Bactéria pode causar câncer de pâncreas?

Por , em 12.09.2013

O câncer de pâncreas é um dos piores tipos da doença: por ser de difícil detecção, é particularmente mortal, por conta do diagnóstico tardio e de seu comportamento agressivo.

“É o câncer com a maior taxa de mortalidade – 96%”, diz Wasif Saif, diretor do programa de oncologia gastrointestinal do Centro Médico Tufts, em Boston (EUA).

No Brasil, é responsável por cerca de 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 4% do total de mortes por essa doença, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer. Em 2010, 7.440 pessoas morreram de câncer de pâncreas no país.

Agora, um novo estudo da Universidade de Brown (EUA) indica que as infecções bacterianas podem desempenhar um papel no desencadeamento da doença.

Segundo Saif, embora o câncer seja extremamente fatal, os pesquisadores ainda não conhecem suas principais causas. Os principais fatores de risco conhecidos – como tabagismo, obesidade, diabetes tipo 2, alcoolismo e pancreatite crônica, que é a inflamação do pâncreas – representam menos de 40% de todos os casos.

Enquanto isso, um número crescente de pesquisas sugerem que infecções, principalmente do estômago e da gengiva, afetam o câncer de pâncreas. “A principal conclusão desta pesquisa é a possibilidade de que a infecção bacteriana possa estar levando ao câncer de pâncreas”, afirma Saif, que não esteve envolvido no estudo, publicado na edição de 10 de julho da revista Carcinogenesis.

Os cientistas descobriram que duas infecções bacterianas em particular são fortemente ligadas ao câncer de pâncreas na literatura científica: a Helicobacter pylori, uma bactéria que está relacionada com câncer de estômago e úlceras pépticas, e a Porphyrmomonas gingivalis, uma infecção envolvida na doença periodontal e má higiene dental.

O que a bactéria tem a ver com isso?

A ideia de que algumas infecções bacterianas podem conduzir a certos tipos de câncer não é um conceito novo. Pesquisadores têm analisado essa conexão ao longo da última década e encontrado evidências desta associação em canceres de sangue e tumores sólidos.

Câncer do fígado, por exemplo, está ligado ao vírus da hepatite B e C. Já o câncer do colo do útero está estreitamente ligado ao vírus do papiloma humano (HPV), e câncer de nariz e da garganta está associado com o vírus de Epstein-Barr.

Uma melhor compreensão do papel das infecções bacterianas no câncer de pâncreas pode proporcionar novas oportunidades para a detecção e tratamento precoce da doença, o que deve aumentar muito as chances de sobrevivência dos pacientes, bem como ajudá-los a entender por que acabaram com a doença – uma questão que afeta o psicológico de pacientes de câncer.

Hipóteses

Várias teorias podem explicar por que essas infecções podem estar contribuindo para a progressão do câncer de pâncreas. Uma é que as infecções causam inflamação corporal, que é conhecida por desempenhar um papel no câncer de pâncreas.

Um segundo mecanismo possível é que essas infecções bacterianas levam a alterações no sistema imunitário. Quando o sistema imunitário está enfraquecido ou é alterado por uma infecção, não funciona bem para defender o organismo contra o câncer.

Além disso, fatores de risco para o câncer de pâncreas, como tabagismo, obesidade e diabetes, podem suprimir a resposta imunológica, abrindo a porta para infecções oportunistas.

Outras teorias propostas no estudo são que estas infecções bacterianas podem ativar diretamente vias de sinalização tumorais pancreáticas, tais como as que promovem o crescimento de novas células sanguíneas que alimentam um tumor. Outra possibilidade é que as infecções indiretamente ativam vias cancerígenas do pâncreas, que desencadeiam uma resposta imune no ambiente circundante ao cancro, mas não no próprio tumor. [LiveScience, INCA]

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1 comentário

  • Ludimilla Cerqueira:

    Muito interessante a matéria, entretando, quando o autor(a) diz: “A ideia de que algumas infecções bacterianas podem conduzir a certos tipos de câncer não é um conceito novo. Pesquisadores têm analisado essa conexão ao longo da última década e encontrado evidências desta associação em canceres de sangue e tumores sólidos”, são citados exemplos de tumores ligados à infecção viral, e não bacteriana.

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