Astrônomos encontram estrela quase tão antiga quanto o universo

Por , em 5.08.2019

Cientistas da Universidade Nacional Australiana descobriram uma estrela gigante vermelha com o menor nível de ferro já observado na galáxia.

Isso significa que a SMSS J160540.18–144323.1 é uma das antigas estrelas do universo, provavelmente pertencente à segunda geração criada após o Big Bang, há 13,8 bilhões de anos.

“Esta estrela incrivelmente anêmica, que provavelmente se formou apenas algumas centenas de milhões de anos depois do Big Bang, tem níveis de ferro 1,5 milhão de vezes menores que o do sol. Isso é como uma gota de água em uma piscina olímpica”, disse o astrônomo Thomas Nordlander, um dos autores do estudo.

Metais e idade

O início do universo era um lugar sem metais. As primeiras estrelas eram feitas principalmente de hidrogênio e hélio, eram muito massivas e quentes e tinham vidas curtas. Tais objetos são conhecidos como “População III”, e nunca vimos um deles.

Conforme estrelas grandes, como as da População III, realizavam fusões, elementos como silício e ferro podem ter sido criados. Uma vez que elas morreram e explodiram em supernovas, tais estrelas liberaram esses metais para o universo.

Por sua vez, novas estrelas formadas em seguida capturaram e incorporaram esses elementos – e é por isso que a quantidade deles pode nos dizer a idade de uma estrela.

Por exemplo, baseado em sua metalicidade, nosso sol foi criado cerca de 100.000 gerações após o Big Bang, ao passo que SMSS J160540.18–144323.1 só pode ser muito antiga dada a sua quantidade de ferro.

SMSS J160540.18–144323.1

A SMSS J160540.18–144323.1 não deve ser uma estrela da População III, pois nenhuma destas provavelmente conseguiu sobreviver até os dias de hoje.

Segundo os cientistas, ela pode ter derivado de uma estrela com massa relativamente baixa (dez vezes menor que a do sol) a ponto de produzir uma estrela de nêutron e uma subsequente supernova fraca.

Desta, suficiente ferro escapou para ser absorvido por SMSS J160540.18–144323.1, provavelmente um dos primeiros membros da segunda geração de estrelas do universo.

Infelizmente, ela está morrendo. Como gigante vermelha, está gastando seus últimos estoques de hidrogênio antes de passar para a fusão de hélio. Devemos estudá-la enquanto pudermos, no entanto, pois ela pode ser muito importante para entendermos a População III.

Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. [ScienceAlert]

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