Alimentos transgênicos causaram tumores em ratos: mito ou realidade?

Por , em 29.11.2013

Ano passado, um estudo francês supercontroverso levantou a questão de que ratos alimentados com milho geneticamente modificado da Monsanto, ou expostos ao seu herbicida mais vendido, sofreram tumores e múltiplos danos nos seus órgãos.

Alimentos transgênicos causam tumores?

Apesar de ser bastante criticada, a pesquisa foi publicada na revista científica Food and Chemical Toxicology, o que deixou algumas pessoas com a pulga atrás da orelha. Agora, a própria revista resolveu retirar o artigo do pesquisador Gilles-Eric Seralini, da Universidade de Caen, por descobrir, depois de um ano de investigação, o que mais de 700 cientistas já haviam dito: que ele não cumpre as normas científicas.

Seralini havia concluído em sua “pesquisa” que ratos alimentados com uma dieta contendo NK603, uma variedade de semente tolerante às aplicações do herbicida Roundup da Monsanto, ou que ingeriam água contendo Roundup a níveis permitidos nos Estados Unidos, morriam mais cedo do que ratos alimentados com uma dieta normal.

Seralini

Seralini

No momento da sua publicação original, em setembro de 2012, centenas de cientistas de todo o mundo já questionaram Seralini. A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos emitiu um comunicado em novembro do mesmo ano dizendo que o estudo tinha defeitos graves no seu projeto e metodologia, e não atendia aos padrões científicos aceitáveis.

Poucas semanas depois de sua aparição na revista científica, mais de 700 cientistas assinaram uma petição online pedindo que Seralini liberasse todos os dados brutos de sua pesquisa.

Na sua declaração da retirada, a Food and Chemical Toxicology disse que, à luz destas preocupações, também havia pedido para ver os dados brutos do estudo. Segundo a revista, Seralini concordou e forneceu todo o material que foi solicitado pelo editor-chefe do veículo.

Embora tenha recebido muitas cartas expressando preocupações sobre a validade das conclusões do estudo francês, incluindo denúncias de fraude, a revista disse que sua própria investigação não encontrou “nenhuma evidência de fraude ou deturpação intencional dos dados”.

Como principal motivo para a retirada, a Food and Chemical Toxicology afirmou que foi o tamanho da amostra do estudo era muito pequeno – isso significa que nenhuma conclusão definitiva poderia ser alcançada a partir dele.

“Essa retirada vem depois de uma análise minuciosa e demorada do artigo publicado e os dados que ele relata, juntamente com uma investigação sobre o peer-review [revisão feita por outros cientistas] por trás do artigo”, disse a revista em um comunicado.

Alguns cientistas saudaram a decisão da Food and Chemical Toxicology em despublicar o estudo, embora outros tenham dito que a retirada veio tarde demais.

“As grandes falhas neste trabalho tornam sua retirada a coisa certa a se fazer”, disse Cathie Martin, professora da John Innes Centre. “A cepa de ratos utilizados é altamente suscetível a tumores depois de 18 meses, com ou sem OGM (organismos geneticamente modificados) em suas dietas”.

David Spiegelhalter, professor da Universidade de Cambridge, disse que estava “claro até mesmo em uma leitura superficial que este trabalho não estava apto para publicação”. Neste caso, segundo ele, “o processo de revisão por pares não funcionou corretamente”. [Reuters, DTA]

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17 comentários

  • pmahrs:

    Infelizmente aprendemos que onde entra lucro é prudente questionar um pouco mais. Revistas e órgão espe-cializados questionam as quantidades e até o uso de alguns corantes, conservantes, glúten, açúcares e outros elementos em alimentos até para crianças e diabéticos que podem ultrapassar as determinadas pela OMS; fora remédios, aparelhos e suplementos principalmente estéticos que são puras farsas ou que carecem de pesqui-sas e debates mais exigentes. Não duvidar, questionar ou exigir segurança, também pode limitar a ciências e comprometer a verdade, afinal ciências principalmente no que tange saúde não pode ser tratada como religião, apenas crendo sem dissecar todas suspeitas, dúvidas possíveis e especuláveis; e rebater todas divergências rotulando-as como simples teoria da conspiração. Sabemos, por exemplo, que por décadas a indústria de tabaco americana escondeu resultados de pesquisas e vemos em revistas de associações de consumidores especializadas em testar produtos a quantidade de alimentos e itens industriais abaixo até de especificações de leis brasileiras.

