11 sinais de abuso emocional

Por , em 4.07.2018

IMPORTANTE: Caso, ao fim desse artigo, você acredite que está sofrendo abuso emocional, procure ajuda e orientação junto a um psicólogo ou a uma organização que combata a violência doméstica.

O abuso físico é muito mais fácil de reconhecer do que o emocional. Este passa frequentemente despercebido pelos familiares, amigos e até pelas próprias vítimas, mas pode fazer tão mal quanto.

“Ao contrário do abuso físico ou sexual, há uma sutileza no abuso emocional”, diz Lisa Ferentz, assistente social e educadora especializada em trauma, ao portal HuffPost. “É muito mais confuso para as vítimas, já que geralmente é expresso em comportamentos que podem inicialmente ser percebidos como ‘cuidados'”.

Abuso emocional, que é usado para ganhar poder e controle em um relacionamento, pode assumir várias formas, incluindo insultos, críticas, ameaças, ridicularizações, intimidações, xingamentos etc.

As cicatrizes do abuso emocional podem não ser visíveis aos olhos, mas o efeito que possui nas vítimas pode ser grave. Pessoas abusadas emocionalmente podem ter problemas de ansiedade, depressão, dor crônica, transtorno do estresse pós-traumático e abuso de substâncias.

O HuffPost pediu a diversos especialistas que compartilhassem alguns dos sinais mais sutis que podem indicar que você está nesse tipo de relacionamento tóxico:

Você anda em cascas de ovo para evitar decepcionar o seu parceiro

  • Seu parceiro sempre diz que sabe o que é melhor para você, e o pressiona a permitir que ele faça escolhas que deveriam ser suas;
  • Seu parceiro faz “sugestões” que você não tem escolha a não ser aceitar. Você tem medo do que vai acontecer se não o fizer;
  • Você tem medo de falhar na frente de seu parceiro;
  • Você se vê caindo no perfeccionismo e no comportamento obsessivo para evitar as críticas do seu parceiro. Ainda assim, nunca parece ser o suficiente.

“Você se duvida e se edita, o que significa que você internalizou o comportamento sutilmente abusivo para que seu parceiro não tenha que fazer isso abertamente”, explica Steven Stosny, psicólogo e autor do livro “Love Without Hurt”.

Seu parceiro faz você acreditar que está errado para manter uma vantagem na relação

  • Seu parceiro frequentemente o acusa de coisas que você não fez;
  • Seu parceiro sempre ganha qualquer discussão. Não há meio-termo;
  • Quando você está com seu parceiro, você sente que nunca faz nada direito.

“Seu parceiro declara a realidade para você, negando ou distorcendo o modo como as coisas realmente são, a fim de sustentar uma percepção de como ele vê as coisas”, diz Carol A. Lambert, psicoterapeuta e autora de “Women with Controlling Partners”.

Por exemplo, ele pode dizer que “Você não está se lembrando corretamente” de algum fato, ou que ele “Nunca disse isso” ou “Nunca fez isso” quando você menciona algum fato. Também pode falar que você não está fazendo sentido ou que está errado. Tais comportamentos podem incutir insegurança ao longo do tempo, de forma que você se torna mais propenso a concordar com as distorções de seu parceiro e fica mais vulnerável a seu controle.

Seu parceiro se recusa a reconhecer seus pontos fortes e diminui suas realizações

  • Seu parceiro faz com que suas realizações pareçam pequenas e sem importância. Se você tem uma carreira, ele provavelmente a trata como um hobby;
  • Seu parceiro geralmente insinua que é de alguma forma melhor do que você. Ele tenta fazer com que você se sinta como se tivesse sorte por tê-lo, e que você nem sequer o merece;
  • Seu parceiro descarta suas ambições e objetivos. Ele te convence de que seus sonhos são impraticáveis, inatingíveis ou até bobos.

Segundo Lambert, esses comentários podem ser menos óbvios no início, mas não são ataques aleatórios. Eles são direcionados especificamente a seus pontos fortes que mais ameaçam seu parceiro, que procura ter poder e controle no relacionamento. “Com o tempo, confrontado com respostas dolorosas, seu senso de confiança em sua própria competência pode diminuir lentamente”, afirma.

Seu parceiro pede satisfação constantemente e controla vários aspectos da sua vida

  • Seu parceiro fica zangado se você não atende chamadas telefônicas, mensagens de texto ou e-mails imediatamente;
  • Seu parceiro sempre precisa saber onde e com quem você está. Às vezes ele checa se você disse a verdade;
  • Seu parceiro exige ser incluído em todos os seus planos;
  • Seu parceiro te proíbe de ver certos amigos ou familiares. Se eles não aprovam um ente querido, essa pessoa está fora de sua vida, independentemente de sua importância para você;
  • Seu parceiro mantém controle total das finanças, e costuma questionar seus hábitos ou impedir que você faça compras razoáveis;
  • Seu parceiro controla suas principais decisões de vida, incluindo escolhas educacionais e de carreira.
  • O que pode parecer uma preocupação genuína é muitas vezes uma maneira de uma pessoa emocionalmente abusiva estar no controle total, constantemente acompanhando o cronograma de outra pessoa.

Tal comportamento pode se transformar em um assédio implacável. Querer um relato contínuo do paradeiro de outra pessoa, além de limitar onde seu parceiro vai ou com quem passa tempo, são exemplos poderosos de abuso emocional, conforme argumenta Lisa Ferentz.

