11 “Indiana Jones” da vida real

Alguns professores, acadêmicos e pesquisadores são tão apaixonados e dedicados que não se contentam em estudar assuntos fascinantes de seus laboratórios; tornam-se intrépidos exploradores em campo.

Aventuras como enfrentar naufrágios, lutar contra ursos polares e anacondas e descobrir artefatos antigos fazem parte do currículo destes 11 incríveis Indiana Jones da vida real. Confira:

11. Hiram Bingham III

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Hiram Bingham III nasceu em Honolulu, no Havaí, em 1875. Quando adolescente, se mudou para Massachusetts para continuar a sua educação. Ele ganhou um diploma da Universidade de Yale (EUA) em 1898, dois anos depois atingindo outro grau na Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA). Em 1905, recebeu seu doutorado pela Universidade de Harvard (EUA).

Em 1907, Bingham começou a ensinar história sul-americana na Universidade de Yale. No ano seguinte, voltando para casa de Santiago, no Chile, onde participou do Primeiro Congresso Científico Pan-Americano, Bingham resolveu percorrer o Peru. Enquanto estava lá, ficou fascinado com as ruínas incas, e se envolveu em várias expedições para aprender mais. Durante uma dessas viagens, em 1911, agricultores levaram Bingham ao local de Machu Picchu. Embora moradores locais (e, possivelmente, um casal de estrangeiros) já houvessem visitado as ruínas, Bingham é creditado com a sua redescoberta.

Graças ao apoio da National Geographic Society e da Universidade de Yale, Bingham e outros exploradores fizeram novas viagens para Machu Picchu para estudar o local e recuperar artefatos – e uma nova maravilha mundial ficou à disposição de turistas embasbacados com o que os povos antigos podiam fazer.

10. Farish Jenkins

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Conhecido por sempre carregar um rifle e uma garrafa de vodca, o paleontólogo Farish Jenkins estudou geologia na Universidade de Princeton (EUA) antes de fazer mestrado e doutorado em Yale. Ele ainda encontrou tempo para ser um fuzileiro naval, onde alcançou o posto de capitão.

Jenkins começou a lecionar na Universidade de Columbia (EUA) em 1968, e em 1971 mudou-se para Harvard. Lá, era conhecido por sua excentricidade, palestras animadas e técnicas de ensino imaginativas. Com sua mistura de talento acadêmico e coragem, não é de admirar que seus alunos o apelidaram de Indiana Jones da vida real.

O trabalho de campo de Jenkins o levou a Groenlândia e ao Ártico no Canadá, onde ele teve vários encontros com ursos polares. Antes disso, enquanto na África, ele escapou por pouco de ser atropelado por um rinoceronte preto. Quanto ao avanço do conhecimento humano, Jenkins fez várias grandes descobertas de fósseis, incluindo um dos mais antigos sapos conhecidos no mundo e um peixe com barbatanas que lembram pernas.

9. William Montgomery McGovern

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William Montgomery McGovern é aventureiro desde tenra idade. Nascido em Nova York, McGovern passou muitos de seus primeiros anos na Ásia, alcançando grau de divindade em um mosteiro budista no Japão aos 20 anos. Em 1922, foi apedrejado até quase a morte no Tibet. McGovern escreveu um livro sobre a experiência. Mais tarde, viajou para a Amazônia e para os Andes. Enquanto estava lá, participou de rituais tribais, comeu macacos e lagartas, e lutou contra uma anaconda de 8,5 metros que atacou seu barco. Naturalmente, essas aventuras foram também registradas em um livro.

Em 1929, McGovern começou a ensinar na Universidade de Northwestern (EUA). Entre 1937 a 1938, ele teve tempo de trabalhar como correspondente na Guerra Sino-Japonesa. Seu estilo de ensino incomum, histórias fascinantes e rico de conhecimento lhe asseguraram classes sempre lotadas. McGovern tem publicações científicas que variam da cultura asiática a filosofia política. No entanto, seu estilo de vida emocionante e explorações ousadas são o que lhe renderam o apelido de Indiana Jones da Northwestern.

8. Tudor Parfitt

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Tudor Parfitt estudou árabe e hebraico na Universidade de Oxford (Inglaterra) e recebeu seu doutorado em história judaica e relações judaico-muçulmanos na Palestina da mesma instituição. Em 1972, tornou-se professor na Universidade de Toronto (Canadá). Ao longo da década de 1980 e 1990, seus estudos o levaram a África e a Ásia, e foi na África do Sul que se deparou com um mistério muito intrigante: Parfitt descobriu que uma tribo conhecida como Lemba alegava ter antigas origens judaicas. Embora inicialmente cético, Parfitt ficou fascinado com as tradições de Lemba – que pareciam ligá-los com o Oriente Médio – e partiu em uma missão para descobrir de onde eles tinham vindo: um lugar que suas tradições orais simplesmente chamavam de “Sena”.

