5 grandes erros que donos de cachorros cometem

Por , em 11.02.2014

Existem evidências de que cachorros e seus ancestrais são domesticados desde a pré-história. O animal caminha junto ao nosso lado “desde sempre” e, mesmo assim, ainda é cercado de estereótipos que, por vezes, não têm nenhum fundamento.

Pensando nisso, uma adestradora profissional de cachorros chamada Mischa Oldman resolveu arregaçar as mangas e elencou cinco conceitos sobre a prática com cachorros que contrariam o senso comum. Veja:

5. Punir um cachorro o deixa confuso

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Da mesma forma que se tenta educar crianças e adultos com punições por seus erros, muitos donos de cães acham que o animal aprende logo um sistema de recompensas e castigos. Mas não funciona bem assim. Os cachorros não associam uma atitude que acabaram de tomar ao tratamento recebido em seguida. Por exemplo, se o seu animal fizer uma sujeirinha pecaminosa no tapete da sala e você gritar com ele em seguida, ele não vai pensar “eu não devia ter feito isso”, e sim algo como “meu dono é louco, há cinco minutos ele estava me agradando”.

Recompensas pelos acertos deles são até recomendadas quando se quer que eles aprendam. Mas punições pontuais aos erros tornam o seu comportamento um verdadeiro enigma para o cão.

4. Falar com o cachorro só o confunde ainda mais

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Muita gente se gaba de ter uma relação de estreita sintonia com seu cachorro, e garante que ele entende tudo que o dono fala para ele. Segundo a treinadora, isso é balela. O cachorro até pode, com o tempo, atender pelo próprio nome e executar ordens como “senta”, “deita” e “rola”, mas a capacidade lexical deles não vai muito além disso.

Se você está tentando ensinar algo ao cão, ficar falando com ele sem parar só vai atrapalhar o raciocínio do bicho com sons incompreensíveis. É como se alguém ficasse berrando palavras em japonês no seu ouvido enquanto você tenta resolver uma equação. O segredo, portanto, são estímulos visuais, muito mais eficazes, e palavras simples.

3. Comida mais cara raramente é mais benéfica

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Não é incomum que marcas de ração lancem produtos mais refinados sob o argumento de conterem nutrientes especiais para os cães, tais como glucosamina e multivitaminas. Algumas empresas chegam a preparar linhas especiais para filhotes, cães adultos e cães idosos. Na esmagadora maioria dos casos, de acordo com a especialista, se trata de jogar dinheiro fora.

Uma ração comum, de acordo com Mischa, já cobre todos os nutrientes que são realmente necessários ao cachorro. Se por alguma razão ele tiver uma deficiência que exija uma alimentação especial, ela deverá ser indicada por um veterinário. Outra coisa: nenhuma substância que seja necessária a um São Bernardo de 100 quilos será dispensável a um chihuahua que cabe na palma da mão. A quantidade obviamente muda, mas a dieta pode ser a mesma.

2. Puxar a coleira não o faz aprender a parar

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Eis uma lição sobre o sistema nervoso dos cachorros: puxar uma coleira ativa neles o senso de movimento oposto, de resistência. Logo, quanto mais você puxa a coleira esperando que isso o ensine a parar, mais está estimulando exatamente o contrário.

Estabilidade é a palavra chave quando se passeia com o animal. O ideal é que a coleira tenha sempre o mesmo comprimento, para que ele se acostume à distância e regule os próprios passos. Se ele começa a latir raivosamente para um gato, por exemplo, é importante não puxar a coleira com força. O melhor é tentar seguir o movimento do animal com a maior naturalidade possível, e só intervir se parecer realmente que ele vai realmente atacar algo ou alguém.

1. Paciência é mais importante do que tudo

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Ensinar comportamentos a um cachorro não acontece da noite pro dia. Se ele não aprender a rolar na segunda ou terceira vez, continue tentando. Se ele não aprender depois da décima, da vigésima vez, não importa. Todo cachorro tem capacidades cognitivas, mas com algumas diferenças.

A maioria, por exemplo, faz associações a lugares e momentos específicos: se você gastou duas horas ensinando ele a sentar no chão da sua casa, não significa que ele vai responder ao comando em qualquer hora e em qualquer lugar. Vai ser necessário treiná-lo em outros lugares e outras situações, com repetição e consistência. A mesma regra vale para quase todas as ações do animal. [Cracked.com / Applied Animal Behaviour]

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19 comentários

  • Thiago Felipe Melo:

    A 5 não de aplica a todos os cachorros, pois o poodle daqui de casa quando mija em cima da minha cama, logo após já esconde em baixo da mesm

  • Joao Mendes:

    No meu tempo de guri, o cusco comia o que tinha sobrado do almoço ou janta e ainda vivia um monte, uns 15 anos.