  • Rodney Brentel:

    Prezados Cientistas, Pesquisadores, e Buscadores da Verdade.
    Saudações!

    Tudo quanto possamos falar sobre transgênicos já foi dito, falado e explicado sendo suas teses favoráveis defendidas ardorosamente por teóricos e renomados cientistas.

    De nada adianta tentar convencer os opositores de que os transgênicos são ótimos apenas para os produtores de sementes transgênicas.

    Mas quem estiver interessado em conhecer realmente e saber como alguém pode ser difamado em suas pesquisas e ter seus conhecimentos técnicos reduzidos a nada como fizeram com este pesquisador, tenha um pouco de paciência e leia este texto.

    Ameaça à saúde humana

    Não existem estudos científicos que comprovem a segurança dos transgênicos para a saúde humana. Apesar de exigidos por governos de todo o mundo, as empresas de biotecnologia nunca conseguiram apresentar relatórios nesse sentido – e ainda assim, seus produtos são aprovados. Por outro lado, alguns estudos independentes indicaram problemas sérios, como alterações de órgãos internos (rins e fígado) de cobaias alimentadas com milho transgênico MON863 da Monsanto.
    E ainda há o risco do uso excessivo do glusofinato, componente ativo da variedade transgênica Liberty Link, da Bayer, presente tanto no milho como no arroz geneticamente modificado produzido pela empresa. Problemas como esses levaram alguns países, como a Áustria, a proibírem a importação e comercialização desses produtos. No Brasil, infelizmente, não existe o mesmo cuidado. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), responsável pela aprovação de transgênicos no país, vem dando sinal verde para variedades que enfrentam grande resistência em outros países, como no caso do milho MON810, da Monsanto, proibido na Europa e liberado no Brasil.

    Fonte: http://www.greenpeace.org/brasil

    “O glifosato estimula a morte das células de embriões humanos”

    Gilles-Eric Seralini, referência européia no estudo de agrotóxicos, confirmou os efeitos letais do glifosato em células humanas de embriões, placenta e cordão umbilical. Alertou sobre as consequências sanitárias e ambientais, e exigiu a realização de estudos públicos sobre transgênicos e agrotóxicos. Quando publicou suas pesquisas, recebeu críticas e desaprovações.

    A reportagem é de Darío Aranda, publicada no jornal Página/12, 21-06-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

    Gilles-Eric Seralini é especialista em biologia molecular, professor da Universidade de Caen (França) e diretor do Comitê de Pesquisa e Informação sobre Engenharia Genética (Criigen). E se transformou em uma dor de cabeça para as empresas de agronegócio e para os resolutos defensores dos transgênicos. Em 2005, descobriu que algumas células da placenta humana são muito sensíveis ao herbicida Roundup (da empresa Monsanto), inclusive em doses muito inferiores às utilizadas na agricultura. Apesar de seu abundante currículo, foi duramente questionado pelas empresas do setor, desqualificado pelos meios de comunicação e acusado de “militante verde”, entendido como fundamentalismo ecológico.

    Mas, em dezembro passado, voltou à tona. A revista científica Pesquisa Química em Toxicologia (Chemical Research in Toxicology) publicou seu novo estudo, em que constatou que o Roundup é letal para as células humanas. Segundo o trabalho, doses muito abaixo das utilizadas em campos de soja provocam a morte celular em poucas horas. “Mesmo em doses diluídas mil vezes, os herbicidas Roundup estimulam a morte das células de embriões humanos, o que poderia provocar mal-formações, abortos, problemas hormonais, genitais ou de reprodução, além de diversos tipos de cânceres”, afirmou Seralini em seu laboratório na França.

    Suas pesquisas fazem parte da bibliografia à qual o Comitê Nacional de Ética na Ciência faz referência em sua recomendação para se criar uma comissão de especialistas que análise os riscos do uso do glifosato.

