União Europeia investe em programa para prever o futuro

Por , em 7.01.2013

Forte candidato para receber um investimento bilionário o “FuturICT” é um ambicioso sistema de informação que pretende “prever” o futuro da sociedade de forma análoga ao preconizado pela trilogia de ficção científica “Fundação”.

Nesse clássico da FC, o célebre escritor Isaac Asimov, na voz do personagem Henri Seldon (um brilhante matemático) concebe uma neociência denominada “psicohistória”.

É através das previsões dessa nova ciência que a humanidade torna-se capaz de evitar um desastroso colapso social, antecipando-se – com uma margem de alguns milhares de anos – na elaboração de um fantástico plano de contingências.

Ficção científica à parte, o FuturICT, de acordo com seus idealizadores, atuaria com base em simulações sociais computadorizadas, alimentadas por dados colhidos, em tempo real, oriundos das mais diversas atividades humanas.

Por meio de tratamentos estatísticos esperam poder traçar as principais tendências para a construção do futuro da humanidade, simulando os cenários prováveis do ponto de vista social, científico-tecnológico, econômico, político e ambiental e com isso antecipar as devidas respostas à eventuais crises e a consequente eleição de seus respectivos planos de contingências.

— Não estamos fabricando uma bola de cristal — garantiu Dirk Helbing, físico e matemático do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça em Zurique e um dos líderes do FuturICT, numa entrevista para o Globo na semana passada.

— O que pretendemos é elencar o ferramental necessário na elucidação das relações causais, e descobrir por que alguns sistemas são estáveis e outros não.

De acordo com o portal desse projeto, seu objetivo final é compreender e gerenciar os sistemas complexos globais, socialmente interativos, tendo como principais focos a sustentabilidade e a resiliência.

Para tal, pretendem conjugar esforços de instituições acadêmicas, centros de pesquisa e outras organizações científicas, centros de supercomputação, empresas e parceiros industriais, indivíduos notáveis, centros de artes, agências governamentais e outras organizações políticas.

Os idealizadores do projeto acreditam que a integração das ciências da cognição, das tecnologias de informação e comunicação (TIC), da ciência da complexidade e das Ciências Sociais criará uma mudança de paradigma, facilitando uma coevolução simbiótica das TIC e da sociedade como um todo.

É esperar pra ver.

[Imagem: Portal Futur ICT]
[Fontes: O Globo e www.futurict.eu]

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Em tempo: Um dos projetos concorrentes ao investimento bilionário por parte da União Europeia refere-se a outra previsão da FC de Isaac Asimov – A construção de robots domésticos – coisa que veremos em nossos próximos artigos – Não percam!

 

[Leia os outros artigos de Mustafá Ali Kanso]

 

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Navegando entre a literatura fantástica e a ficção especulativa Mustafá Ali Kanso, nesse seu novo livro “A Cor da Tempestade” premia o leitor com contos vigorosos onde o elemento de suspense e os finais surpreendentes concorrem com a linguagem poética repleta de lirismo que, ao mesmo tempo que encanta, comove.

Seus contos “Herdeiros dos Ventos” e “Uma carta para Guinevere” foram, em 2010, tópicos de abordagem literária do tema “Love and its Disorders” no “4th International Congress of Fundamental Psychopathology.”

Foi premiado com o primeiro lugar no Concurso Nacional de Contos da Scarium Megazine (Rio de Janeiro, 2004) pelo conto Propriedade Intelectual e com o sexto lugar pelo conto Singularis Verita.

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11 comentários

  • Afonso Do Carmo:

    Na verdade, considerando a capacidade atual dos grandes computadores, este feito não é assim tão difícil.
    Sabemos que no curso do tempo, a cadeia de eventos é uma sequência de causas e feitos.
    A questão está em que uma causa sempre gera mais de um efeito. Portanto, a complexidade aumenta na direção do futuro.
    Entretanto, considerando apenas o nosso quintal (Terra) os eventos não sofrem, em sua natureza, variações significativas no tempo.
    O que varia, basicamente, é o número deles (quantidade). Ou seja: a complexidade aumenta, mas aumenta dentro do mesmo sistema e basicamente pelas mesmas causas.
    Os limites do sistema, portanto, podem ser estabelecidos, e o que acontece dentro desses limites pode, em princípio, ser previsto e tratado.
    Tomando por base dados históricos de causas e feitos, penso que é possível prever os próximos movimentos e eventos que ocorrerão dentro do sistema terrestre com uma margem de segurança quase completa.
    Além do mais, os eventos aleatórios poderão ser tratados como probabilidades de ocorrência, levando em conta o conhecimento de todas as ciências.
    Na construção do sistema seria, portanto, totalmente recomendável a participação de “feras” de todos os ramos do Conhecimento.

  • Joaquim Guedes Batista:

    Vejam só, um dos pontos fundamentais é a genética, temos que utilizar o espaço tempo, os produtos deverão serem cada vês mais precoce, poderia se dizer que nos locais de maior fotoperiodismo, seria mais adequados para uma produção mais rápida, deve-se estudar com maior consciência, o relativo das precipitações, O grande problema está nas evaporações de produtos químicos, a radiação é muito perigosa para a célula humana, pegar um livro arcaico e dele tirar conclusões idiotas, não levará a nada que possa trazer um estiramento maior e melhor da vida humana.

  • Joaquim Guedes Batista:

    O mundo está carregado de simpatias, pensamentos perdidos, vulneráveis e muito mais. Não é Tão difícil de imaginar, de como será a humanidade nos próximos 1000 anos, as construções terão de serem para cima, as áreas de plantações de alimentos, terão de serem preservadas e se os humanos viverem 200 anos médio, a procriação terá de ser laboratorial, deverá ser pago pra ter um filho através das máquinas, a mulher irá se portar como macho,a tesão irá desaparecer e irá ser cada qual por si dentro dos relacionamentos, claro que as comunidades serão formadas em grandes grupos sociais, não poderá haver individualismo aparente.

  • jodeja:

    Só pensam em dinheiro, o vil metal. Claro que ele e é necessário, mas não é tudo. Grandes educadores já deram a dica que os poderosos não aceitam porque não dá lucro imediato. Eduquem as crianças, não na competitividade e sim na solidariedade, no amor, na compreensão e o futuro será maravilhoso. Caso contrário…

    • daniel_vieira30:

      concordo com vc!

  • Paulo Rosas Moreira:

    Alguém em um passado remoto disse: “NAVEGAR É PRECISO”, e o mundo ficou maior com isso. Para que o mundo no futuro possa ter uma chance sobre a idiotice humana de achar que tudo se resolve com o tempo,o hábito do consumismo, que está destruindo aos poucos o nosso planeta, está requerendo uma ação de prevenção, sim, antes que seja tarde demais.

  • Astronomico:

    Os humanos sempre buscaram uma forma de evoluir a especia da maneira mais rápida e segura, mas a progressão da ciência depende de sacrifícios que muitas vezes são mau vistos pela sociedade como no caso em 1940 em que cientistas mantiveram apenas a cabeça de um cachorro viva (link do video: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Jq06D0xRWmc), isso gerou um repudio muito grande de muitos que assistiram ao vídeo, mas agora com este novo sistema o FuturICT espero que achemos uma forma de evoluir a especie em todos os aspectos de uma forma segura, rápida e aceitável a todos e claro prevenir qualquer desastre que possa acontecer

  • Costa:

    A matéria é interessante mas além da dúvida de que tais investimentos sejam realmente destinados ao que se propõem, ainda acredito que a direção da proposta está no mínimo equivocada. Precisariamos primeiro entender melhor o nosso passado ainda envolto em nebulosas suposições ‘científicas’ antes de tentar fazer previsões futurísticas.

  • Alexandre Milhomens:

    Dinheiro jogado fora! – Leiam o livro ‘Ação Humana” de Ludwig Von Mises, e verão que estatísticas não conseguem prever a ação humana. A Praxeologia, sim, é um estudo sério para a questão.

  • Wellington Accioly:

    Interessante!

  • Gabriel Cardoso:

    Enquanto alguns cientistas usam o conhecimento para a guerra, outros pretendem evita-la.

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