10 absurdas propagandas lucrando com tragédia

Por , em 7.12.2014

Para a publicidade, toda e qualquer coisa no mundo é uma potencial fonte de inspiração para fazer dinheiro, inclusive tragédias horripilantes que ninguém pensaria serem capazes de gerar simpatia para uma marca.

Confira dez propagandas totalmente absurdas que usaram episódios horrendos da história para tentar aumentar o lucro de seus anunciantes:

10. Academia de Dubai promove exercícios físicos com o Holocausto

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Em 2012, o centro de fitness Circuit Factory de Dubai postou imagens na sua página do Facebook com o campo de concentração de Auschwitz e o slogan “Dê um beijo de adeus a suas calorias”. Sem surpresa, as pessoas se ofenderam com a sugestão de que assassinar milhões de pessoas de alguma forma é equivalente a fazer um bom treino. Diante de uma crescente reação negativa, o proprietário da academia conseguiu piorar as coisas defendendo o anúncio e dizendo que as aulas de ginástica são “como um campo de concentração de calorias”.

Apesar de tirar a imagem das redes sociais e demitir o responsável pela propaganda, como o mundo é um lugar estranho e muitas vezes terrível, a Circuit Factory de fato recebeu um impulso grande no seu negócio por conta da controvérsia. De acordo com o proprietário, a demanda cresceu tanto na academia que eles estavam preocupados que não seriam capazes de absorver todo o público. Isso certamente prova o velho ditado: “Não existe má publicidade”.

9. Vodafone diz em propaganda que causou a revolução egípcia

Lembra-se da Revolução Egípcia em janeiro de 2011? Lembra-se de como tudo começou por causa de um único anúncio da Vodafone? Claro que não; os fatores que contribuíram para a derrubada de Mubarak foram diversos, generalizados e incrivelmente complexos. No entanto, isso não impediu que a Vodafone tentasse tomar publicamente o crédito pela revolta. Em um anúncio na web logo após Mubarak deixar o cargo, a Vodafone do Egito editou cenas de um comercial que tinha sido anteriormente transmitido ao lado de cenas da revolução, o que sugeria que o primeiro tinha causado a última. O novo anúncio terminava com as palavras: “Nós não enviamos as pessoas para as ruas, só lembramos aos egípcios o quanto eles eram poderosos”. Em seguida, mostrava citações de revolucionários que implicavam que o envio de pessoas para as ruas era exatamente o que a Vodafone tinha feito.

Além de ser um insulto, o anúncio esquecia-se do número absurdo de pessoas torturadas e mortas no levante. Também foi irônico que a Vodafone tenha se saído de boazinha, quando seguiu as ordens do próprio Mubarak de encerrar sua rede quando os egípcios mais precisavam dela. Quando a notícia se tornou viral, a Vodafone rapidamente tentou controlar os danos, negando que tivesse aprovado o anúncio. Agora que o país está sob o controle de um ditador que os intelectuais compararam a Pinochet, será que a Vodafone ainda gostaria de tomar crédito pela revolução?

8. McDonald’s zomba de sofredores de transtornos mentais

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Em 2013, um anúncio apareceu em vagões do metrô de Boston, nos EUA, exibindo uma jovem mulher com o rosto entre as mãos ao lado do slogan “Você não está sozinho”. Certamente, parecia um dos muitos anúncios de ajuda a portadores de transtornos mentais comuns em transportes públicos. A diferença é que a propaganda terminava com a frase: “Milhões de pessoas também amam o Big Mac”.

A rede McDonald’s afirmou que os cartazes foram encomendados por uma agência externa sem aprovação da companhia. O anúncio até incluía um número do centro de atendimento de um McDonald’s, enquadrado como se fosse uma linha de ajuda. Isso desagradou pessoas que genuinamente sofrem de depressão, e que precisam de simpatia ao invés de uma campanha publicitária zombando sua doença debilitante.