    O pesquisador havia decidido estudar os efeitos do herbicida sobre a placenta humana depois que uma análise epidemiológica da Universidade de Carleton (Canadá), realizado na província de Ontário, havia vinculado a exposição ao glifosato (ingrediente base do Roundup) com o risco de abortos espontâneos e partos prematuros. Mediante provas de laboratório, em 2005, Seralini confirmou que em doses muito baixas o Roundup provoca efeitos tóxicos em células placentárias humanas e em células de embriões. O estudo, publicado na revista Environmental Health Perspectives, indicou que o herbicida mata uma grande proporção dessas células depois de apenas 18 horas de exposição a concentrações menores do que as utilizadas no uso agrícola.

    Indicava ainda que esse fato poderia explicar os abortos e nascimentos prematuros experimentados por trabalhadoras rurais. Também ressaltava que, em soluções entre 10 mil e 100 mil vezes mais diluídas que as do produto comercial, ele já não matava as células, mas bloqueava sua produção de hormônios sexuais, o que poderia provocar dificuldades no desenvolvimento de ossos e no sistema reprodutivo de fetos. Alertava sobre a possibilidade de que o herbicida seja perturbador endócrino e, sobretudo, instava à realização de novos estudos. Só obteve a campanha de desprestígio.

    Em 2007, publicou novos avanços. “Trabalhamos em células de recém-nascidos com doses do produto cem mil vezes inferiores às que qualquer jardineiro comum está em contato. O Roundup programa a morte das células em poucas horas”, havia declarado Seralini à agência de notícias AFP. Ressaltava que “os riscos são, sobretudo, para as mulheres grávidas, mas não só para elas”.

    Em dezembro, a revista norte-americana Pesquisa Química em Toxicologia (da American Chemical Society) outorgou a Seralini 11 páginas para difundir seu trabalho, já finalizado. Focalizou-se em células humanas de cordão umbilical, embrionárias e da placenta. A totalidade das células morreram dentro das 24 horas de exposição às variedades do Roundup. “Estudou-se o mecanismo de ação celular diante de quatro formulações diferentes do Roundup (Express, Bioforce ou Extra, Gran Travaux e Gran Travaux Plus). Os resultados mostram que os quatro herbicidas Roundup e o glifosato puro causam morte celular. Confirmado pela morfologia das células depois do tratamento, determina-se que, inclusive nas concentrações mais baixas, ele causa uma grande morte celular”, denuncia na publicação, que indica que, mesmo com doses a té dez mil vezes inferiores às usadas na agricultura, o Roundup provoca danos em membranas celulares e morte celular. Também confirmou o efeito destrutivo do glifosato puro, que, em doses 500 vezes menores às usadas nos campos, induz à morte celular.

    Gilles-Eric Seralini tem 49 anos, nasceu na Argélia, vive em Caen, pesquisa a toxicidade de variedades transgênicas e herbicidas, é consultor da União Europeia em transgênicos e é diretor do Conselho Científico do Comitê de Pesquisa e Informação sobre Engenharia Genética (Criigen). “Publiquei três artigos em revistas científicas norte-americanas de âmbito internacional, junto com investigadores que faziam seu doutorado em meu laboratório, sobre a toxicidade dos herbicidas da família do Roundup sobre células humanas de embriões, assim como da placenta e sobre células frescas de cordões umbilicais, as quais levaram aos mesmos resultados, mesmo que tenham sido diluídas até cem mil vezes. Confirmamos que os herbicidas Roundup estimulam o suicídio das células humanas. Sou especialista nos efeitos dos transgênicos, e sabemos que o câncer, as doenças hormonais, nervosas e reprodutivas t êm relação com os agentes químicos dos transgênicos. Além disso, esses herbicidas perturbam a produção de hormônios sexuais, pelo qual são perturbadores endócrinos”, afirma Seralini.

    “O glifosato é menos tóxico para os ratos do que o sal de mesa ingerido em grande quantidade”, indicava uma propaganda da Monsanto há uma década, citada na extensa pesquisa jornalística “O mundo segundo a Monsanto”, de Marie-Monique Robin. No capítulo quatro, chamado “Uma vasta operação de intoxicação”, Seralini é contundente: “O Roundup é um assassino de embriões”. Fato confirmado com a finalização de seus ensaios, em dezembro de 2008.

