Paixão altera sua química de 5 maneiras assustadoras

Por , em 19.02.2014

O amor nos afeta. Todo mundo sabe disso: quem já esteve apaixonado, quem já esteve a cerca de 50 metros de alguém apaixonado ou quem já viu algum filme de Hollywood num dia chuvoso e solitário.

Enquanto músicos do mundo todo e romances de banca querem te convencer que aquele seu dedo podre na hora de escolher parceiros, por exemplo, é culpa de um cupido atrapalhado, a ciência tem muito a dizer sobre o assunto. Esse sentimento tão aclamado provoca todos os tipos de estranhas mudanças físicas e químicas dentro de nossos cérebros e corpos. E, a partir do momento que você passa a conhecê-las, as coisas fazem mais sentido.

Como a paixão altera sua química

5. O amor nos deixa (figurativamente) cegos

Paixão altera sua química
Todo mundo tem um amigo que namora/já namorou um idiota (talvez você tenha sido esse amigo). Não importa o quão chata, ofensiva ou infiel seja esta pessoa, o seu amigo vai insistir: “Não, ela é muito legal quando estamos em casa” ou “Ah, ela só está brincando, não leve à mal”. Parece até que ele é incapaz de enxergar o quão intragável seu amado é. E é precisamente isto que está acontecendo.

Existe uma região específica no cérebro humano que é responsável pelo modo como julgamos situações e pessoas, e em circunstâncias normais, a luz se acende quando somos apresentados a uma nova situação que requer uma avaliação imediata, como conhecer alguém pela primeira vez ou tentar descobrir se gostamos das alterações no menu do nosso restaurante favorito (e se devemos procurar outro lugar para almoçar). Somos criaturas que julgam por natureza e não perdemos tempo quando queremos criticar algo. No entanto, quando estamos apaixonados por algo ou alguém, essa região específica do nosso cérebro fica completamente apagada, como um bairro sem energia elétrica depois de um temporal na madrugada.

Nós nos tornamos fisicamente incapazes de detectar as falhas nas coisas que amamos. Aparentemente, a biologia humana acredita que é necessário colocar uma venda em nossos sentidos para que a nossa espécie possa sobreviver e se reproduzir.

Há um outro fenômeno relacionado a essa cegueira de amor chamado de “efeito halo” – e surpreendentemente não tem nada a ver com o hit pop da Beyoncé ou com o jogo de videogame. O termo se refere ao nosso hábito de estender uma qualidade positiva que uma pessoa possui para o resto do seu temperamento, basicamente nos dando uma desculpa para gostar dela. Quando o seu amigo ri da piada totalmente sem graça daquela loira bonitona, ele não está fingindo. O seu cérebro é que está lhe dizendo: “Esta pessoa tem o que você procura em um parceiro de acasalamento, por isso a partir de agora, cada coisinha que ela faz é mágica”.

4. Nossos cérebros nos colocam na direção do pior candidato possível

Paixão altera sua química
Ao escolher com quem vamos nos relacionar, nós tendemos a procurar por alguém com uma personalidade e conjunto de interesses muito semelhantes aos nossos (por favor, note que “tanquinho maravilhoso” se qualifica como um conjunto de interesses). Ainda que um caso de amor tórrido com o barista daquele café hipster que você frequenta possa parecer extremamente atrativo, esta relação está mais ou menos condenada desde o início porque, no final das contas, você não sabe nada sobre essa pessoa.

A sabedoria convencional diz que é melhor procurar alguém parecido com você, porque dessa forma você e seu parceiro têm menos probabilidade de deixar o outro morto de irritação ou de tédio. No entanto, se o hit amoroso do Legião Urbana nos ensinou alguma coisa, é que certas pessoas só são atraídas para os seus opostos completos. Acontece que Eduardo e Mônica não são fruto apenas de um terrível senso de tomar decisões: há um processo neuroquímico em ação sobre o qual não se pode fazer nada.

Vamos falar sobre hormônios. O fenômeno do “os opostos se atraem” geralmente envolve uma personalidade que tem estrogênio dominante sendo atraída por uma com testosterona dominante e vice-versa. Por exemplo, uma pessoa mais carinhosa pode se sentir atraída por alguém que faça o tipo “macho alfa”, e uma pessoa dominante pode ser irremediavelmente atraída por alguém mais reservado, submisso. De acordo com psicólogos, essas pessoas estão inconscientemente tentando equilibrar as deficiências em suas próprias personalidades e formar uma relação de complementaridade.