7. SPA alemão comemora Kristallnacht

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Em 9 de novembro de 1938, tropas de assalto nazistas destruíram várias empresas alemãs. Eles quebraram as janelas de 7.000 lojas, incendiaram 900 sinagogas e mataram 91 judeus. O incidente ficou conhecido como Kristallnacht. Três quartos de século depois, um SPA alemão comemorou publicamente o aniversário, oferecendo aos amantes uma pausa romântica. Acontecendo exatamente 75 anos depois dos ataques, a noite romântica do hotel Kristall Sauna-Wellness Park foi anunciada como “Kristall Nacht” e prometia banhos à luz de velas para quem estivesse disposto a pagar por eles.

Embora o hotel mais tarde tenha alegado que tudo foi apenas uma grande coincidência, esta foi a única noite anunciada sob esse nome em seu calendário anual, e caiu exatamente no mesmo dia que a atrocidade amplamente conhecida com nome idêntico. Ou essa foi a mais infeliz coincidência na história da publicidade, ou o hotel é secretamente dirigido por Joseph Goebbels.

6. Hyundai anuncia carros com suicídio


Em 2013, comerciantes da Hyundai encomendaram e transmitiram um comercial no Reino Unido que caracterizava um homem tentando se matar pela inalação de fumaça do tubo de escape. A piada é que a sua tentativa de suicídio falha porque o veículo é abastecido por hidrogênio e não produz emissões nocivas (alternativamente, o homem nunca realmente quis se matar; ele estava apenas propositadamente inalando vapor).

O anúncio provocou uma enxurrada de reclamações, tendo levado às lágrimas pelo menos um espectador, cujo pai se matou na forma descrita pelo anúncio. A Hyundai mais tarde pediu desculpas, dizendo que não tinham “nenhuma intenção” de usar o anúncio.

Parece que é comum anunciantes dizerem que “não aprovamos tal coisa absurda” depois que as pessoas não gostam (com razão) da tal coisa absurda. Mas fica difícil acreditar que uma propaganda foi concebida, produzida, editada e rodada sem o conhecimento das pessoas que necessariamente desembolsaram uma enorme grana por ela.

5. Propaganda da Citroen mostra nostalgia do Terceiro Reich


Em 2008, a montadora Citroen exibiu um anúncio no Reino Unido sobre o seu carro “inequivocamente alemão”. O anúncio é uma celebração da cultura alemã: música de Wagner, vestidos dirndl, salsichas de porco e até aleatórios cães pastores alemães. No último segundo do anúncio, vem a graça do comercial: a frase “Made in France”, porque, enquanto a Citroen possui engenharia alemã, é na verdade uma empresa francesa.

Alguns membros do governo britânico, no entanto, ficaram convencidos de que o anúncio deliberadamente imitava a propaganda nazista no estilo de O Triunfo da Vontade. O anúncio apresenta o estádio Olímpico de Berlim de 1936 (construído quando os nazistas estavam no poder), a águia heráldica alemã clássica (associada por alguns com o regime nazista) e letras góticas (um tipo de letra “não vista na Alemanha desde 1945”, insistiu um britânico ofendido). Talvez os britânicos ficaram sensíveis demais com a propaganda por terem sido tão fortemente bombardeados pelos nazistas. A Citroen, por outro lado, simplesmente respondeu que o seu anúncio era “bem-humorado e divertido”.

4. Sainsbury’s trata a Primeira Guerra Mundial com hipocrisia


Exatamente um século atrás, as nações da Europa batalharam da forma mais sangrenta que se possa imaginar. A Grande Guerra, como ficou conhecida na época, matou 8,5 milhões de pessoas e feriu outros 21 milhões, praticamente eliminando uma geração. Um anúncio atual da cadeia de supermercado Sainsbury’s, do Reino Unido, recriou a famosa Trégua de Natal entre as forças alemãs e britânicas. Embora muitos na imprensa britânica elogiaram sua pungência, outros apontaram que a propaganda usa uma versão ultra-higienizada de um conflito sangrento para “lucrar com a venda de mantimentos”.