    A contundência e difusão do trabalho provocaram que a companhia de agrotóxicos mais poderosa do mundo quebrasse seu silêncio – apesar de que a sua política empresarial é não responder estudos ou artigos que não lhe sejam favoráveis. Mediante um comunicado e diante da agência de notícias AFP, a Monsanto França voltou a deslegitimar o cientista. “Os trabalhos efetuados regularmente por Seralini sobre o Roundup constituem um desvio sistemático do uso normal do produto com o fim de denegri-lo, apesar de ter se demonstrado sua segurança sanitária há 35 anos no mundo”.

    A antiguidade do produto no mercado é o mesmo argumento utilizado na Argentina pelos defensores do modelo de agronegócio. As organizações ambientalistas reforçam que essa defesa tem seu próprio beco sem saída. O PCB (produto químico usado em transformadores elétricos e produzido, dentre outros, pela Monsanto) também foi utilizado durante décadas. Recebeu centenas de denúncias e foi vinculado com quadros médicos graves, mas as empresas continuavam defendendo seu uso baseado na antiguidade do produto. Até que a pressão social obrigou os Estados a realizarem estudos e, com os resultados obtidos, proibiu-se seu uso. “Com o glifosato, acontecerá o mesmo”, respondem as organizações.

    Depois de uma pesquisa na Argentina do doutor Andrés Carrasco, na que se confirmou o efeito devastador em embriões anfíbios, as empresas do setor reagiram com intimidações, ameaças e pressões. Isso lhe soa familiar?

    Sim, e muito. Com minhas pesquisas, as empresas também reagiram muito mal. Em vez de criticar os pesquisadores, uma grande empresa responsável que não tem nenhuma capacitação em toxicologia teria que se colocar em dúvida e pesquisar. Em dezembro de 2008, quando o nosso último artigo foi publicado, o Departamento de Comunicação da Monsanto disse que estávamos desviando o herbicida de sua função, já que ele não foi feito para atuar sobre células humanas. Esse argumento é estúpido, não merece outro qualificativo. É muito surpreendente que uma multinacional tão importante admitisse, com esse argumento, que não realiza ensaios de seu herbicida com doses baixas sobre células humanas antes de colocá-lo no mercado. Dever-se-ia proibir o produto apenas por esse reconhecimento corporativo.

    Qual foi o papel dos meios de comunicação em suas descobertas?

    Jornais e televisões falaram sobre os nossos estudos, se dão conta de que o mundo está se deteriorando por causa desses contaminantes, e que muitas doenças desencadeadas por esses produtos químicos já são vistas também nos animais e reduzem dramaticamente a biodiversidade. Mas também é preciso ter presente que o lobby das empresas é muito forte, que fazem chegar informações contraditóriasaos meios de comunicação, que finalmente desinformam a opinião pública e influenciam os governos.

    Em 1974, a Monsanto havia sido autorizada a comercializar o herbicida Roundup, “que passaria a se converter no herbicida mais vendido do mundo”, ufana-se a publicidade da empresa. Em 1981, a companhia se estabeleceu como líder da pesquisa biotecnológica, mas recém em 1995 foi aprovada uma dezena de seus produtos modificados geneticamente, entre eles a Soja RR (Roundup Ready)”, resistente ao glifosato.

    Monsanto promovia o Roundup como “um herbicida seguro e de uso geral em qualquer lugar, desde gramados e hortas, até grandes bosques de coníferas”. Também defendia que o herbicida era biodegradável. Mas, em janeiro de 2007, ela foi condenada pelo tribunal francês de Lyon a pagar multas pelo crime de “propaganda enganosa”. Os estudos de Seralini foram utilizados como prova, junto a outras pesquisas. A Justiça da França teve como eixo a falsa propriedade biodegradável do agrotóxico e até deu um passo mais: afirmou que o Roundup “pode permanecer de forma duradoura no solo e inclusive se estender para as águas subterrâneas”.

    Diante da campanha de desprestígio, Seralini recebeu o apoio da Procuradoria Geral de Nova Iorque (que havia ganhado outro juízo contra a Monsanto, também por propaganda enganosa). A revista científica Environmental Health Perspectives publicou um editorial para destacar suas descobertas, e a revista Chemical Research in Toxicology se propôs publicar o esquema completo do modo de ação toxicológico.

