Como a palmada prejudica (e muito) seu filho

Por , em 26.04.2016

Quanto mais as crianças apanham, mais propensas são de desafiar seus pais e experimentar aumento de comportamento antissocial, agressividade, problemas de saúde mental e dificuldades cognitivas.

Essa foi a conclusão de uma meta-análise de 50 anos de pesquisa envolvendo mais de 160.000 crianças sobre as palmadas, feita por especialistas da Universidade do Texas em Austin e da Universidade de Michigan, ambas nos EUA, e publicada no Journal of Family Psychology.

Essa é a análise mais completa e específica até agora sobre os efeitos da palmada.

“Descobrimos que a palmada foi associada a resultados negativos não intencionais e não foi associada com a obediência imediata ou de longo prazo, que são os resultados pretendidos dos pais quando disciplinam seus filhos”, disse Elizabeth Gershoff, professora de Ciências Humanas na Universidade do Texas em Austin.

Efeitos apenas negativos

No estudo, a palmada foi definida como bater de mão aberta no traseiro de uma criança, o que é geralmente visto pela sociedade como uma ação disciplinar, e não abuso físico.

A palmada foi significativamente associada com 13 dos 17 resultados examinados, todos negativos.

“A conclusão do estudo é que a palmada aumenta a probabilidade de uma grande variedade de resultados indesejados para crianças. Bater nos filhos, assim, faz o oposto do que os pais geralmente querem”, disse outro autor do estudo, Andrew Grogan-Kaylor, da Universidade de Michigan.

Já está na hora de parar

De acordo com um relatório de 2014 da UNICEF, 80% dos pais em todo o mundo batem em seus filhos. Apesar disso, não há nenhuma evidência clara de efeitos positivos da palmada. Na realidade, há uma ampla evidência de que isso representa um risco para o comportamento e desenvolvimento das crianças.

Os pesquisadores analisaram uma ampla gama de estudos e observaram que a palmada foi associada a resultados negativos de forma consistente em todos.

Quanto mais as crianças apanhavam, mais propensas eram de apresentar comportamento antissocial e a ter problemas de saúde mental quando adultos. Também eram mais propensas a apoiar o castigo físico para os seus próprios filhos.

Embora os pais não costumem ver a palmada como abuso físico, os pesquisadores descobriram que ambos estavam associados com os mesmos resultados prejudiciais para crianças, em quase o mesmo grau. [ScienceDaily]

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53 comentários

  • Daniel Slon:

    Concordo plenamente com o Cesar. Estudo educação há muitos anos e acho que a violência física nunca resolve nada.
    É apenas um descontrole.

  • Tutama Bytes:

    …. será por ter levado tanto nas trombas que possuo todos estes adjectivos ou sou um caso a parte????

  • Tutama Bytes:

    Tenho 50 anos, sempre fui trabalhador, honesto, nunca roubei e sou educado no entanto levei no corpo as vezes que a minha Mãe o entendeu …

    • Cesar Grossmann:

      Mas e a sua saúde mental? Quem garante que você não tem traumas, tiques e pesadelos por causa do espancamento promovido pela tua mãe?

  • Claudio Gil:

    Que danos são piores? Fisico ou Psicológico?
    Obrigado

    • Cesar Grossmann:

      Qualquer um dos dois tem possibilidade de causar sequelas permanentes. A propósito, o dano físico não vem sem dano psicológico.

  • Claudio Gil:

    Qual é pior uma palmada, ou educar de uma forma coerciva/ coação um ser humano que porque é nosso filho tem de se sujeitar ás nossas regras?

    • Cesar Grossmann:

      Existem outras maneiras de educar uma criança sem precisar coerção física ou psicológica. E sem precisar “sujeitar” a criança.

  • Claudio Gil:

    “Não há forma de educar perfeita, ou modelo instituido 100% infalivel para educar; e muito menos em revista de especialidade alguma!”

    • Cesar Grossmann:

      Existem algumas formas que causam dano permanente, e outras que não.

  • Nani Franco:

    Discordo! Palmada é bem diferente de espancamento. Palmada tem momento certo, idade certa e medida certa.

    • Cesar Grossmann:

      E prejuízo certo para a cabeça das crianças.

  • Eloisa Carla:

    Nos últimos meses tenho aprendido e me divertido muito mais no Hype com os comentários da galera do que com as matérias!
    hahahahahahahahaha

  • Rafael Andrade:

    Conversa fiada isso tudo aí..
    Levei muita palmada e lapada dos meus pais. Hoje sou homem digno na sociedade, palmada não machuca.

    • Cesar Grossmann:

      Olhando daqui, parece que você não aceita muito bem o resultado de estudos científicos. Tem certeza que não fez nenhum mal?

  • Roberto Jun Matsumura:

    Nem tentem comentar nada que vá contra o politicamente correto do Hype. Vcs vão ser bloqueados como eu fui no FB.

    • Cesar Grossmann:

      Quem fala besteira tem que procurar sua turma.

  • Humberto Ferreira:

    Site cada vez mais tendencioso e ávido em parecer “correto”. Cada vez mais sociologia ativista e menos ciência. Lamentável.

    • Cesar Grossmann:

      É assim que você lida com os estudos científicos que contrariam teus conceitos do que é certo ou errado?

    • Humberto Ferreira:

      É assim que você seleciona os estudos científicos que se adequam aos teus conceitos do que é certo ou errado?

    • Cesar Grossmann:

      Existe algum estudo científico dizendo que a palmada ajuda? Sério mesmo? Onde foi publicado?