Há um outro tipo de atração de opostos que é tão específica que os cientistas a batizaram com um nome especial. O “efeito casal precário” refere-se à união de uma mulher forte, altamente crítica com um homem introvertido, tímido. Como era de se esperar, as relações decorrentes são profundamente insatisfatórias para ambas as partes, então por que diabos essas pessoas se unem?

Bem, porque na fase inicial de um relacionamento, as personalidades totalmente incompatíveis parecem atraentes neste sentido de yin-yang que discutimos à pouco. Por exemplo, um homem que não fala muito gostaria da perspectiva de uma namorada extrovertida, porque a sua presença faria com que ele se sentisse mais confortável em eventos sociais – se ela está lidando com o bate-papo, ele não precisa se manifestar. Por outro lado, uma mulher que gosta de falar seria igualmente atraída por um homem que escuta pacientemente e nunca tenta interromper. É somente quando eles finalmente começam a namorar que percebem o quanto não suportam um ao outro.

3. O amor deixa pessoas esquisitas mais sociáveis

Paixão altera sua química
Temos uma pergunta para aqueles que eram socialmente estranhos na adolescência: Depois que você finalmente conseguiu a sua primeira namorada ou namorado, passou a achar muito mais fácil flertar com outros? É como se houvesse este longo período de seca que de repente termina de uma vez.

Finalmente há todos esses estranhos se jogando aos seus pés, mas você está em um relacionamento e não pode ficar com mais ninguém.

A resposta óbvia seria a de que finalmente ter se envolvido com alguém lhe deu confiança, e confiança é sempre atraente. Mas há uma resposta mais profunda, mais científica. É porque quando estamos namorando e estamos felizes, nossos corpos liberam quantidades significativas de ocitocina, o principal hormônio envolvido no processo químico de amor. Uma das coisas que a ocitocina faz é nos tornar mais empáticos em relação aos outros, o que por sua vez nos torna mais propensos a interpretar corretamente até mesmo os mais sutis sinais sociais.

E sim, este é mais um dos paradoxos cruéis do corpo. Você não recebe estes compostos químicos que atraem parceiros até que você já tenha atraído um parceiro.

Na verdade, o efeito da ocitocina é tão poderoso que os cientistas discutem que poderia ser usado ​​para ajudar a tratar distúrbios sociais graves, como o autismo.

No entanto, apenas as pessoas que se saem muito mal em situações sociais são beneficiadas. Se você já era incrível nos quesitos conhecer pessoas e fazer amigos, estar em um relacionamento íntimo saudável não vai deixá-lo ainda mais bem-sucedido em socializar.

2. O amor faz tudo ficar mais doce

Paixão altera sua química
Desde tempos imemoriais, o amor tem sido associado com coisas doces. É seguro sugerir que as letras de músicas sobre o amor ser doce como o mel existem porque o amor e a sensação de doçura são duas coisas agradáveis e cantores pop são ruins em composições. Nós também usamos a palavra “docinho” – e variações tão ridículas quanto “docinho de coco” – como um termo carinhoso para alguém.

Doces nos fazem sentir bem. Tão bem, na verdade, que chegamos a escondê-los em gavetas para enfiar punhados em nossas bocas porque sabemos que é uma visão vergonhosa, mas não nos importamos, já que os desejamos tanto. O mesmo pode ser dito do sexo.

Alguns pesquisadores em Cingapura queriam ver se havia alguma ciência por trás dessa associação secular. Eles pediram a um grupo de estudantes universitários para escrever textos. Um grupo foi convidado a escrever sobre uma experiência pessoal com romance, outro foi convidado a escrever sobre inveja e o terceiro grupo foi autorizado a escrever sobre o que quisessem. Depois, eles deram a todos os alunos chocolates agridoces e lhes pediram para avaliar a doçura do alimento. No final, os alunos que escreveram sobre suas próprias histórias de amor classificaram os chocolates como mais doces do que as pessoas nos outros dois grupos, cujos temas atribuídos pareciam não ter efeito na degustação.

