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11 formas de envenenamento que os vitorianos usaram contra si mesmos

Por , em 17.07.2017

Os vitorianos eram bastante inteligentes. Eles nos deram trens a vapor, selos, fotografias e o primeiro banheiro de descarga pública. Mas eles também eram bastante propensos a acidentes. Mais ou menos como deixar uma criança brincar com fósforos em uma fábrica de fogos de artifício, os vitorianos tinham muitos produtos químicos perigosos na ponta dos seus dedos. Numa época anterior à saúde e à segurança, sua ideia de proteção era colocar um sinal de “perigo” em garrafas de arsênico. O problema com este plano era que eles vendiam o mesmo arsênico no balcão como isca para rato, muitas vezes com consequências terríveis.

Em um mundo onde as aparências eram tudo, a segurança chegava em segundo lugar. Era o século 19, e os vitorianos encontravam maneiras bastante estranhas de acabar acidentalmente consigo mesmos.

11. Papel de parede

Os vitorianos eram apaixonados pela cor verde. Este amor surgiu por causa do fim do chamado Imposto das Janelas (uma taxa que era cobrada de acordo com o número de janelas que cada casa possuía no Reino Unido, na Irlanda e na França, o que fazia com que diversas janelas fossem fechadas com tijolos na época) e das lâmpadas a gás. Com muito mais luz natural durante o dia e melhor luz à noite, os vitorianos deram vazão à sua paixão interior pelas cores brilhantes.

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Mas a cor da moda para colorir as paredes não era qualquer verde. Tinha que ser uma sombra exuberante chamada Verde de Scheele. Ela não só era brilhante, mas tabém resistia ao desvanecimento – uma vantagem extra. O lado obscuro deste capricho colorido era que ele envenenava lentamente as pessoas. O arsenito de cobre, um derivado de arsênico, dá a este verde sua cor rica. Respirar o ar poluído com vapor de arsênio tinha o potencial de matar – e muitas vezes o fez.

Famílias inteiras sofreram e morreram, com crianças especialmente em risco. Como os sinais de envenenamento por arsênico eram semelhantes à difteria, muitos políticos permaneceram céticos quanto ao perigo. E aqueles médicos que expressaram preocupação com arsênico foram muitas vezes ridicularizados publicamente, especialmente, é claro, pelas empresas que produziam o papel de parede.

Somente em 1903 ocorreu a proibição de compostos de arsênico como aditivos alimentares, mas o uso de arsênico em papéis de parede nunca foi formalmente banido.

10. Mamadeiras

A grande novidade vitoriana na alimentação dos bebês era uma garrafa de vidro especial equipada com tubos de borracha e um bico. A ideia era o bebê aspirar no tubo de borracha, como se estivesse tomando um refrigerante através de um canudo.

Essas garrafas eram apoiadas por uma popular campanha de marketing e nomes como “The Little Cherub” (o pequeno querubim) ou “The Princess” (a princesa). As mães amaram o fato da criança poder se alimentar por si só, era uma fonte de grande orgulho. Essas garrafas de alimentação se tornaram o acessório para a mãe moderna vitoriana, mas com consequências mortais.

Havia uma falha de design básica: a tubulação de borracha foi colocada no copo e era quase impossível de limpar. Dentro da garrafa, leite quente se tornava o caldo perfeito para bactérias. Ainda por cima, os conselhos da Sra. Beeton, uma espécie de guru das donas de casa da época, não ajudaram em nada. Escrevendo em 1861, ela declarou que não era necessário lavar as mamadeiras por duas a três semanas.

O resultado foi bebês bebendo uma sopa de bactérias, muitas vezes com consequências fatais. De fato, as mamadeiras logo ganharam outro nome: “garrafas assassinas”. Isso, junto com a condenação vinda dos médicos, deveria ter parado seu uso. Mas não. Infelizmente, muitas mães foram levadas pela publicidade e continuaram a utilizá-las independentemente.

9. Ácido carbólico

Os vitorianos simplesmente não conseguiam encontrar um equilíbrio. Na higiene, por exemplo: por um lado, eles usavam mamadeiras sujas e, por outro lado, diziam que “A limpeza estava próxima da santidade”. Isso, em um mundo onde novas teorias sobre germes que causavam infecções surgiam a cada dia, tornou o desejo de limpar uma obsessão. E então eles se envenenaram com ácido carbólico.