Seu parceiro nega afeto, sexo ou dinheiro para te punir

  • Seu parceiro pode puni-lo negando sexo, afeição ou até conversa.

“Ou faz com que essas coisas dependam de você cooperar com ele. Qualquer relacionamento que tenha ‘obrigações’ é inerentemente problemático. O processo de retenção de afeto ou apoio emocional ou financeiro nem sempre é entendido como abusivo. A maioria das pessoas associa o comportamento abusivo à inflição de danos. Nesse caso, é a retenção ou a ausência do que uma pessoa merece experimentar em um relacionamento que o torna abusivo”, esclarece Ferentz.

Seu parceiro diz coisas ofensivas sobre você, às vezes disfarçadas de “piadas”

  • Seu parceiro compartilha seus segredos, momentos privados, medos, inseguranças ou até mesmo experiências sexuais com outras pessoas. Nada é fora dos limites;
  • Seu parceiro às vezes lhe xinga ou usa linguagem humilhante e ofensiva;
  • Seu parceiro te critica em público mesmo de pequenas maneiras que só você pode ver, como um revirar de olhos ou um olhar de desaprovação;
  • Quando você tenta expressar seus sentimentos, seu parceiro os rejeita dizendo que você é muito sensível ou emocional;
  • Seu parceiro constantemente lembra de erros que você cometeu no passado;
  • Seu parceiro conta piadas às suas custas. Elas podem ser pessoalmente insultantes, ou ofensivas de uma forma mais universal, envolvendo sexismo ou racismo.

“Então, quando você reclama, ele alega que só estava brincando e que você é muito sensível. Há verdade no ditado que diz que por trás de toda observação mesquinha ou sarcástica há um grão de verdade”, sugere Sharie Stines, terapeuta e couch de relacionamentos, especializada em recuperação pós-abuso.

Você sente pena do seu parceiro, mesmo que ele tenha te machucado

  • Você pensa que seu parceiro está desculpado pelo seu comportamento abusivo por que ele teve uma infância ou um relacionamento passado ruim, por exemplo.

“Os abusadores emocionais são mestres em manipulação”, explica Stines. “Você acaba sentindo pena. Vítimas de abuso emocional muitas vezes ignoram o comportamento de seus agressores porque estão se relacionando demais com a parte ‘machucada’ do abusador – a parte inocente, ou o lado do agressor que parece perdido, rejeitado, abandonado”, resume Stines.

Você pede desculpas mesmo quando sabe que não fez nada de errado

  • Quando seu parceiro está infeliz, é sempre por sua causa. Mesmo seus fracassos pessoais e profissionais sempre parecem ser sua culpa.

“As pessoas emocionalmente abusadas muitas vezes passam a acreditar que são burras, imprudentes ou egoístas porque foram acusadas dessas coisas diversas vezes pelo seu parceiro”, conta Beverly Engel, psicoterapeuta e autora de “The Emotional Abusive Relationship”.

Você perdeu o desejo sexual pelo seu parceiro

  • Você não se sente mais segura para ser aberta perto de seu parceiro.

“Isso é especialmente verdadeiro para as mulheres, que geralmente precisam se sentir confiantes e íntimas com o parceiro para se sentirem física e emocionalmente excitadas. Se uma mulher se sentir magoada, com medo ou zangada com seu parceiro, ela não se sentirá segura e aberta perto dele, e seu corpo responderá de acordo”, opina Engel.

Seu parceiro é instável para te obrigar a agradá-lo

  • Seu parceiro fica estranho com você de repente, sem motivo ou razão aparente.

“Seu parceiro é amoroso em um momento e distante e indisponível no outro. Não importa o quanto você tente descobrir porquê, você não consegue. Ele nega estar distante, e você começa a entrar em pânico, tentando agradá-lo a todo custo. Você começa a se culpar. Feito com bastante frequência, isso pode transformar uma pessoa relativamente independente em uma que precisa agradar – que é exatamente o que o seu parceiro quer”, define Peg Streep, autora de “Daughter Detox: Recovering from An Unloving Mother and Reclaiming Your Life”.

Seu parceiro está sempre mudando seus planos para te “surpreender”

  • Seu parceiro sempre muda seus planos, com o aparente intuito de surpreendê-lo ou de agradá-lo.

Embora o controle aberto – insistir que você faça algo do jeito que seu parceiro prefere, afirmar poder de veto sobre planos, fazer exigências constantes sem discussão – seja fácil de identificar, o controle furtivo é muito mais insidioso. Ele inclui fazer mudanças nos planos que você tem, como sair com amigos, ou rever decisões conjuntas sob o pretexto de “surpreender” você com algo melhor que a ideia original.

“Claro, surpresa não é o motivo; controlar você é, sem nunca fazer uma demanda. Ai, você fica tão lisonjeado por ele se importar que não percebe o motivo. Com o tempo, torna-se um padrão e seus desejos e necessidades caem no esquecimento”, alerta Streep. [HuffPost, iheartintelligence]

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2 comentários

  • Elialsi77:

    Não entendi. Isso é unilateral? Porque “seu parceiro”. São só os homens que exercem esse tipo de abuso? Pode ser a mulher também.

    • Cesar Grossmann:

      Com certeza pode acontecer, mas será que as reações são as mesmas, e será que a quantidade é similar?

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