6 avanços médicos que mais parecem saídos de filmes sci-fi

Por , em 27.07.2015

Já existem tantas tecnologias antes inimagináveis – máquinas que podem escanear cada centímetro do corpo, articulações de titânio, radiação – que, para impressionar o paciente de hoje, a ciência médica precisa ficar estranhamente futurista. Estamos falando de membros cibernéticos e corações zumbis. Felizmente, esse pessoal curte um desafio.

6. Órgãos que continuam funcionando fora do corpo

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A partir do momento em que um doador morre, os médicos só têm entre cinco e dez horas para transportar e instalar seus órgãos em um novo corpo antes que eles fiquem inúteis. É por isso que, no estado do Havaí, que é uma ilha, mais de 30 ou 40 corações perfeitamente bons acabam indo para o lixo todos os anos, uma vez que não sobrevivem a viagem para o continente americano.

A prática usual para o transporte de órgãos vivos é colocá-los no gelo e levá-los aonde precisam estar tão rápido quanto humanamente possível, na esperança de que não tenham tempo para perceber que estão mortos antes de voltar às suas funções no corpo de outra pessoa.

Para melhorar esse cenário, uma empresa chamada TransMedics inventou uma forma de prolongar a longevidade de órgãos fora de qualquer corpo. Ao ligar os órgãos doados em sangue quente e simular as condições do interior do corpo humano, a tecnologia imita um ambiente para que eles nunca percebam que estão mortos.

Ensaios clínicos já estão bem encaminhados e, em algumas partes do mundo, tem havido mais de 400 transplantes bem-sucedidos utilizando esse sistema.

5. Cultivo de novas partes do corpo em seu próprio corpo

A new nose, grown by surgeons on Xiaolian's forehead, is pictured before being transplanted to replace the original nose, which is infected and deformed, at a hospital in Fuzhou
A ciência médica está sempre à procura de novas maneiras para crescer substitutos para partes do corpo perdidas ou danificadas. O único problema é que essas novas partes geralmente não crescem se não têm um corpo no qual fazer isso. A boa notícia é que você não está usando sua testa para nada importante mesmo.

O cultivo de novos narizes na testa é agora tão comum na China que é considerado um procedimento de rotina. Cientistas usam células-tronco para criar uma estrutura em forma de nariz e, em seguida, aplicam nela os nutrientes que convertem as células em cartilagem. O próximo passo é colocar essa estrutura dentro da testa ou do braço do paciente, para que cresça até que possa ser implantada na região certa do seu corpo.

Vários órgãos já foram cultivados dessa maneira para poderem substituir partes do corpo lesionadas. Por exemplo, quando uma mulher americana perdeu sua orelha para o câncer, os médicos passaram quatro meses crescendo uma nova em seu antebraço.

Na China, a paciente Xu Jianmei está em processo de receber um novo rosto inteiro depois de ser desfigurada em um incêndio. Os profissionais estão fazendo-o crescer no peito da garota de 17 anos. O novo rosto será tão delicadamente trabalhado que os médicos asseguraram Xu de que ela será capaz até de corar novamente.

4. Reprogramação de HIV para curar doenças genéticas

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O motivo pelo qual o HIV é um dos vírus mais temidos é o mesmo pelo qual os cientistas pensam que poderia ser o mais útil. Ao enganar as células do corpo, fazendo-as acreditar que é uma proteína inofensiva, o vírus se infiltra nelas e, em seguida, substitui seu DNA normal por seu próprio DNA estúpido, que se espalha rapidamente através do organismo.

Ou seja, se pudéssemos substituir o DNA malicioso do HIV por DNA saudável, poderíamos, teoricamente, usá-lo para “infectar” pessoas doentes com células saudáveis. E é isso que dois cientistas italianos têm tentado fazer pelos últimos 17 anos, com certo sucesso (o que significa que eles não criaram um único zumbi até agora).

Ao reprogramar o vírus HIV para injetar material genético saudável em células com defeito, os pesquisadores conseguiram tratar eficazmente duas doenças genéticas, leucodistrofia metacromática e síndrome de Wiskott-Aldrich (os nomes são tão ruins quanto as condições em si).

Apesar dos excelentes resultados, imagino que eles têm uma certa dificuldade de aceitação, já que não há maneira mais rápida de perder a fé em seu médico do que ouvi-lo dizer que a única cura para sua condição é te injetar com HIV.

3. Lentes de contato que monitoram o açúcar no sangue

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Como as coisas ficam ruins rapidamente para os diabéticos que têm muito açúcar ou pouco açúcar no sangue, os pacientes têm que monitorar constantemente seus níveis de glicose para não sofrer as consequências. Esse processo pode ser muito desgastante.

