Acidificação dos oceanos atual é a mais rápida em 300 milhões de anos

Publicado em 12.03.2012

Em uma revisão de centenas de estudos paleoceanográficos, pesquisadores encontraram evidência de apenas um período nos últimos 300 milhões de anos em que os oceanos mudaram tão rapidamente quanto hoje. Esse período foi o Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno (PETM), há 56 milhões de anos.

Nos últimos cem anos, o aumento da liberação de CO2 de atividades humanas diminuiu o pH do oceano em 0,1 unidade, uma taxa de acidificação dez vezes mais rápida do que 56 milhões de anos atrás. A previsão é que até o ano de 2100, o pH diminua outras 0,2 unidades, aumentando a possibilidade de que o oceano fique parecido com o observado no PETM.

“O que estamos fazendo hoje se destaca nos registros geológicos”, diz Bärbel Hönisch, paleoceanógrafo da Universidade de Columbia. “Nós sabemos que a vida não foi dizimada nas últimas acidificações dos oceanos. Novas espécies se desenvolveram para substituir aquelas que foram perdidas. Mas se as emissões industriais de carbono continuarem no ritmo em que estão, isso pode significar que vamos perder organismos importantes, como corais, ostras e salmões”.

A palavra “pode” é uma daquelas que cientistas usam com muita frequência para sugerir dúvida. Mas uma certeza que se perde nas discussões sobre a mudança climática é que a poluição é simplesmente ruim.

Os oceanos agem como se fossem uma esponja, que absorve o excesso de dióxido de carbono do ar. O gás reage com a água e forma ácido carbônico, que com o tempo é neutralizado pelo carbonato dos fósseis, das conchas do fundo do mar. Se muito dióxido de carbono entra no oceano de uma vez, o nível de íons de carbonato diminui, o que gera problemas para os corais, moluscos e alguns plânctons, que precisam do íon para construir suas conchas.

Eventos mais catastróficos já aconteceram na Terra, mas talvez com menos velocidade. Outros dois momentos análogos à acidificação moderna foram causados por atividades vulcânicas massivas: uma no final da era Permiano, cerca de 252 milhões de anos atrás, e outra na era Triassica, há cerca de 201 milhões de anos. Mas os autores do estudo advertem que existem poucos registros sobre os acontecimentos com mais de 180 milhões de anos, uma vez que os sedimentos oceânicos acabaram se desfazendo.

No final da era Permiano, cerca de 96% da vida desapareceu. Erupções massivas na atual Rússia podem ter causado uma das maiores extinções da Terra. Em 20 mil anos ou mais, o carbono na atmosfera aumentou drasticamente. No final da era Triássica, uma segunda onda de atividade vulcânica, associada com a separação do super continente Pangea, duplicou a emissão de CO2 na atmosfera, e causou outra extinção. Recifes de corais se desmancharam e outras classes de criaturas marítimas desapareceram.

O estudo da PETM

Cerca de 56 milhões de anos atrás, uma misteriosa emissão de CO2 na atmosfera tornou os oceanos corrosivos. Em 5 mil anos, o CO2 da atmosfera dobrou para 1.800 partes por milhão, e elevou as temperaturas médias da Terra em cerca de 6 graus Celsius.

O sedimento característico do período PETM é uma camada de lama marrom, com grossos depósitos brancos de fósseis de plânctons. Isso se explica pelo dissolução das conchas de plâncton que ocupavam o fundo o mar, deixando a argila marrom que cientistas encontram hoje.

Segundo uma pesquisadora, Ellen Thomas, cerca de metade de todas as espécies de foraminíferos, grupo de organismos monocelulares, se extinguiu, sugerindo que outros organismos mais acima na cadeia alimentar também podem ter desaparecido. “É muito raro quando mais de 5 a 10% de espécies se perdem”, compara.

