Alimentos geneticamente modificados e as alterações encontradas no gado e no leite de animais que os comem há 30 anos

Por , em 1.10.2014

Vermont, um dos 50 estados dos Estados Unidos, aprovou recentemente uma lei que torna obrigatória a colocação de etiquetas que discriminam alimentos geneticamente modificados (OGM) em todo o estado. Contudo, alguns grupos ficaram de fora dessa exigência, por exemplo, alimentos feitos com leite de vacas que se alimentaram por anos e anos de alimentos geneticamente modificados. Em outras palavras, é como se essa tal lei fosse muito superficial.

Pão orgânico feito de trigo que foi moído não é considerado “natural”, mas o leite de vacas que comeram ração geneticamente modificada ainda pode ser considerado “orgânico”?

Animais com dieta de alimentos geneticamente modificados produzem alimentos “piores”?

Não. Aliás, longe disso.

Uma nova análise feita pela Universidade da Califórnia (EUA) revisou quase 30 anos de estudos de alimentação pecuária cobrindo mais de 100 bilhões de animais e constatou que, embora a biologia moderna confunda os consumidores de alimentos integrais, o gado se dá muito bem com eles: depois de 18 anos comendo só alimentos geneticamente modificados, os animais não sofreram consequência alguma.

As vacas são idênticas, o leite produzido por elas é idêntico, a carne é idêntica. Os transgênicos não alteraram nada em nada. Para que não ficassem dúvidas, os pesquisadores usaram uma amostra de tamanho enorme, com cerca de 9 bilhões de animais produtores de alimentos por ano, sendo 95% deles consumidores constantes de ingredientes geneticamente modificados.

A avaliação constatou também que o desempenho e a saúde dos animais que consumiram alimentos geneticamente modificados, introduzidos em sua dieta regular pela primeira vez há 18 anos, não tem sido diferente do que dos animais que consomem alimentos não transgênicos. O estudo também não encontrou diferenças na composição nutricional da carne ou leite de animais que comeram só transgênicos nos últimos anos.

“Estudos têm mostrado continuamente que o leite, carne e ovos provenientes de animais que consomem alimentos geneticamente modificados são indistinguíveis dos produtos derivados de animais alimentados com uma dieta embasada em alimentos não transgênicos”, afirmou o Dr. Alison Van Eenennaam, da Universidade da Califórnia e um dos responsáveis pelo levantamento em questão.

Por isso, a proposta de rotulagem de produtos de origem animal de gado e aves que tenham comido ração transgênica exigiria segregação da cadeia de suprimentos e de rastreabilidade, pois os próprios produtos desses animais não diferem de qualquer forma que pudesse ser detectada.

Ou seja: não criemos pânico. [Science20]

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