Os pesquisadores reuniram, em seguida, um grupo inteiramente novo de estudantes e fizeram a mesma experiência, porém, desta vez, em vez de chocolate, eles pediram que os participantes avaliassem o gosto de uma nova marca de água com sabor. Na verdade, era uma garrafa de água normal, contudo os pesquisadores disseram aos participantes que era misturada com um pouco de adoçante especial e deveriam medir a doçura da bebida. Mais uma vez, as pessoas tomadas por seus textos românticos classificaram a doçura da água como mais elevada do que os outros dois grupos, embora, na realidade, fosse simplesmente água mineral.

Então por que diabos isso acontece? Simples: o cérebro é um órgão incrível capaz de fazer operações muito complexas, mas também é vergonhosamente fácil de se confundir. Pensar em amor e romance ativa as regiões de antecipação e recompensa do cérebro. A mesma região também é ativada quando provamos açúcar.

Quando pensamos sobre o amor, o cérebro envia “sensações de doçura”, independentemente de estarmos comendo alguma coisa ou se o que está em nossas bocas é doce ou não. Consequentemente, acabamos por associar amor e doçura, simplesmente porque eles vivem na mesma vizinhança cerebral.

1. Os corpos de um casal sincronizam de várias formas bizarras

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Você já sabe que quando duas pessoas se amam, elas gradualmente começam a ajustar os seus hábitos para acomodar um ao outro, porque senão os dois apenas continuariam seguindo seus próprios interesses e fazendo o que gostam – e seria um caos. Alguns desses ajustes são conscientes, tais como redimensionar a sua ingestão diária de sorvete a fim de preservar tanto o seu casamento quanto o seu nível de açúcar no sangue, e outros são inconscientes. E alguns são honestamente biizarros.

Por exemplo, quando um homem está apaixonado por uma mulher, ele vai andar mais devagar automaticamente quando está com ela para combinar com seu passo mais curto, entretanto não vai fazer o mesmo com uma mulher do qual é somente amigo. “Mas isso é apenas cortesia! Que tipo de idiota faz sua namorada persegui-lo pela rua?”, você pode pensar.

Mas fica mais estranho.

Outro estudo reuniu 32 casais diferentes e fez com que os pombinhos deitassem a alguns metros um do outro, enquanto tinham seu coração e respiração monitorados. O estudo descobriu que as duas pessoas começam a respirar juntas e seus corações batem em sincronia, o que de repente faz com que várias músicas melosas façam muito mais sentido.

As batidas do coração são uma resposta fisiológica que não pode ser controlada conscientemente, muito menos detectada por alguém que está do outro lado de uma sala. Estar apaixonado não só nos dá super sentidos, mas também o poder de retardar o nosso próprio sistema circulatório como um monge Shaolin. E de acordo com os resultados dos pesquisadores, as mulheres são mais hábeis em fazer isso do que os homens.

E tem mais: a biologia humana ainda vai ajustar o nível de hormônios que circulam pelas suas entranhas – especificamente, a quantidade de testosterona – para combinar com seu parceiro. A natureza quer uma coisa: que nós espalhemos o nosso DNA por aí. E a testosterona governa o desenvolvimento sexual e a reprodução. Assim, quando um casal heterossexual está romanticamente envolvido, os níveis de testosterona da mulher vão aumentar, enquanto os do homem vão sutilmente diminuir. O objetivo, essencialmente, é fazer as mulheres mais viris e os homens mais femininos. Isso não chega a fazer com que nasçam barbas de lenhador nos rostos delas, nem transforma os homens no Dr. Rey, mas equilibra os dois parceiros em um terreno comum.

Os níveis de testosterona começam a voltar ao normal conforme o relacionamento evolui. Segundo os teóricos evolutivos, isso ocorre porque as mulheres começam a se concentrar na educação dos filhos que, inevitavelmente, resultaram de um festival de nudez prolongado e, portanto, sua testosterona (e desejo sexual) diminui. Enquanto isso, a testosterona dos homens volta a subir ao seu nível normal, o que significa que eles, na verdade, passam a ter mais desejo sexual. Hum… Muita coisa foi explicada aí. [Cracked]

2 comentários

  • Rafaela Manoel:

    A moça do item 5 me lembrou aquele meme(Yandere) da Yuno Gasai do anime Mirai Nikki.

  • Onai Serip:

    Bela matéria.
    Não podemos descartar que o amor é o caminho mais curto de nos tornarmos uns tolos.
    É uma metamorfose de ações aos quais não faríamos se não tivéssemos amando.

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