    “A Monsanto sempre entregou estudos ridículos sobre o glifosato apenas, enquanto que o Roundup é uma mistura muito mais tóxica do que só o glifosato. O mundo científico sabe disso, mas muitos preferem não ver ou não atacar as descobertas. No entanto, a empresa defendia que era inócuo. Confirmamos que os resíduos do Roundup representam os principais contaminadores das águas dos rios ou de superfície. Por outro lado, recebemos o apoio de partes dos pesquisadores que encontraram efeitos semelhantes, explicando assim abortos naturais e desastres nas faunas autóctones”, explica Seralini.

    Com um mercado concentrado e um faturamento estratosférico, a indústria transgênica é denunciada por seu poder de incidência com aqueles que devem controlá-la. Até a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA (o âmbito de controle competente) é acusada de ter cedido a suas pressões. Em agosto de 2006, líderes sindicais da EPA acusaram as autoridades do organismo de ceder diante da pressão política e permitir o uso de químicos prejudiciais.

    “Correm-se graves riscos em fetos, grávidas, crianças e idosos”, denunciavam. A EPA havia omitido os estudos científicos que contradiziam aqueles patrocinados pela indústria dos pesticidas. “A direção da EPA prioriza antes a indústria da agricultura e os pesticidas do que a nossa responsabilidade em proteger a saúde dos nossos cidadãos”, finalizava o comunicado.

    Seralini reafirma o poder econômico das agroquímicas e lembra que as oito maiores companhias farmacêuticas são as oito maiores companhias de pesticidas e de transgênicos, dentre as quais a Monsanto tem um papel protagônico. Por isso, pede a realização urgente de testes com animais de laboratório durante dois anos, como – segundo explica – ocorre com os medicamentos na Europa.

    “Há um ingrediente político e econômico no tema, claramente, do qual as companhias estão por trás”, denuncia. Ele se reconhece um obsessivo do trabalho, adverte que há uma década analisa diariamente todos os informes europeus e norte-americanos de controles sanitários de transgênicos. E não tem dúvida: “Os únicos que fazem testes são as próprias companhias, porque são ensaios caríssimos. As empresas e os governos não deixam que esses trabalhos sejam vistos. Esses estudos deveriam ser realizados por universidades públicas e deveriam ser públicos”.

    “Há 25 anos trabalho com as perturbações dos genes, das células e dos animais provocadas por medicamentos e contaminantes. Advertimos o perigo existente e propomos estudos públicos. Mas, em vez de aprofundar estudos e nos reconhecer como cientistas, querem tirar importância acadêmica chamando-nos ‘militantes ambientalistas’. Sabemos claramente que o ataque provém de empresas que, se os estudos forem feitos, deverão retirar seus produtos do mercado”, denuncia Seralini, que, hoje, adverte sobre o efeito sanitário não apenas dos agrotóxicos, mas sim dos alimentos transgênicos e de seus derivados.

    Ele recorda que, com o milho transgênico (também tratado com Roundup) alimentam-se os animais que depois a população come (frangos, vacas, coelhos e porcos) e explica que todos os produtos que contêm açúcar de milho (molhos, balas, chocolates e refrigerantes, dentre outros) devem ser objeto de urgentes estudos.

    “Há anos trabalhamos sobre a toxicidade dos principais contaminadores. Confirmamos que o Roundup é também o principal contaminante dos transgênicos alimentares, como a soja ou o milho transgênico, o que pode levar a um problema de intoxicação dos alimentos a longo prazo”.

  • Eric Musashi:

    Por alguns comentários, o que se constata é que a maioria das pessoas não quer descobrir ou aprender as coisas, só quer afirmar suas crenças.

    Incrível o esforço de transformar em conspiração essa revelação de fraude.

