem não menos do que 45 cópias do gene da principal proteína de gliadina que causa problemas. No entanto, a equipe de Barro informou que já conseguiram eliminar 35 dos 45 genes.

Mais genes precisam ser desativados antes que a cepa CRISPR esteja pronta para testes, mas deve valer todo o esforço: a equipe já mostrou que a cepa de trigo GM faz um pão aceitável. Não pode ser usado para fazer grandes lanches em fatias, mas é bom o suficiente para baguetes e pãezinhos, diz Chojecki.

“Algumas pessoas ficarão muito felizes com isso”, diz Sarah Sleet, chefe do grupo de pacientes Celiac UK.

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No entanto, outros podem não querer comer alimentos geneticamente modificados, ou assumir o risco de que alguns componentes que provocam imunodeficiência permaneçam no trigo, diz Sleet. Pequenos ensaios do trigo geneticamente modificado envolvendo 10 e 20 pessoas com doença celíaca já estão sendo realizados no México e na Espanha. “Tudo o que posso dizer é que os resultados são muito encorajadores”, diz. [New Scientist]

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