Todas as famílias tinham soda cáustica ou ácido carbólico, usados ​​como limpadores, em um armário em algum lugar. Mas aí estava o problema. Estes produtos mortais vinham em embalagens que eram idênticas a outros itens domésticos, incluindo alimentos.

Era fácil confundir uma caixa com outra e acidentalmente envenenar os bolos. Em setembro de 1888, foi exatamente o que aconteceu quando o ácido carbólico foi confundido com bicarbonato de sódio. Treze pessoas ficaram doentes e cinco morreram.

Somente 14 anos depois a da Lei da Farmácia tornou ilegal que os produtos químicos fossem armazenados em garrafas semelhantes aos itens comuns.

8. Chumbo

Com a Revolução Industrial, as cidades começaram a se expandir. Isso significava uma necessidade grande de abastecer as famílias com água. Os reservatórios foram construídos para fornecer canos de reserva nos distritos ou casas mais pobres em áreas afluentes.

No entanto, grande parte daquela água viajava ao longo de tubulações de chumbo, pegando a toxina mortal no caminho. Curiosamente, é da palavra latina para chumbo, plumbum, que a língua inglesa deriva o termo “plumbing”, que significa encanamento. O que torna isso ainda mais irônico é que, em 1847 e 1848, o governo britânico escreveu leis que tornavam uma ofensa criminal poluir a água potável – como eles mesmos estavam fazendo sem notar.

Mas o perigo não se limitava à água. O chumbo era adicionado à tinta para impedir que ela se danificasse e para tornar as cores vívidas. Os vitorianos usaram a pintura de chumbo sobre móveis, berços e até brinquedos infantis. Quando as crianças roiam seus berços ou mastigavam brinquedos, elas se envenenavam acidentalmente.

7. Láudano

O Láudano era o equivalente vitoriano da aspirina moderna. Era um remédio para todas as dores que afetavam os nervos. Aliviava a dor e assegurava um sono reparador. O único problema era que o láudano era um xarope de ópio.

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Ele estava disponível para compra em qualquer farmácia, e era acessível: cerca de 25 gotas custavam um centavo. Os ricos desprezavam os pobres dependentes de ópio,mas não conseguiam ver sua própria dependência e bebiam alegremente sua dose diária. O Láudano foi amplamente comercializado para as mulheres para aliviar suas doenças, como cólicas menstruais e “histeria”. Ironicamente, é possível que o Láudano tenha sido tomado pelas mulheres para aliviar os sintomas de intoxicação por arsênico causada por seu papel de parede verde.

O ópio é viciante. Isso significava que as pessoas se tornaram dependentes dos sentimentos de euforia que ele criava e tomavam cada vez mais. A alternativa era parar de tomar o remédio e ficar propenso a sintomas típicos como tremores, alucinações e suores. Com as doses não reguladas e o Láudano disponível quase gratuitamente, a sobredosagem era comum.

6. Pão Adulterado

Os vitorianos julgavam pela aparência. Eles tendiam a ligar o branco à pureza, e quanto mais branco, melhor. Como não podia deixar de ser, eles tinham uma obsessão com o pão branco. Com todo os desagradáveis germes de trigo e farelos retirados, eles olhavam para o pão branco como algo puro e saudável. Por alguma lógica retorcida, a adição de um clareador químico de alumínio tornava o pão ainda melhor na visão da época.

Os compostos referidos como alumens são sais de sulfato duplo de metais, como o alumínio ou o cromo. Tradicionalmente, o alume foi usado no comércio medieval de lã para consertar corantes e mais tarde foi usado em instrumentos cirúrgicos que continham hemorragias. Não parece algo muito saudável para se ingerir.

Infelizmente, o alume não tem valor nutricional. A adição de alume foi pior para os pobres, para quem o pão era um alimento básico e acabava levando à desnutrição. Na verdade, este método contribuiu para uma série de doenças relacionadas à deficiência. Pior mesmo do que isso, o alume irrita a parede do intestino e pode causar dores de estômago ou constipação a longo prazo. Para crianças pequenas, chegou a causar óbitos.

