Universidade de Glasgow lança curso sobre filosofia baseado em Os Simpsons

Por , em 21.11.2016

Não é à toa que Os Simpsons já está na 28ª temporada e já conquistou inúmeros prêmios, como 31 Emmys.

Apesar de ter como protagonista um personagem que é visto como ignorante, a série de TV conta com uma equipe de roteiristas para lá de inteligentes que fazem referências a atualidades e a conhecimentos de todas as áreas, da filosofia à matemática e física. Por isso, o material pode ser uma ótima fonte de estudos, com a vantagem de atrair o interesse de estudantes jovens.

A Universidade de Glasgow acaba de lançar um curso de filosofia de um dia que tem a série como tema. O curso tem título “D’oh! Os Simpsons fazem uma introdução à filosofia” e acontece no dia 14 de janeiro de 2017, na instituição.

A descrição da atividade é a seguinte: “Os Simpsons é um dos maiores artefatos culturais do mundo, parcialmente porque é cheio de filosofia. As ideias de Aristóteles, Kant, Marx, Camus e outros grandes pensadores são representadas no que é discutivelmente uma das mais puras formas filosóficas – o desenho animado. Este curso de um dia vai explorar as ideias mais inspiradoras da filosofia como são apresentadas pelo monumento de Matt Groening aos absurdos da existência humana. Venha para um dia de aprendizado e explore algumas das ideias da filosofia mais inspiradoras apresentadas em Os Simpsons”.

Matt Goening afirmou em uma entrevista de 1991 que quando estava começando sua carreira, ele “estudava filosofia e desenhava, então tinha que ser um cartoonista”.

Você quer exemplos concretos da presença de conceitos filosóficos na série de TV? A revista britânica New Statesman selecionou alguns exemplos:

Homer: “Crianças, vocês tentaram o seu melhor e vocês falharam miseravelmente. A lição é ‘nunca tente’”.
Sartre: “Todas as ações humanas são equivalentes e todas são no princípio condenadas a falhar”

Homer: “São necessárias duas pessoas para mentir: uma para mentir e outra para ouvir”.
Nietzche: “O homem se permite ser enganado […] o homem não foge de ser enganado tanto quando de ser atingido pela decepção”.

O responsável pelo curso é o professor Dr. John Donaldson. “O curso usa Os Simpsons como veículo de introdução das pessoas às ideias filosóficas. Nós olhamos para Homer e perguntamos se ele é uma pessoa virtuosa. Fazemos isso depois de discutir a filosofia moral”, explica ele.

“Também há uma parte do curso em que olhamos para Ned Flanders. Ele é obviamente uma pessoa muito religiosa. Ned acha que ele deveria fazer as coisas porque Deus quer que ele faça. Usamos isso para olhar para a teoria de comando moral”, diz o professor de filosofia.

Alguns episódios utilizados no curso são A verdade sempre triunfa, da temporada 3, e Bart, o Gênio, da temporada 1. O primeiro terá como tema a filosofia política e o segundo o livre arbítrio.

O professor adianta que não há mais vagas para o curso, mas que pretende realizar outras edições no mês de janeiro. Ele também pretende criar outros cursos com base em outras séries famosas, como Game of Thrones e Westworld.

Os Simpsons e religião

A série já foi usada em um trabalho sobre filosofia anterior. Em 2006, o filósofo britânico Julian Baggini escreveu um ensaio analisando algumas falas de Homer sobre instituições religiosas, como: “Qual é a de ir para um prédio todo domingo, quero dizer, Deus não está em todos os lugares?”, “Você não acha que o Todo Poderoso tem coisas melhores para se preocupar do que onde um homenzinho passa uma hora de sua semana?”, e “E se escolhemos a religião errada? Toda a semana estamos apenas deixando Deus mais e mais furioso?”.

Baggini descreveu o programa como o produto cultural mais filosófico de nosso tempo, chamando Matt Goening de “verdadeiro herói de Platão, Aristóteles e Kant”. [Big Think, Greenock Telegraph]

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