Cientistas eliminam câncer em ratos usando apenas uma injeção

Por , em 1.02.2018

Um novo estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford (EUA) conseguiu eliminar com sucesso vários tipos de tumores em ratos usando apenas uma injeção.

A “vacina”, que contém pequenas quantidades de dois agentes imunes estimulantes, foi aplicada diretamente nos tumores e eliminou todos os vestígios de câncer nos animais, incluindo metástases distantes e não tratadas com a injeção.

Os pesquisadores acreditam que a aplicação local de quantidades muito pequenas dos agentes pode servir como uma terapia de câncer rápida e relativamente barata que provavelmente não causará efeitos colaterais adversos.

Um ensaio clínico em seres humanos foi iniciado esse mês, para testar o efeito do tratamento em pacientes com linfoma.

Vantagens

O professor de oncologia Ronald Levy, um dos cientistas do estudo, é pioneiro no campo de imunoterapia contra o câncer, no qual os pesquisadores tentam aproveitar o nosso sistema imunológico para combater a doença.

A pesquisa realizada em seu laboratório levou ao desenvolvimento de rituximab, um dos primeiros anticorpos monoclonais aprovados para uso como tratamento anticancerígeno em humanos.

Algumas abordagens de imunoterapia dependem de estimular o sistema imunológico em todo o corpo. Outras visam “alvos” que limitam a atividade anticancerígena das células imunes. Outras, como a terapia com células T CAR recentemente aprovada para tratar alguns tipos de leucemia e linfomas, exigem que as células imunes de um paciente sejam removidas do corpo e manipuladas geneticamente para atacar as células tumorais.

A nova abordagem é melhor do que todas essas outras porque não requer identificação de alvos específicos, ativação por um sistema imunológico atacado ou personalização das células imunes de um paciente. Por isso, é mais rápida e barata. Um dos agentes da vacina já está aprovado para uso em seres humanos e o outro já foi testado para uso humano em vários ensaios clínicos.

Como funciona

Os cânceres geralmente passam despercebidos pelo nosso sistema imunológico. No começo, nossas células imunes, como as células T, reconhecem as proteínas anormais, muitas vezes presentes em células cancerosas, e se infiltram para atacar o tumor. No entanto, à medida que o tumor cresce, ele cria formas de suprimir a atividade dessas células.

O método de Levy trabalha para reativar as células T que lutam contra o câncer injetando quantidades muito pequenas (um milionésimo de grama) de dois agentes diretamente no local do tumor.

Um deles, um curto trecho de DNA chamado de oligonucleótido CpG, trabalha com outras células imunes próximas para aumentar a atividade de um receptor chamado OX40 na superfície das células T. O outro, um anticorpo que se liga ao OX40, ativa as células T para liderar o ataque contra as células cancerígenas.

Como os dois agentes são injetados diretamente no tumor, apenas as células T que já estão infiltradas no câncer são ativadas. Ou seja, essas células T são “pré-selecionadas” pelo corpo para reconhecer apenas proteínas específicas de câncer.

Algumas dessas células T ativadas por tumor, então, deixam o tumor original para encontrar e destruir outros tumores idênticos em todo o corpo.

Resultados impressionantes

A abordagem funcionou surpreendentemente bem em ratos de laboratório com linfomas transplantados em dois locais de seus corpos.

Injetar um tumor com os dois agentes causou a regressão não apenas do tumor tratado, mas também do segundo tumor não tratado. 87 dos 90 ratos foram curados do câncer.

Embora o câncer tenha retornado em três ratos, os tumores voltaram a regredir depois de um segundo tratamento. Os pesquisadores viram resultados semelhantes em ratos com câncer de mama, cólon e melanoma.

Em um segundo experimento, ratos geneticamente modificados para desenvolver espontaneamente câncer de mama em vários locais também responderam muito bem ao tratamento. Tratar o primeiro tumor que surgiu muitas vezes impediu a ocorrência de tumores futuros e aumentou significativamente a vida útil dos animais.

Cada câncer é um câncer

No entanto, existe uma especificidade do tumor tratado. Por exemplo, nos ratos com dois tipos de câncer – linfoma em dois locais e câncer de cólon em uma terceira localização -, o tratamento injetado em um dos linfomas causou a regressão de ambos os tumores de linfoma, mas não afetou o crescimento das células de câncer de cólon.

“Esta é uma abordagem muito direcionada”, disse Levy. “Somente o tumor que compartilha os alvos da proteína exibidos pelo local tratado é afetado”.

No entanto, é possível simplesmente injetar o outro tumor, também.

Possibilidades infinitas

Se o ensaio clínico com pacientes humanos for bem-sucedido, Levy acredita que o tratamento pode ser útil para muitos tipos de tumores.

Ele prevê um futuro no qual os médicos injetarão os dois agentes em tumores sólidos antes da remoção cirúrgica do câncer, como forma de prevenir a recorrência devido a metástases não identificadas ou células persistentes do câncer, ou mesmo para evitar o desenvolvimento de tumores futuros que surjam devido a mutações genéticas, como BRCA1 e 2.

“Eu não acho que há limite para o tipo de tumor que poderíamos potencialmente tratar, desde que tenha sido infiltrado pelo sistema imunológico”, conclui. [MedicalXpress]

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3 comentários

  • Otoniel Tiburtino:

    A Fosfoenolatinamina não estaria presente já que no Brasil foi barrada ?

    • Cesar Grossmann:

      Esquece a fosfoetanolamina, aquilo não serve para curar câncer.

  • Otoniel:

    Yma nova esperança…

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