5. Ácido Borácico no leite

O ácido borácico pertence a uma família de ácidos suaves que incluem o bórax e o ácido bórico. Atualmente, eles são usados ​​principalmente em inseticidas. Não, parece, portanto, que essa seja uma boa adição ao leite, não é mesmo? No entanto, encontramos a guru da casa vitoriana, a Sra. Beeton, agindo novamente.

Nos dias anteriores à pasteurização e aos frigoríficos, o leite podia conter bactérias nocivas eestragar rápido. Para evitar isso, a Sra. Beeton recomendava a adição de ácido borácico ao leite como conservante. A medida também tinha o benefício de adoçar o sabor ligeiramente e remover qualquer sabor azedo e contaminado.

Os efeitos do ácido borácico em adultos geralmente são leves, tais como náuseas, cólicas no estômago e diarréia. No entanto, o produto químico escondia o sabor do leite estragado, o que significa que muitas pessoas bebiam o que não era adequado para o consumo – com consequências perturbadoras. Para as crianças, muito ácido borácico pode causar convulsões, problemas neurológicos e até mesmo a morte – e fica ainda pior quando consideramos que são elas que mais necessitam dos benefícios para a saúde do leite.

4. Velas de cadáver

No início do século XIX, as velas eram feitas de sebo ou cera de abelha. As primeiras queimavam com uma chama de fuligem e cheiravam mal, enquanto as segundas eram caras. Mas um novo processo formulado em 1810 mudou isso.

Um cientista francês, Michel Chevreul, inventou uma maneira de separar o sebo e, adicionando um ingrediente secreto, fazia com que velas baratas se tornassem de alta qualidade. Apesar de terem sido banidas em sua França natal, essas velas foram muito populares na Inglaterra. A mania dessas velas compostas atingiu o pico em 1835 e 1836.

No entanto, uma noite, um professor de química estava trabalhando com a luz da sua nova vela. Ele sentiu um cheiro de alho proveniente da cera derretida e ficou desconfiado. Ele sabia que os compostos de arsênico tinham um cheiro de alho e identificou corretamente o ingrediente secreto como arsênico. O professor Everitt realizou testes, confirmou sua suspeita e divulgou suas descobertas mortais. Ele descreveu esses novos produtos como “velas de cadáver” por causa de seu vapor mortal.

3. Iluminação a gás

Após a luz de velas, pode-se imaginar como a iluminação a gás deve ter parecido mágica no século XIX. No entanto, não foi sem riscos consideráveis. Os vitorianos usavam principalmente gás de carvão para suas luzes de gás, que eram um coquetel de hidrogênio, enxofre, metano e monóxido de carbono.

Esta mistura era mortal, com riscos incluindo asfixia e intoxicação por monóxido de carbono, além do risco de explosão.

2. Médicos

Os médicos vitorianos trabalhavam, obviamente, com o conhecimento médico da época. A maioria dos procedimentos médicos eram baseados em tentar restaurar o equilíbrio do corpo. Assim, laxantes, purgantes e sanguessugas eram populares como meio de drenar “humores sujos”. Além disso, os médicos acreditavam que pequenas doses de veneno possuíam propriedades medicinais.

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Na maioria das vezes, os pacientes sobreviviam apesar dos tratamentos, não por causa deles. No entanto, ocasionalmente, os médicos da época conseguiam acertar por acidente, como prescrever cigarros para asmáticos. O ingrediente ativo, o arsênico (novamente!), era transportado em um tabaco que continha um derivado natural da atropina – que abre as vias aéreas. Assim, os pacientes melhoravam, mas não pela razão que os médicos acreditavam.

1. Anthrax no gesso das casas

Geralmente não é uma boa ideia revestir as paredes de sua casa com uma bactéria mortal. Mas foi o que os vitorianos fizeram – embora raramente.

Antes do gesso, as paredes eram revestidas com cal. Mas esta era uma mistura de cal reforçada com pêlos de animais caprinos, gado, ovelhas ou cavalos. Mesmo que o antraz não fosse comum na Inglaterra vitoriana, sua mistura também ocorreu. Os produtos de animais infectados, como a pele, cabelo ou lã, eram então uma possível fonte de infecção para as pessoas. As pessoas podem pegar o antraz através da abrasão da pele ou da inalação. [Listverse]

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