Após 500 anos, cientistas encontram o naufragado Santa Maria de Cristóvão Colombo

Por , em 15.05.2014

No que deve ser uma das descobertas subaquáticas mais significativas da história, o provável navio naufragado da capitania de Cristóvão Colombo, Santa Maria, foi encontrado no fundo do mar ao largo da costa norte do Haiti.

“Toda topografia geográfica e subaquática e evidências arqueológicas sugerem fortemente que este naufrágio é o famoso navio Santa Maria, de Colombo”, disse o principal pesquisador arqueológico do estudo, Barry Clifford.

Até agora, Clifford e sua equipe reuniram provas substanciais. O navio está no local onde devia ter afundado, como descrito por Colombo em seu diário que se refere ao seu forte, na costa norte do Haiti em 1492, logo após a descoberta do Novo Mundo.

A identificação do naufrágio como o Santa Maria só foi possível graças a descobertas separadas feitas por outros arqueólogos em 2003, sugerindo a provável localização do forte de Colombo. Clifford foi capaz de usar os dados no diário de Cristóvão para descobrir o local do navio, já que a fortaleza foi construída nas proximidades.

Usando magnetômetros marinhos, scanners sonares e equipamentos de mergulho, a equipe de Clifford, ao longo de vários anos, investigou mais de 400 anomalias no fundo do mar ao largo da costa do Haiti, diminuindo a procura pelo Santa Maria até a pequena área onde a naufrágio foi encontrado.

Eles começaram a investigação do navio mais de uma década atrás, mas não sabiam pelo que estavam procurando na época. O recente reexame envolveu um olhar diferente para as fotografias de 2003, juntamente com novos mergulhos de reconhecimento no local.

A região corresponde exatamente ao que sabemos sobre a topografia subaquática do local do naufrágio, enquanto as correntes locais são consistentes com o que é conhecido sobre a maneira como o navio chegou até um recife. Além do mais, os restos do naufrágio, como o lastro do navio, são consistentes com um navio do tamanho do Santa Maria.

Outra pista tentadora encontrada nas fotografias de 2003 foi um canhão do tipo conhecido por ter estado a bordo do navio.

História

O Santa Maria foi construído em algum momento na segunda metade do século 15, no norte da Espanha, no País Basco.

Em 1492, Colombo contratou o barco e o navegou da costa atlântica do sul da Espanha através das Ilhas Canárias em busca de uma nova rota ocidental para a Ásia. Junto com La Pinta e La Nina, outros dois navios, Colombo chegou às Bahamas após uma viagem de 37 dias.
10 semanas depois, com Colombo a bordo, o Santa Maria teve que ser abandonado quando alcançou um recife durante a noite.

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Colombo começou a construir um forte em uma aldeia indígena nas proximidades. Uma semana depois, deixando muitos de seus homens atrás, ele usou os dois navios restantes para navegar de volta para a Espanha e anunciar sua descoberta ao rei Fernando e a rainha Isabel.

No futuro

A equipe retornou ao local da descoberta mês passado, mas muitos dos objetos observados nas fotografias foram saqueados, incluindo o canhão.

Os pesquisadores informaram o governo haitiano de sua descoberta, junto com suas intenções de proteger e preservar o local do naufrágio.

“Estou confiante de que uma escavação completa do naufrágio irá produzir a primeira evidência arqueológica marinha detalhada da descoberta da América por Colombo”, observa Clifford. “Idealmente, se as escavações forem bem, dependendo do estado de conservação de qualquer madeira enterrada, pode ser possível levantar os restos sobreviventes da embarcação, conservá-los totalmente e colocá-los em exposição pública permanente em um museu no Haiti”.

Clifford acredita que o naufrágio tem o potencial de desempenhar um papel importante para ajudar a desenvolver a indústria do turismo do Haiti no futuro.

O pesquisador é um dos exploradores de sítios arqueológicos subaquáticos mais experientes do mundo. Ele tem analisado dezenas de naufrágios históricos em diferentes partes do mundo ao longo das últimas quatro décadas, e foi o descobridor e escavador do primeiro naufrágio pirata identificado com evidências científicas, o navio negreiro “Whydah”, em 1984. Mais recentemente, descobriu o navio do Capitão Kidd, um corsário escocês com ordens da Inglaterra para controlar a pirataria francesa na região de Madagascar, ao longo da costa do país.

A nova investigação de Clifford está sendo apoiada pelo History Channel, que garantiu direitos exclusivos para a produção de um grande programa de televisão sobre o assunto. [io9, Independent]

Agradecimento: ao leitor Diego Willrich pela dica de artigo.

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3 comentários

  • well go:

    Por que “saqueado”?
    Afinal estava há tempos abandonado no fundo do mar….não tinha dono. Achou é seu.

    • Cesar Grossmann:

      Não é bem assim. Existem leis que tratam do patrimônio histórico no Brasil, provavelmente tem lá também. Além do mais, mesmo que fosse “achou, é seu”, quem acha primeiro tem prioridade, quem vier depois é saqueador.

      Além do mais, geralmente se tem como saqueador o indivíduo que vai vender as peças no mercado negro ou então vai derreter o ouro e vender como pepita (e adeus artefatos).

  • Deni Marinho:

    Este mesmo forte tratado na notícia, foi feito com a madeira do Santa Maria.

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