Cérebro de bilíngues reprime palavras negativas

Por , em 10.05.2012

Se alguém te xingar em inglês, você provavelmente vai se importar bem menos do que se fosse em português.

Essa é a conclusão de um estudo que descobriu que o cérebro de pessoas bilíngues processa palavras positivas, neutras e negativas de forma diferente: se você fala inglês e português, por exemplo, quando vê palavras positivas ou neutras em inglês, as traduz para o português. Essa resposta não existe com palavras negativas, o que sugere que elas foram reprimidas.

“Ficamos extremamente surpresos com a descoberta. Esperávamos encontrar modulação entre as diferentes palavras – e talvez uma reação elevada à palavra emocional – mas o que encontramos foi exatamente o oposto: o cancelamento da resposta às palavras negativas”, disse Guillaume Thierry, da Universidade de Bangor, no Reino Unido.

A principal descoberta científica é de que o cérebro parece processar o significado das palavras no inconsciente, já que “reteve” o significado de algumas palavras de nossas mentes conscientes.

Em dos momentos da pesquisa, entre os 15 falantes de inglês, os 15 falantes de chinês, e os 15 falantes de chinês (nativo) e inglês (segunda língua), os chineses bilíngues não processaram a informação da palavra inglesa “failure” (falha ou fracasso) no cérebro, como com a palavra chinesa.

“Criamos esta experiência para desvendar as interações inconscientes entre o processamento de conteúdo emocional e o acesso ao sistema da língua nativa. Acho que identificamos, pela primeira vez, o mecanismo pelo qual a emoção controla os processos de pensamento fundamentais fora da consciência”, disse o pesquisador Yanjing Wu, psicólogo também da Universidade de Bangor.

Então, em resumo, as pessoas não estão conscientes de que estão “reprimindo” as palavras ruins, mas o fazem mesmo assim.
Porque, os cientistas ainda não sabem, mas especulam que pode ser um “mecanismo de proteção” do nosso cérebro contra traumas.

Os pesquisadores também disseram que pessoas bilíngues normalmente respondem emocionalmente a menos palavras em sua segunda língua. Palavrões em uma língua estrangeira, por exemplo, nem sempre são tão “chocantes” quanto na nativa. Pessoas também se sentem mais confortáveis em discutir assuntos “delicados” em outra língua que não a sua.

Suprimir palavras ruins e ficar mais aberto a conversas delicadas, mesmo que numa segunda língua, são apenas mais dois benefícios do bilinguismo, que até então tem sido uma fonte de vantagens do ponto de vista científico.

Uma pesquisa recente descobriu que bilíngues têm sistemas nervosos auditivos melhores, e, consequentemente, tem melhor atenção e memória. Os cientistas concluíram que o bilinguismo serve como enriquecimento para o cérebro, com vantagens para a atenção a sons relevantes e memória de trabalho.

Outros estudos ainda mostram que os bilíngues são mais protegidos contra o mal de Alzheimer, porque exercitam o cérebro de várias formas.

E a melhor notícia de todas? Nunca é tarde demais para aprender uma nova língua.[MSN, LiveScience]

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