Estamos em 2019, e os astrônomos descobriram um novo tipo de estrela estranha e pulsante

Por , em 6.08.2019

Você pode até pensar que não falta mais nada a ser descoberto no universo, mas ele tem a mania de nos surpreender constantemente.

Um estudo da Universidade da Califórnia (EUA) encontrou um novo tipo de estrela pulsante muito pequena e muito quente que se ilumina e se apaga a cada poucos minutos.

Ele foi chamado de “subanã pulsador quente”, e pode ser parente de um outro tipo raro de estrela, a “azul pulsador de grande amplitude”.

Estrelas que pulsam versus pulsadores

Uma estrela variável, como o nome sugere, é uma estrela cuja luminosidade varia em uma escala de tempo menor que 100 anos. Existem as variáveis pulsantes, com oscilações periódicas ou semiperiódicas que vão de alguns minutos ou horas até anos e séculos.

“Muitas estrelas pulsam, mesmo nosso sol em uma escala muito pequena. Aquelas com as maiores mudanças de brilho são geralmente pulsadores radiais, ‘inspirando e expirando’ enquanto a estrela inteira muda de tamanho”, explica o físico Thomas Kupfer, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara.

O nosso sol não é um pulsador uma vez que seu ciclo leva 11 anos e sua luminosidade varia apenas 0,1%. As estrelas do tipo pulsador podem variar até 10% em brilho devido a mudanças em tamanho e temperatura.

As quatro novas estrelas descobertas pulsam a cada 200 e 475 segundos, variando cerca de 5% em luminosidade.

Subanãs B

Uma vez que os pesquisadores descartaram que se tratavam de estrelas binárias eclipsantes, que poderiam ter tal variação de brilho, notaram que estavam diante de um novo tipo de objeto – talvez uma nova classe de estrelas subanãs B.

Uma subanã B é uma estrela com 10% do tamanho do sol, mas com 20 a 50% de sua massa. Além de pequenas e densas, são muito quentes e brilhantes. Os cientistas pensam que se formam quando uma estrela com oito vezes a massa do nosso sol morre.

Quando acaba o hidrogênio destas estrelas, elas começam a fundir hélio e se tornam gigantes vermelhas. Se perder todo o seu hidrogênio antes da fusão de hélio começar, no entanto, a estrela acaba se tornando uma subanã B. Como? Isso ainda não sabemos – talvez uma companheira em um sistema binário roube esse hidrogênio.

O que sabemos é que algumas dessas estrelas pulsam. O mecanismo por trás do fenômeno ainda não foi bem definido, mas a pulsação pode ser resultado de um acúmulo de ferro que produz a energia necessária para tanto na estrela.

Enquanto subanãs B estão provavelmente fundindo hélio, os pesquisadores acreditam que as subanãs pulsadoras quentes perderam seu material externo antes que o hélio estivesse quente e denso o suficiente para a fusão.

Próximos passos

Os pesquisadores descobriram ainda que a pulsação dessas subanãs se assemelha à das azuis pulsadoras de grande amplitude, um tipo de estrela classificada apenas em 2017.

Isso significa que os dois tipos poderiam estar relacionados.

O próximo passo será estudar melhor o mecanismo que ocorre dentro dessas estrelas para produzir as pulsações, e descobrir precisamente onde elas se encaixam nos modelos de evolução estelar.

Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica The Astrophysical Journal Letters. [ScienceAlert]

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