A vida marinha e a acidez da água

Tentativas de reconstruir as mudanças do pH oceânico não puderam ser feitas em laboratório. Em experimentos, cientistas tentaram simular a acidificação moderna do oceano, mas o número de variáveis – quantidade de CO2, temperatura da água, nível de pH e níveis de oxigênio dissolvido – tornam as previsões difíceis.

Uma investigação alternativa pode ser feita em regiões vulcânicas, onde a acidificação chega aos níveis esperados para o ano de 2100. Em estudos recentes em recifes de corais na Papua Nova Guinea, cientistas constataram que exposição a longo prazo a altos níveis de CO2 e pH 7,8 impedem a regeneração das espécies. [Science20, Foto]

Autor: Dalane Santos

Dalane Santos tem 21 anos, é recém-formada em jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e escreve para o Hypescience desde fevereiro de 2012.

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7 Comentários

  1. Chaminés, fornos, escape de carros e mais toda poluição causada pelo homem somadas são 3% das emissões de dióxido de carbono para a atmosfera e os outros 97% do dióxido de carbono emitido vêm de fenômenos naturais via vulcões, matéria orgânica em decomposição, e principalmente do oceano (Algas marinhas).
    Vale lembrar que nossa atmosfera tem apenas 0,035 % de gás carbônico em sua composição e que efeito estufa em equilíbrio é necessário para a vida de todos os seres.
    Nos últimos 150 anos o dióxido de carbono passou de 0,028 para 0,035 % e provavelmente não é isto que esta acidificando o mar.

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    • Taí uma ótima pesquisa-desculpa para continuarmos derrubando árvores e queimando petróleo, e com certeza patrocinado pelas trilionárias indústrias petrolíferas e automobilísticas!
      Pois saiba que numa corrida se um dos competidores for apenas 0,0001% melhor que o outro, isto será mais que suficiente para o melhor ganhar e afinal de contas para que serve a tecnologia?
      Para nos tornar escravos de métodos poluidores???
      Saiba também que não é só quantidade que está em jogo é qualidade acima de tudo, sabendo que:
      - O carbono originado da “queima” bio-natural é biologicamente mais compatível do que o gerado da queima verdadeira de carbono do petróleo
      - O petróleo explorado do sub-solo vem trazendo crescentes desestruturas da nossa delicada crosta terrestre, contribuindo até mesmo para o surgimento de terremotos, maremotos e tsunamis.
      - O crescente aumento térmico poderia estar sendo perfeitamente aproveitado para a geração de energia, só não se fazem estas mudanças por absoluta falta de interesse governamental, muito comum em países como o nosso em que 70 a 80% dos preços dos combustíveis e carros vai direta ou indiretamente ao governo!

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  2. Recentemente respondi uma questão de concursos que falava sobre Dióxido de Carbono, a resposta certa era a que dizia que o CO2 mantinha a temperatura do planeta constante, viável para a vida na terra. Agora ele é o vilão, em grandes quantidades gera o Efeito Estufa, o Aquecimento Global e a Acidificação dos Oceanos.

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    • Não existe nada bom nem mau, tudo é necessário na quantidade certa. Um ditado macrobiótico diz que: A quantidade modifica a qualidade. Certo?

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  3. A Nasa constatou uma redução crescente do fitoplancton dos oceanos.
    A taxa atual é de 1.5% ao ano, mas esse percentual seguirá uma equação exponencial…
    Portanto, nada poderá resistir a esse massivo impacto, não haverá tempo!

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  4. “Nos últimos cem anos, o aumento da liberação de CO2 de atividades humanas diminuiu.”
    A Terra é bem mais velha que 300 milhões de anos. A última vez que “isso” aconteceu foi culpa da emissão de CO2 pelos dinossauros???
    Esse al gore fez mesmo a cabeça do pessoal…

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    • Por isso a preocupacao mano, por causa dessa taxa de dioxido de carbono os oceanos estao cada vez mais acidificados.

      Isso nao significa que esse processo nao acontecia antes, acontecia mas mais lentamente.

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