  • Natália Ramos A. Camacho:

    Se alguém bate em um idoso é violência, se bate em mulher é violência e bater em criança é educar? Que insanidade…

    • Rafael Andrade:

      Ridículo comentário.
      Palmada é diferente de espancamento, a palmada coloca limites na criança, não gera medo. Levei muitas e não morri

    • Cesar Grossmann:

      É ridículo, ou você está tentando justificar seus pais? Ninguém está inventando nada, é o resultado de um estudo psicológico, envolvendo crianças que levaram “palmadas disciplinares”. O dano foi feito, está lá.

      Outra coisa, “evidência anedótica” não prova nada.

  • Melissa S Almeida:

    A psicologia tem muitas falhas. Tanto que considera pai e mãe quem faz o filho e não o padrasto ou madrasta que adota, sustenta e dá amor.

    • Cesar Grossmann:

      Tem certeza, Melissa? Os psicólogos são todos alienígenas, nenhum deles tem família e é capaz de ver isso?

  • Melissa S Almeida:

    Na época dos avós, as surras eram dolorosas e nem por isso eles são agressivos, nem tem problemas mentais, nem são antisociais…

    • Cesar Grossmann:

      Tem certeza, Melissa? Uma geração atrás ninguém era agressivo, não tinha problemas mentais e não era antissocial, tudo começou quando pararam de agredir e torturar as crianças?

  • Melissa S Almeida:

    A ciência nunca explica nada. Muitas vezes são conclusões PROVÁVEIS e NUNCA são concretas, tanto que os cientistas vivem mudando de idéia.

    • Cesar Grossmann:

      Melissa, é justamente por que a ciência revisa seus conceitos que ela é confiável. Se não revisasse os conceitos, até hoje estaríamos acreditando que a Terra é plana, e que os afrodescendentes são uma espécie inferior, e as mulheres são inferiores e não servem para ter responsabilidades fora do lar. Já pensou?

  • Daniele Biondo Crocetti:

    Na minha opinião agredir uma criança é descontrole emocional do adulto. Ele não sabe como resolver com diálogo. Aqui não se bate.

  • CasaDoCoelho:

    … parar. Ai eu te pergunto, a criança não calava a boca e a mãe já tinha falado dez vezes para ela parar, o que fazer nestes casos então?

    • Cesar Grossmann:

      Educar a criança antes de levar para o mercado. Agredir a criança no mercado não é a resposta.

    • CasaDoCoelho:

      As crianças funcionam como cachorros. Em últimos recursos é necessário sim algum contato físico para educar, mas não “espancar” todo dia.

    • Cesar Grossmann:

      Normalmente premiar o bom comportamento funciona muito bem. As crianças tem uma ânsia de agradar os pais, é só dar a direção certa.

  • CasaDoCoelho:

    Certa vez eu vi uma criança esperneando, se debatendo, chorando e gritando alto no meio do mercado, e a mãe do lado “pedindo” pro filho…

  • Mitchell Sassaki:

    Aconselho, ao colocar conteúdos científicos, a postar fontes referenciais também.

    • Cesar Grossmann:

      Elizabeth T. Gershoff, Andrew Grogan-Kaylor. Spanking and Child Outcomes: Old Controversies and New Meta-Analyses.. Journal of Family Psychology, 2016; DOI: 10.1037/fam0000191

  • Henrique D’Agostini:

    O problema não é a palma em si, o diálogo repetido pode formar seres ainda mais dissimulados sob a ótica da “adultalização” digamos assim.

    • Cesar Grossmann:

      Conversar com as crianças faz com que elas se tornem dissimuladas? De onde saiu isso?

  • Rodrigo Dias D. S:

    A criança quer comer besteira ao invés de comida.
    O pai não da a besteira eqto a criança não comer a comida.
    A criança… Ver respostas

    • Cesar Grossmann:

      …e aí o pai parte para a violência. Muito maduro, um marmanjão tendo que apelar para a violência contra uma criancinha…

  • alexandre:

    Sei lá eu tenho minhas duvidas. Uma coisa é fato, hj em dia as pessoas não tem BOM SENSO p/ nada, nem p/ bater e nem p/ não bater

    • Cesar Grossmann:

      Já está provado que bater causa danos à criança. Por que insistir nisso?

  • Tibulace:

    Apanhei, quando criança, não palmadas e sim sovas bem dadas.Nem por isso, sou uma dessas estatísticas negativas.Muita fragilidade, hj em dia

    • Cesar Grossmann:

      Você tem certeza que não tem nenhum aspecto negativo devido ao fato de ter sido espancado quando criança?

  • Marcelo Leite:

    É IMPOSSÍVEL educar um filho de maneira saudável com violência. Quem consegue agredir um filho e dizer que o ama, precisa de um psiquiatra.

  • Francisco Hélder De Souza Lima:

    Gostaria de saber que fim teria o mundo se não houve uma boa palmada aquele que não fosse advertido uma vez.

    • Cesar Grossmann:

      E é por isto que o mundo está assim.

    • Monica Wicca:

      A claro, quantos pais vocês conhecem que não batem nos filhos? Procure pesquisas sobre isso e verá que a maioria bate nos filhos.

    • Monica Wicca:

      O mundo está assim por culpa de quem bate nos filhos e não por culpa de quem não bate, afinal eles são minorias.

    • Patinho:

      Um tapa na bunda como último recurso, quando todas as demais tentativas falharam às vezes é necessário

    • Cesar Grossmann:

      O apelo à violência é a confissão do fracasso dos pais em dar educação aos filhos. Agridem por que não conseguem ensinar.

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