Caracóis incríveis que parecem joias estão se extinguindo à medida que são descobertos

Por , em 31.03.2014
Plectostoma salpidomon (comprimento de concha 3 mm) rastejando em seu habitat natural em Pahang, na Malásia

Plectostoma salpidomon (comprimento de concha 3 mm) rastejando em seu habitat natural em Pahang, na Malásia

Caracóis tropicais minúsculos com belas conchas que parecem joias estão se extinguindo quase tão rápido quanto os cientistas o estão descobrindo.

Os moluscos minúsculos, que medem em média 1 a 3 milímetros de comprimento, são membros do gênero Plectostoma. 31 espécies foram encontradas na Malásia, Sumatra e Tailândia, das quais dez são novas para a ciência.

Suas conchas são elaboradas e possuem uma forma em espiral irregular, ao contrário das conchas de caracol com que estamos acostumados.

Plectostoma laidlawi (comprimento de concha 2 mm) rastejando em seu habitat natural, em Kelantan, na Malásia

Plectostoma laidlawi (comprimento de concha 2 mm) rastejando em seu habitat natural, em Kelantan, na Malásia

Uma equipe de biólogos da Malásia e da Holanda está catalogando todos os indivíduos. O principal autor da pesquisa, Thor-Seng Liew, do Centro de Biodiversidade Naturalis, em Leiden, na Holanda, passou quatro anos estudando a distribuição, forma da concha e genética destes caracóis minúsculos.

“Os caracóis são especiais por vários motivos”, diz Liew. “Primeiro de tudo, eles quebram todas as regras por terem a concha enrolada de forma muito irregular e ornamentada, fazendo-os parecer microjoias”, explica.

Liew usou um micro scanner que produz raios-X tridimensionais para investigar as formas exatas das conchas dos animais, o que lhe permitiu reconhecer as 31 espécies, e confirmar as dez novas para a ciência.

-malaysianmi

Outra peculiaridade é que os caracóis só vivem em colinas de pedra calcária. No sudeste da Ásia, existem poucas dessas montanhas, distantes entre si, de forma que as colônias são completamente isoladas. Isso tem causado muito “endemismo”: diversas espécies de Plectostoma só ocorrem em uma única colina e em nenhum outro lugar na Terra.

Mas o seu endemismo também pode ser sua ruína. Colinas de pedra calcária são alvos visados por empresas de mineração, que quando exploram a área, levam os caracóis para a sua sepultura.

Plectostoma sinyumensis

Plectostoma sinyumensis

Uma das espécies, Plectostoma sciaphilum, já está extinta: sua casa foi transformada em concreto em 2003. Destino semelhante aguarda pelo menos mais seis espécies. Uma delas, a recém-descoberta P. tenggekensis, que ocorre apenas em Bukit Tenggek, deve desaparecer completamente até o final de 2014, segundo os cientistas.

Para enfatizar a situação de perigo dessas vítimas desconhecidas, os pesquisadores estão nomeando várias das novas espécies em homenagem a conservacionistas e políticos que lutaram pela preservação dos morros de calcário da Malásia. [Phys, Wired]

Plectostoma palinhelix

Plectostoma palinhelix

 Plectostoma davisoni

Plectostoma davisoni

Plectostoma siphonostomum

Plectostoma siphonostomum

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