A jornada de Parfitt foi do sudeste da África ao sul da Arábia, onde ele encontrou um vale no Iêmen que parecia se encaixar com todas as pistas que ele havia coletado – e que, aliás, se chama “Sena” hoje. Talvez ainda mais incrível seja o fato de que a missão de Parfitt o tenha colocado na trilha da Arca Perdida da Aliança, bem como o próprio Indiana Jones.

7. James Henry Breasted

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Desde 1894, o historiador e arqueólogo James Henry Breasted trabalhou na Universidade de Chicago (EUA), onde tornou-se professor em 1905. Seus estudos focavam em egiptologia e história oriental. Ainda assim, o ensino por si só não foi suficiente para este homem. Em maio de 1919, Breasted fundou a Universidade do Instituto Oriental de Chicago, e em agosto do mesmo ano, fez uma emocionante expedição de 11 meses através do Egito e das áreas agora conhecidas como Iraque, Israel, Líbano e Síria.

Durante sua jornada, Breasted andou de avião biplano, barco, vagões puxados por cavalos e carro (Modelo T da Ford). À procura de ruínas, ele encontrou guerreiros árabes armados, além de ter conhecido o Rei Faisal de Damasco e escavado e recolhido artefatos de vários cantos do mundo.

De acordo com Gil Stein, diretor do Instituto Oriental, a pesquisa realizada nos locais identificados durante a viagem de Breasted ajudou a fazer do instituto um dos principais centros mundiais de arqueologia do Oriente Médio. Além do mais, há quem acredite que as explorações de Breasted inspiraram a caracterização de Indiana Jones.

6. Ada Rogato

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Ada Leda Rogato nasceu em São Paulo em 22 de dezembro de 1910 e foi uma pioneira da aviação no Brasil, tendo falecido em 1986. Foi a primeira mulher a obter licença como paraquedista, a primeira volovelista (piloto de planador) e a terceira a se brevetar em avião (1935). Também se destacou por suas acrobacias aéreas e foi a primeira piloto agrícola do país.

Ao contrário de outras grandes aviadoras, Ada voava em aeronaves de pequeno porte sempre sozinha, e ganhou fama internacional pela ousadia cada vez maior de suas proezas. Entre os muitos feitos notáveis de Ada, ela foi a primeira piloto brasileira a atravessar os Andes; a única aviadora do mundo até 1951 a cobrir uma extensão de 51.064 km em voo solitário pelas três Américas, chegando até o Alasca; o primeiro piloto, homem ou mulher, a cruzar a selva amazônica – o temido “inferno verde” – em um pequeno avião, sem rádio, em voo solitário, apenas com uma bússola (1956); a primeira aviadora a chegar sozinha à Terra do Fogo, no extremo sul do nosso continente (1960); e a primeira mulher do mundo a saltar de paraquedas de um helicóptero.

5. Jaime Awe

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Jaime Awe ganhou seu bacharelado e mestrado em antropologia pela Universidade Trent do Canadá, antes de ganhar seu doutorado em arqueologia pela Universidade de Londres, na Inglaterra. Hoje em dia, ele pode ser encontrado em cavernas escuras, correndo risco de pegar doenças decorrentes da exposição continuada a fezes de morcego – para Awe, um pequeno preço a pagar por sua paixão.

Ele atualmente ocupa o cargo de diretor do Instituto de Arqueologia de Belize. Passou mais de duas décadas pesquisando arqueologia maia e realizou estudos em profundidade nas cavernas em Belize. Elas eram consideradas sagradas pelos antigos maias e utilizadas para a realização de rituais e cerimônias – até mesmo sacrifícios humanos. Em uma caverna, conhecida como Actun Tunichil Muknal (“Caverna do Cristal Sepulcro”), ossos de 14 vítimas de sacrifício foram encontradas uma única câmara. Um dos esqueletos, de uma mulher jovem, estava tão calcificado que refletia a luz como um cristal.

Curiosamente, Awe entrou com uma ação judicial após o lançamento do filme “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”. Aparentemente, o crânio do filme carrega uma semelhança impressionante a um artefato de Belize que teria sido roubado quase um século atrás. Há reivindicações de que os estúdios de cinema estejam lucrando com uma relíquia valiosa sem distribuir qualquer receita para o país de Belize.

Este professor de arqueologia liderou equipes de escavação, publicou vários artigos sobre suas descobertas e lecionou em universidades dos EUA, Canadá e Reino Unido.

4. Langdon Warner

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O historiador de arte e professor de Harvard Langdon Warner pode muito bem ser um dos indivíduos em que o personagem Indiana Jones de Steven Spielberg é baseado. Warner levou sua paixão pela aprendizagem para a estrada, e em 1924 viajou até as Grutas de Mogao, na província chinesa de Tun-huang. Essas cavernas continham murais históricos da dinastia Tang, e Warner acreditava que soldados russos estavam vandalizando os locais. Para preservar as obras de arte, Warner se dispôs a comprá-las dos habitantes locais e as removeu das cavernas usando cola, tecido e gesso de Paris.

