Buldogues: a raça inteira pode estar condenada

Por , em 1.08.2016

A raça buldogue ou buldogue inglês é uma das mais populares do mundo. Esse sucesso todo pode ser por conta da sua personalidade forte e dócil ou pela fofura de seu corpinho roliço. Uma nova análise sobre a raça, porém, traz notícias ruins para os apaixonados pela raça.

O estudo publicado na revista Canine Genetics and Epidemiology por pesquisadores da Universidade da Califórnia mostra que o buldogue tem pouca diversidade genética, e por isso os criadores enfrentam dificuldades em melhorar algumas características problemáticas da raça. Logo logo será necessário misturar a raça com outras, e ela deixará de ser como a original.

Esse problema vem da origem do buldogue, que descende de apenas 68 indivíduos do início do século XIX. Os cruzamentos entre cães da mesma família e a seleção de características físicas extremas – como o nariz curto – também representam desafios para a raça.

Os buldogues não têm vida média muito longa: vivem cerca de seis anos. Entre os problemas de saúde desse tipo de cão estão problemas respiratórios, câncer, displasia, cistos interdigitais, alergias e problemas oftalmológicos. As dobrinhas do rosto do cão também os tornam mais suscetíveis a infecções e as pequenas cavidades nasais dificultam a regulação térmica.

O autor principal do trabalho, Niels Pedersen, diz que essa raça alcançou o ponto em que sua popularidade não pode justificar problemas de saúde que o buldogue é obrigado a enfrentar durante sua vida. Infelizmente há pouco a ser feito por eles sem envolver a mistura com outras raças.

“A melhora da saúde pela manipulação genética requer a existência de diversidade para que cruzamentos possam ser feitos. Ou que a diversidade seja adicionada ao misturá-los com outras raças. Constatamos que há pouco espaço para “manobra genética” dentro da raça para fazer mudanças adicionais”, diz ele.

O genoma dos buldogues tem mudado constantemente desde o século XIX, mas as alterações têm se tornado mais pronunciadas nas últimas décadas. Criadores fazem o melhor para lidar com a pequena diversidade que existe, mas muitos filhotes ainda vêm de pais da mesma família.

Pederson explica que eliminar as mutações genéticas problemáticas (ao selecionar os indivíduos mais saudáveis para a reprodução) não resolveria o problema, já que isso reduziria ainda mais a diversidade genética.

Para examinar a constituição genética da raça, Pederson e sua equipe examinaram 102 buldogues – 87 dos EUA e 15 de outros países. Esses cães foram comparados com outros 37 cães da mesma raça que exibiam problemas sérios de saúde. Isso foi feito para determinar se os problemas genéticos eram resultado da reprodução por criadores comerciais legalizados ou por “fábricas de cachorros” ilegais, onde a reprodução é feita de forma abusiva. O estudo não apontou relação entre os problemas e o tipo de criadouro.

Em um esforço para solucionar o problema, alguns criadores suíços têm misturado buldogues com o Olde English Bulldogge, uma raça desenvolvida recentemente nos EUA na tentativa de recriar o saudável Antigo Bulldog Inglês, atualmente extinto.

Apesar de o resultado da mistura ser um pouco diferente do “buldogue puro”, esta mistura poderia melhorar a saúde dos buldogues do futuro. [Gizmodo]

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1 comentário

  • Cristian Avencurt:

    Uma raça de cães que não consegue copular, ou parir, sem interferência humana não deviria existir. Isto é um desrespeito aos cães.

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