  • Ademar Souza:

    Será que tem alguém por aqui que pode indicar links que levem a resultados de pesquisas feitas por universidades brasileiras ou estrangeiras que apontem evidências de que o consumo de alimentos transgênicos pode causar câncer? Por outro lado está muito bem estabelecido que existem fatores fortemente relacionados, sem sombra de dúvida, ao aumento do risco de desenvolvimento de câncer: consumo de cigarro, charuto, cachimbo e maconha; excesso de peso; consumo da partes carbonizadas (queimadinhas) do churrasco; consumo de mate quente e o consumo excessivo de carnes vermelhas, alimentos gordurosos; embutidos (salsicha, peito de peru defumado), álcool e derivados do leite! Hoje a obesidade afeta mais da metade da população e é causa de muitas doenças, inclusive de cânceres, mas não vejo ativismo contra isso. Ativismo contra os transgênicos é ativismo político anticapitalista.

  • Rodney Brentel:

    Prezados,

    Todos sabemos que a indústria dos transgênicos durante anos insistiu até convencer o governo e cientistas de que suas sementes geneticamente modificadas seriam imunes às pragas e lagartas. Final de 2013, dezembro, e as lavouras de soja transgênica do Mato Grosso, infestadas de lagartas, (vide globo rural, domingo 01/12/13)onde a segunda geração de semente de soja será avaliada contra as lagartas. Agora voltando ao tema, se estes cientistas que apedrejaram o sr.pesquisador Gilles-Eric Seralini, da Universidade de Caen que não é um leigo e nem tampouco despreparado, deveriam (antes de apedrejá-lo em favor destas empresas multinacionais mentirosas e sabe-se lá à que preço fizeram isso), através do método científico usar cobaias diferentes desta que este pesquisador usou, avaliar, testar e retestar para contestar estas conclusões publicadas que não são diferentes das opiniões de ecologistas sérios e de ONGS verdadeiramente interessadas no equilíbrio e manutenção do meio ambiente. PONTO.

    • Cesar Grossmann:

      Rodney, o trabalho foi mal-feito. Se criticar isto agora é proibido, só por que vai de encontro ao interesse das empresas que investem em OGM, então acaba a ciência. E não é por que o sr. Gilles-Eric Seralini é um cientista (e não leigo) e está preparado para fazer um bom trabalho, que o trabalho feito é bom. Alegar que o trabalho foi feito por fulano e que por isto é um trabalho correto é a falácia do apelo à autoridade, e alegar que quem está criticando o trabalho o faz para proteger interesses escusos ou a sua própria agenda é usa da falácia do ‘ad hominem’.

      Existem interesses, é claro, mas a existência destes interesses não desqualifica automaticamente qualquer crítica a um trabalho que desafie estes interesses.

  • JOTAGAR:

    Onde há fumaça há fogo. Seria no mínimo ingenuidade achar que os interesses mercantilistas destes grupos fossem favoráveis a divulgação de pesquisas que relacionassem algum fato negativo ao seu produto.

  • manfredgrellmann@hotmail.com:

    Tirar conclusões de caráter por fotografia de uma pessoa, é em primeiro lugar preconceituoso e, tecnicamente ,se assim chamarmos, anticientífico.É obvio que tem de ser provado cientificamente, que alimentos geneticamente modificados fazem mal à saúde .Mesmo assim, podemos dizer que Randoup não é um composto necessário à qualquer organismo vivo pois, ele foi fabricado e não existe espontaneamente na natureza.
    Quando se trata de dinheiro e,muito dinheiro,as verdades são” fabricadas” ,até o dia em que não der mais para segurar.Estrago feito mas, bolsos abarrotados.
    Esta discussão se assemelha às discussões de que nosso estilo de vida moderno,com a alimentação industrializada, esta catapultando os índices de câncer, e outras doenças.Ou afirmar que manteiga faz mal e margarina é bom para a saúde.
    Quanto à trabalhos científicos mostrando ações de compostos químicos em alimentos nos seres vivos não faltam. Basta só procurar.
    Quem acha que tudo o que está emprateleirado em supermercado é bom para a saúde, só porque a embalagem “embala e nina” a ingenuidade do consumidor,tem que se lascar mesmo e tentar viver o doce sonho de estar vivendo na melhor das eras, quem sabe ainda com a chancela divina de que tudo esta certinho.

    • Cesar Grossmann:

      É até possível que os OGM causem câncer, mas se o trabalho que demonstra isto tem problemas metodológicos então, paciência, é preciso corrigir isso.