  • Rodrigo Corrêa:

    Lá em casa meu cachorro tem regras muito rígidas e claras! E eu já aprendi quase todas…

  • Daniel Fernandes:

    Rações standard nos EUA possuem os nutrientes necessários pois a vigilância sanitária de lá fiscaliza isso. Aqui no Brasil, não.

  • LUIZ SOUZA:

    A 5 é interessante…ele não sabe que está sendo punido pelo erro,mas sabe que está sendo recompensado pelo acerto ???????

    • Marcelo Ribeiro:

      Ele não entende o que é um erro, por isso fica confuso em ser agredido. E quando é recompensado ele a sua última ação é reforçada.

  • Marcos Santini:

    Quanto ao número 2: É claro que os cães não entendem frases complexas e tudo mais. Mas alguns deles conseguem extrair palavras no meio de frases mesmo que não forem faladas para ele diretamente.

    Meu cachorro por exemplo entende que você está falando sobre “passear” só de você comentar a palavra no meio da frase, tanto que mudamos a frase para ele não ficar tão excitado. Agora ele tá começando a entender que “voltinha” significa a mesma coisa. Isso que o meu não conhece mais que 50…

  • Marcos Santini:

    Puxar a guia (e não coleira, são duas coisas diferentes) ensina ele parar de puxar SIM…mas o dono precisa saber fazer isso, de forma a tirar a concentração do cachorro ao continuar correndo…não adianta ficar fazendo cabo de guerra com ele. Qualquer um que tem cachorro e sabe controlar um, sabe que a guia e a forma que você tem para controlar e guiar os impulsos do cão. Basta você ser confiante e assertivo.

  • Rogerio Luiz Trevizan:

    Nr 2 também está errada. Já ensinei vários cachorros a passear com coleira.

    A 5 é contraditória: primeiro afirma: “Os cachorros não associam uma atitude que acabaram de tomar ao tratamento recebido em seguida” e no final recomenda recompensa para os acertos!!!!

    Não acredito que quem escreveu o texto tenha experiências com cachorros. Se teve, não usou de coerência no tratamento dos bichos.

    • Marcelo Ribeiro:

      Não é contraditória. Cães não entendem o significado de erro e ficam apenas confusos quando agredidos verbal ou fisicamente. Mas reforçar positivamente uma atitude qualquer é a base do reflexo condicionado estudado a muito tempo, até mesmo em humanos.

  • angelo henrique:

    muito legal, e seria mais legal ainda se eu tivesse um cachorro;)

    • Joao Mendes:

      Meu cachorro acha que quem manda na casa durante o dia sou eu, de noite a coisa se inverte.

  • Roberta Cass:

    Me desculpem, mas a número 3 está completamente errada, pelo menos aqui na NOSSA realidade. Comida cara é SIM sinônimo de comida benéfica. Não entrarei em detalhes, mas é só comparar as rações de super mercado (as chamadas standards) com rações high premium e super premium. Foster x Hill’s, chega a ser piada.

    • Ricardo Jardim:

      Concordo, hoje em dia existem no mercado rações tremendamente ruins, vide sua composição. Realmente comparar uma Royal Canin ou Hill´s com uma Foster é impossível. Nossa cadelinha, por indicação médica, em função de alergias, precisa comer uma ração hipoalergênica que custa R$ 80,00 o pacote de 2 kg. Imagina se déssemos uma ração de R$ 6,00 para ela! Claro que é um caso específico, mas ainda assim eu me recusaria a dar-lhe uma ração ultra comum para ela!

    • ichigomf .:

      Só pelos nomes cheio de “frufrús” dá para saber que é mesmo só balela.
      Conheço cães que viveram até 19 anos comendo a mesma coisa que a família comia no almoço e jantar.

    • Cristiano Quintela:

      Nunca é provei. É boa?

    • Druida:

      Na verdade não está completamente errada. Ocorre que as rações mais baratas usam ingredientes mais baratos, o que confere uma qualidade pior, mas o valor nutricional tem de ser o mesmo. A fonte de proteína pode ser de carne ou de grãos, o primeiro é mais caro que o segundo e também possui valor de digestibilidade maior. Na prática ocorre que um cão precisa consumir maior quantidade de uma ração ruim (checar o valor recomendado pelo peso do cão na embalagem) para obter os mesmos nutrientes

    • Druida:

      E isso reflete diretamente na quantidade de dejetos q ele produz, em geral, um cão alimentado com super premium digere melhor os ingredientes usados e por isso faz menos dejetos, e o saco de ração “dura” mais, enquanto q um q come biriba defeca mais e também precisa comer mais, mas ambos serão igualmente saudáveis se o dono ficar atento as recomendações da embalagem

    • Jhonnyjhoe:

      Bacon é mais caro que muitos vegetais, mas, isso não quer dizer que “Comida cara é SIM sinônimo de comida benéfica.”

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