CAPTCHA “militante” desafia você a ter uma resposta emocional correta

Por , em 27.10.2012

CAPTCHA são aquelas “letrinhas” que você tem que adivinhar corretamente quando quer ganhar acesso a alguma coisa: uma página da internet, um download, uma área de comentários, etc.

A expressão é um acrônimo da frase “Completely Automated Public Turing test to tell Computers and Humans Apart” (algo como “teste de Turing público completamente automatizado para diferenciação entre computadores e humanos”), um teste de desafio cognitivo, utilizado como ferramenta anti-spam, que foi desenvolvido pioneiramente na Universidade de Carnegie-Mellon (EUA).

A menção ao “teste de Turing” é porque ele é um teste proposto por Alan Turing em 1950 cujo objetivo era determinar se as máquinas podem exibir comportamento inteligente. No caso, o CAPTCHA é como um “teste de Turing reverso”, feito por máquinas para seres humanos.

Adivinhar alguns deles é um verdadeiro saco, já são quase impossíveis de entender. Agora, um grupo de direitos civis sugere que tornemos os CAPTCHAs mais “humanos”. A nova ferramenta gratuita é oferecida para manter sites livre de spam, bots e, de quebra, humanos que odeiam cidadania livre e igualdade (independentemente de raça, cor, sexo, religião,
nacionalidade ou deficiência).

O CAPTCHA desenvolvido pelo grupo sueco Civil Rights Defenders (Defensores dos Direitos Civis) lança uma pergunta com três possíveis respostas a uma questão emocionalmente carregada sobre direitos humanos.

As questões remetem em sua maioria a casos reais de violação dos direitos humanos. O usuário deve escolher a resposta emocional “correta” (só existe uma) entre os três sentimentos aleatoriamente fornecidos. Ou seja, não é suficiente provar que você é humano, você também deve comprovar a sua humanidade.

Por exemplo, os novos CAPTCHAs do grupo estavam programados para estrear junto com uma marcha a favor dos gays e transexuais que foi cancelada na Sérvia. Então, muitas das respostas geradas automaticamente são relacionadas aos direitos dos gays. Veja:

A pergunta, em português, é: “A polícia sérvia cancelou a parada Orgulho em Belgrado esse sábado devido a ameaças feitas por grupos extremistas de direita. Como isso faz você se sentir?”. As respostas possíveis são: “bem”, “rígido” e “muito chateado”.

Outro exemplo seria: “O parlamento de São Petersburgo recentemente aprovou a lei que proíbe ‘propaganda homossexual’. Como isso faz você se sentir?”. As respostas possíveis são: “furioso”, “bem” e “alegre”.

Eles também cobrem outras questões de direitos humanos. A maioria é relacionada a causas onde o grupo trabalha na Suécia, leste da Europa, Balcãs, Ásia Central e sudeste Asiático. Por exemplo:

“Em Kosovo, pessoas são torturadas na prisão. Como isso faz você se sentir?”, podendo responder: “esperto”, “faminto” ou “miserável” (no sentido de extremamente infeliz).

“Em 2011, a liberdade de imprensa foi fortalecida em Moldova, seguida de uma melhora geral na situação política e legal do país. Como isso faz você se sentir?”, com as possíveis respostas “muito feliz”, “agressivo” ou “triste”.

Já deu para perceber que as respostas corretas não são nenhum mistério. Se você responder que se sente “esperto” ou “faminto” com o pensamento de tortura, você é provavelmente um psicopata ou pior.

Pode ser que algumas pessoas se sintam “perdidas” por não saberem onde fica Kosovo ou Moldova, mas as perguntas são mais do que claras: não é preciso ser capaz de encontrar Moldova em um mapa para chegar a resposta esperada de que você está feliz com a liberdade de expressão.

A questão é: porque o Civil Rights lançou essa campanha? “Com mais de 200 milhões de CAPTCHAs sendo resolvidos a cada dia, esperamos que, ao pegar uma pequena quantidade dessas interações, possamos ajudar a promover e capacitar os nossos parceiros – bravos defensores dos direitos humanos, que muitas vezes se colocam em grande risco através de seu engajamento pelos direitos de outras pessoas”, o grupo disse.

É uma ideia muito nobre, de fato. Mas muitos sites teriam que adotá-la para que o conceito chegasse a um público além do que já trabalha em defesa dos direitos civis.

O CAPTCHA dos direitos humanos também tem o objetivo de educar. Cidadãos oprimidos na Sérvia, Kosovo, etc., já estão bem conscientes da sua situação, diferentemente do resto do mundo. Não sabe onde fica esses países, esses lugares, essas regiões? Pode ser a hora certa de aprender.

Segundo o Civil Rights, as perguntas serão modificadas ao longo do tempo, tanto para permanecerem atuais em relação aos acontecimentos como para aumentar a segurança do sistema, a fim de minimizar a possibilidade de análise automática dos sentimentos apresentados.

Por enquanto, a base de dados disponível é grande o suficiente para atender de maneira satisfatória às demandas.

O que você acha? Gostou da ideia? Gostaria que o Hype adotasse a ferramenta?[NBCNews]

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7 comentários

  • Jessica Mapo:

    Tendencioso, preconceituoso e uma verdadeira invasão de privacidade. E daí que alguém se sinta indiferente ao que acontece no outro lado do mundo? Desde que as ações de alguém não repercutam em algo que se torne danoso a sociedade, a opinião pessoal dele é particular. É como um racista ser racista mas conviver civilizadamente com negros. É a obrigação dele conviver pacificamente, mas a opinião pessoal dele é só dele, por mais que seja ignorante.

  • Rafael2:

    Péssima ideia; inconveniente e tendenciosa.

  • Dinho01:

    Por favor,não adotem este sistema.A intenção pode ser boa mas como já foi comentado pelos meus colegas,essa respostas podem gerar muita ambigüidade.

  • Nivas Larsan:

    Preencher captcha é uma tortura. Se o Hype adotar essa ferramente vai perder mts readers.

  • garretereis:

    Lavagem cerebral, das mais tendenciosas!

    • Gabriel Zambon:

      Concordo Plenamente, muito tendencioso, nem sempre certo e errado são coisas universais.
      E se fosse uma organização religiosa ou uma nação opressora? “Jesus é o único Salvador”, “homosexualismo não é natural”, “Devemos jejuar no Ramadã”; “Hitler é o grande herói da raça Ariana”

    • Lucas Noetzold:

      Verdade, apesar de boa parte dos direitos humanos serem realmente necessários, tem muita coisa baseada em preconceitos e reflexões tendencialistas.

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