Um total de 26 afrescos foi retirado e alojado em museus de arte da Universidade de Harvard. Hoje, é de conhecimento comum que Warner fez mais do que muitos para colocar a arte do Extremo Oriente nos currículos universitários e coleções públicas e privadas do mundo todo.

3. Thomas Edward Lawrence

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Thomas Edward Lawrence (T. E. Lawrence), mais conhecido como Lawrence da Arábia, estudou história na inglesa Universidade de Oxford, graduando-se em 1910. Sua tese foi baseada em uma pesquisa de três meses na qual ele percorreu 1.600 km a pé na Síria. Depois de se formar, Lawrence assumiu uma pesquisa de pós-graduação em cerâmica medieval, mas quando surgiu a oportunidade de se tornar um arqueólogo, ele aproveitou a chance.

Os passeios arqueológicos de Lawrence o levaram por todo o Império Otomano através do que é agora a Síria, Iraque, Jordânia e Palestina. Devido a isso, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, fez todo o sentido que ele se tornasse um agente de inteligência. Ele cumpriu bem sua parte e foi chave na revolta árabe – até o ponto onde os turcos otomanos estabeleceram uma recompensa de £ 15.000 (R$ 51.510) por sua cabeça. Lawrence sobreviveu, e foi condecorado com a patente de coronel por suas realizações durante a guerra. Após o conflito, ele começou a escrever seu famoso livro “Sete Pilares da Sabedoria” e aceitou uma posição de pesquisador na Universidade de Oxford.

2. Jim Patton

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O biólogo evolucionário e mamologista americano Jim Patton recebeu seu diploma de bacharel em antropologia pela Universidade de Arizona (EUA) em 1963. Em 1969, ele havia feito mestrado e doutorado em Zoologia pela mesma instituição. Hoje, Patton tem seis espécies e um gênero nomeados em homenagem a ele, e já publicou quase 200 artigos acadêmicos.

Esse professor intrépido e curador do Museu de Zoologia de Vertebrados da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA) passou sua vida estudando pequenos mamíferos, coletando amostras nos EUA e pelo menos outros 14 países ao redor do mundo. Suas viagens o levaram a lugares tão distantes quanto Brasil, ilhas Galápagos, Venezuela, Camarões, Vietnã, Irã, Colômbia e Taiwan.

Patton já naufragou em cinco ocasiões distintas. Certa vez, em 1966, seu barco colidiu com rochas ao longo da costa ocidental do México. Ele ficou perdido por cerca de 10 dias e teve de comer ratos para sobreviver. “Eles têm muita proteína”, explicou Patton. Outra vez, ele e outros 12 ficaram presos no Oceano Pacífico em um bote salva-vidas após seu barco queimar até as cinzas em rota para a Costa Rica. Felizmente, todos foram resgatados logo depois. “Ele é uma espécie de semideus na mamologia brasileira”, diz o atual diretor do museu Craig Moritz, mas, “faça o que fizer, não entre em um barco com ele”.

1. Roy Chapman Andrews

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Roy Chapman Andrews começou a se aventurar em 1906, quando trabalhava como faxineiro no Museu Americano de História Natural. Ele não limpou pisos por muito tempo – combinou trabalho com estudo e obteve o grau de mestre em mamologia na Universidade de Columbia (EUA). Em seguida, embarcou em uma série de viagens épicas, para lugares tão distantes como a Mongólia e além. Entre 1909 e 1910, coletou cobras e lagartos das Índias Orientais, e em 1913 filmou focas durante uma viagem ao Ártico. Em seguida, na década de 1920, descobriu fósseis e ossos de dinossauro durante quatro excursões ao deserto de Gobi, na China.

Em suas viagens, Andrews descobriu diversas espécies previamente desconhecidas de dinossauros e restos fossilizados de mamíferos que viveram ao lado desses répteis pré-históricos. Andrews e sua equipe também foram os primeiros exploradores a descobrir ninhos de dinossauros. Além disso, ele mesmo escreveu uma série de livros para crianças, que inspiraram toda uma nova geração de paleontólogos.

Andrews também parece ter ostentado um chapéu muito elegante, como o próprio Indiana Jones.[Nonprofit Colleges Online]

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6 respostas para “11 “Indiana Jones” da vida real”

  1. O nº1 deveria ser Cel. Percy Harrison Fawcett, que não foi citado na lista e foi quem inspirou a criação do personagem Indiana Jones. Morreu no interior do Brasil procurando uma lendária cidade perdida.

    • Marcos T Torres, a palavra em nosso idioma não seria familiarizado?

  2. O número 4 me lembrou o célebre personagem Robert Langdon, dos livros de Dan Brown. Não só pelo nome, mas pela profissão, instituição de ensino (Harvard) e o caráter aventureiro. Não me espantaria que o autor tenha se inspirado em Langdon Warner para criar Robert. Creio eu que não é mera coincidência. P.S.: excelente matéria; é muito enriquecedor ler e conhecer um pouco sobre essas pessoas notáveis.

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