E a campanha tem uma camada extra de hipocrisia. Enquanto o comercial pede que telespectadores britânicos respeitem os caídos e honrem a sua memória, a Sainsbury’s está planejando demolir um dos maiores monumentos de guerra do país para construir uma superloja sobre ele, contra a vontade dos moradores locais. Conhecido como Bristol Rovers’ Memorial Stadium, o memorial foi construído para homenagear centenas de jogadores de rugby que morreram na Primeira Guerra Mundial.

3. Levi’s e seu apoio a tumultos


Em 2011, a Levi’s lançou um novo anúncio para a sua campanha publicitária global “Go Forth”. Com jovens marchando em protesto e enfrentando a polícia de choque, os comerciais foram projetados para entrar em ressonância com a Primavera Árabe.

Só que, naquele verão, a Inglaterra havia sido paralisada por uma onda de tumultos que destruíram cidades inteiras. Sem esperar a poeira baixar, a Levi’s levou ao ar o seu comercial sobre motins no país, provocando uma reação pública que convenceu a empresa a retirar o anúncio da rede. Embora a campanha tivesse sido aprovada meses antes de alguém na Inglaterra pensar em protestar qualquer coisa, a decisão de liberá-la foi considerada insensível pelo público.

2. Groupon vende comida com desconto às custas da opressão no Tibete


A história moderna do Tibete não é exatamente feliz. Sob o governo chinês, basta ter um retrato do Dalai Lama para ser torturado. Mesmo crianças já foram apreendidas. A empresa de desconto Groupon discutiu essa questão em uma de suas campanhas publicitárias, mas de uma maneira que deixou as pessoas confusas e ofendidas.

Exibido durante o Super Bowl de 2011, o anúncio começa com o ator Timothy Hutton advertindo que a cultura tibetana está sendo exterminada. Conforme imagens do país e seu povo passam com uma música fúnebre de fundo, Hutton lamenta a atual situação dos direitos humanos na região até que, de repente, solta um “mas eles ainda fazem um peixe curry incrível!”. O ator então explica como usou Groupon para comprar comida tibetana barata.

Parecia que a empresa estava zombando de um problema sério para vender seu serviço. Apesar dos telespectadores que visitaram o website que o anúncio promoveu terem descoberto que a empresa realmente estava levantando dinheiro para o Tibete, a campanha fracassou, e o Groupon tirou o anúncio do ar.

1. Anúncios usam o 11/09 para vender de tudo

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Apesar de ser uma tragédia ainda fresca na mente de muitas pessoas, vários comerciantes usaram a data do ataque terrorista aos EUA como empatia para vender seus produtos.

Onze anos depois do ataque, a revista Business Insider compilou 10 campanhas de anúncios diferentes que usaram imagens das Torres Gêmeas. Uma campanha antitabagismo da Nova Zelândia mostrava dois cigarros como as torres, juntamente com as frases “Mortes relacionadas com o terrorismo desde 2001: 11.377. Mortes relacionadas com o tabaco desde 2001: 30 milhões.”

Já o anúncio do jornal Courrier International sugeriu que, se os arquitetos tivessem antecipado as necessidades dos clientes das torres melhor, os aviões teriam inofensivamente voado por cima do World Trade Center.

Até mesmo a empresa brasileira Ortobom se beneficiou da tragédia para lucrar. Com um calendário com a data 11 de setembro em destaque, vinha a frase: “Há sempre algo que tira o seu sono”, seguido de “escolha bem o seu colchão”. ?? [Listverse]

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3 comentários

  • Cesar Grossmann:

    Quantos psicopatas se escondem nas empresas de publicidade?

    • Jane Cameron:

      Não mais que o número total de muçulmanos no planeta.

    • Cesar Grossmann:

      Não entendi a referência aos muçulmanos. Tem pelo menos 1,4 bilhões de muçulmanos no planeta, até onde eu sei.

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