É por isso que a empresa farmacêutica Novartis AG está se unindo com o Google para criar uma solução melhor: no caso, lentes de contato que detectam os níveis de glicose nas lágrimas dos diabéticos.

As lentes são repletas de guloseimas tecnológicas minúsculas, incluindo uma antena e componentes elétricos da largura de um cabelo, que enviam análises biométricas direto para o seu telefone. Basicamente, é uma versão extrema do Google Glass que a pessoa pode enfiar em seu globo ocular.

O Google e a Novartis esperam tornar as lentes disponíveis no mercado antes de 2020. Uma vez que elas oferecem uma leitura constante, dentro de cinco anos podemos eliminar totalmente a necessidade dos diabéticos de se cortar constantemente para descobrir como estão seus níveis de glicose.

2. Ossos e partes do corpo impressas em 3D

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Ainda estamos longe de sermos capazes de imprimir uma namorada (ou namorado), mas a tecnologia de impressão 3D já fez grandes progressos – até o ponto onde podemos agora imprimir partes inteiras do corpo.

Por exemplo, a Administração de Drogas e Alimentos americana aprovou recentemente um implante ósseo facial 3D nomeado OsteoFab, que utiliza um plástico duro muito semelhante em textura e força aos ossos do crânio. Quão legal é isso? Os médicos podem simplesmente sentar em um computador e dar Ctrl-P em um novo rosto.

Na Inglaterra, cientistas utilizaram a mesma tecnologia para imprimir um novo quadril a uma mulher. Eles ainda acrescentaram células-tronco para que o implante pudesse regenerar osso ao redor do quadril artificial.

O benefício da impressão 3D em relação aos métodos mais tradicionais é que é muito mais barata. Até agora, as próteses tinham que ser modeladas à mão. Afinal, partes do corpo não são exatamente tamanho único. Você tem que modelar cada membro ou implante especificamente para seu destinatário, e isto não só requer procedimentos meticulosos e muitas vezes invasivos, como os custos podem chegar até dezenas de milhares de reais. Com a impressão em 3D, a maior parte deste trabalho é feito por um computador, e você pode conseguir uma nova parte do corpo por um pouco mais do que o custo dos materiais.

Obviamente, no futuro, essa tecnologia vai permitir que as pessoas façam download e imprimam asas, garras de Wolverine e pênis extras. Ou pelo menos é isso que esperamos.

1. Próteses que podem se mover com precisão e até sentir

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Uma das maiores desvantagens de uma prótese é que, no final das contas, não importa o quão realista ela pareça, ainda é um adereço basicamente inútil. A ciência biomédica tem tentado por muito tempo descobrir uma maneira de criar um membro artificial que pode imitar a funcionalidade de um real. Agora, os pesquisadores estão mais perto de alcançar esse objetivo.

A Administração de Drogas e Alimentos dos EUA aprovou recentemente a coisa mais próxima que temos de uma mão robótica a la Luke Skywalker: o braço DEKA, que usa um processo chamado de controle mioelétrico para operar de uma forma muito semelhante a um braço humano normal.

Os músculos que você usa para manipular muitas das funções delicadas em sua mão estão na verdade localizados mais acima em seu antebraço. Assim, o braço DEKA utiliza sensores musculares para detectar sinais do seu braço e descobrir o que você está tentando fazer com a mão imaginária, traduzindo esses movimentos no membro robótico. É tão eficaz que não só pode agarrar objetos, como pode até mesmo girar uma chave em uma fechadura, ou pegar um ovo sem quebrá-lo.

A capacidade dos membros mioelétricos foi recentemente demonstrada durante uma palestra TED Talk, quando a dançarina Adrianne Haslet-Davis, que perdeu uma perna nos bombardeios da Maratona de Boston, voltou ao palco para dançar usando sua nova perna robótica:

Mesmo com esses avanços, uma coisa ruim das próteses robóticas é que você ainda não tem a experiência do membro pleno: falta a capacidade de sentir. Felizmente, os cientistas estão trabalhando nisso também. Se os membros artificiais forem capazes de interpretar os sinais dos nervos, então, teoricamente, sentir com eles será possível.

Vários grupos de estudo desenvolveram mãos robóticas com sensores que podem proporcionar sensações no cérebro que detectam a firmeza de um objeto, bem como a sua temperatura e até mesmo a sua umidade. Hipoteticamente, no futuro, amputados podem jogar uma bola a seu cão sem perder a sensação da baba quando o animal a devolve.

Testes com o dispositivo até agora tem sido muito promissores. Os participantes foram capazes, por exemplo, de arrancar as hastes de cerejas com os olhos vendados sem esmagar o fruto 92% das vezes. A esperança de uma revolução em próteses, então, é alta. [Cracked]

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