      Sobre os produtos tóxicos, a primeira coisa que se aprende em farmacologia é que a diferença entre um remédio e um veneno é a dosagem. Muitos compostos químicos tóxicos são encontrados naturalmente em alimentos e outros são acrescentados pelo homem, o que faz com que eles não causem prejuízo à saúde é a dosagem. O organismo humano é capaz de metabolizar um monte de produtos que seriam tóxicos para nós, senão ninguém podia tomar café…

  • Jorginho:

    Podem até me negativar, mas a Monsanto tem grana para comprar a revista e todos os cientistas que tiveram acesso!
    Aliás, eles dominarão o mundo com suas sementes modificadas… Com as desculpas de “combate a fome”.

    A mesma coisa acontece relativo aos celulares… Quando usado de forma abusiva. Eles recomendam que, usando por mais de 5 minutos; “trocar de orelha”… Devido ao Aquecimento!
    (Será mesmo, devido ao aquecimento?)… Alguns alegam não ser nocivo por não ser ondas ionizante! Tá!

    Como também dizem sobre as linhas de muito alta tensão em área urbanas… Além das torres de celulares com seus enormes campos eletromagnéticas, muitas vezes direcionadas à nossas cabeças!

    Voltando à alimentação: Infelizmente já não temos opção. Pois, quase 100% dos alimentos estão modificados.

    Sem deixar de falar dos hormônios, vermífugos e os famosos antibióticos… aplicados.

    Dias atrás tive conversando com um bioquímico e, ele me disse sobre as políticas mercenárias da alimentação espalhada em todo mundo…
    Os que mais se fodem são os países de terceiro mundo!
    Aqui mesmo no Brasil há agrotóxico vindo do Paraguaio de forma ilegal… Proibido em diversos países, incluindo o próprio Brasil!

    Em outras palavras – não temos opção e, como diz a mãe natureza: “que vença os mais fortes!” – No caso, eles!

  • pmahrs:

    Uma das especulações de resistentes a transgênicos é a suposta possibilidade de alimentos resistente a pragas e fungos poderem estimular super pragas, além de tornar a produção cada vez mais dependente de tecnologia de ponta e grandes corporações bilionárias e assim concentrar a produção na mãos de poucos inviabilizando produções orgânicas ou em propriedades menores. O uso de animais com tendências, reprodução mais rápida e expectativa de vida menor não é errado desde que se respeite métodos científicos, separando grupos e óbvio que não se vai considerar um pesquisa só. É um truque científico ampliar as condições, para se ter as primeiras dúvidas e especulações para se cogitar possíveis efeitos no homem que vive mais de 70 anos e as gerações mais longas.

    • Laion Loester:

      Exato

  • bussula:

    Trabalho hiper mal conduzido para obter sensacionalismo. Para qualquer pessoa com um minimo de bom senso, pensamento lógico, verá que isso não é ciencia, e sim invenção para prejudicar uma empresa. A foto do vigarista contratado mostra isso.

  • Ademar Souza:

    Cuidado com o que publicam para não prejudicar a credibilidade que vocês conquistaram. Nada pior para a Ciência do que manchetes sensacionalistas, tendenciosas e que induzem o leitor ao erro. Não existe nenhuma pesquisa científica séria no undo que prove que os transgênicos causem qualquer prejuízo aos seres humanos. Muito pelo contrário!

  • Cesar Grossmann:

    Pegou uma linhagem de ratos que desenvolve tumores a partir dos 18 meses de idade, e alegou que os tumores se deviam à dieta com alimentos geneticamente modificados.

    • Naldo Soares:

      mas quais as motivações prováveis que ele teria para fazer isso?ficar famoso,ficar rico ou é simplesmente louco?

    • Laion Loester:

      O tumor não faz parte do ciclo de vida sadio de nenhum rato, há animais que tem maior propensão a desenvolver tumores, mas estes mesmos ratos, se não forem exposto a tais riscos, dificilmente, desenvolverão a doença.
      É óbvio que alimentos transgênicos aumentam o risco de tumores em humanos, o difícil é definir com exatidão o grau de risco.

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