Cientistas detectaram um enorme buraco abaixo de uma geleira antártica

Por , em 5.02.2019

Pesquisadores descobriram uma espantosa cavidade crescendo sob a Antártica Ocidental, com quase 300 metros de altura.

Essa imensa abertura na parte inferior da geleira de Thwaites representa uma grande parte das estimadas 252 bilhões de toneladas de gelo que a Antártica perde a cada ano.

Aparentemente, a cavidade já foi grande o suficiente para armazenar cerca de 14 bilhões de toneladas de gelo. Ainda mais preocupante: perdeu a maior parte deste volume de gelo nos últimos três anos.

Isso é tão inquietante que os cientistas estão agora embarcando em uma grande expedição para aprender mais sobre a Thwaites, o que está indiscutivelmente entre as pesquisas científicas mais importantes que estão sendo conduzidas no mundo neste momento.

David Holland, um geocientista da Universidade de Nova York (EUA), alertou já ano passado ao The Washington Post: “Para o nível global do mar mudar no próximo século, a geleira de Thwaites é quase toda a história”.

Dados de radar

A Antártica está em perigo. No espaço de apenas algumas décadas, o continente perdeu trilhões de toneladas de gelo em níveis alarmantes, mesmo em locais que antes considerávamos seguros.

“Nós suspeitamos há anos que a Thwaites não estava fortemente ligada ao leito de rocha abaixo”, disse o glaciologista Eric Rignot, da Universidade da Califórnia em Irvine e do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, ambos nos EUA. “Graças a uma nova geração de satélites, podemos finalmente ver os detalhes”.

Rignot e seus colegas descobriram a cavidade usando radar de penetração de gelo como parte da Operação IceBridge da NASA, com dados adicionais fornecidos por cientistas alemães e franceses.

De acordo com as leituras, o vazio é apenas uma baixa de gelo entre um “padrão complexo de recuo e derretimento” que ocorre na geleira. Alguns setores estão recuando em até 800 metros a cada ano.

Complexo

O padrão complexo que as novas leituras revelam, que não se encaixa nos atuais modelos de geleiras ou oceanos, sugere que os cientistas têm mais a aprender sobre como a água e o gelo interagem no ambiente antártico.

“Estamos descobrindo diferentes mecanismos de recuo”, disse outro autor do estudo, Pietro Milillo, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.

Enquanto os pesquisadores ainda estão desvendando mistérios sobre as intricadas maneiras como o gelo derrete na geleira Thwaites, a cavidade gigante representa uma realidade científica simples e muito triste.

“[O tamanho de] uma cavidade sob uma geleira desempenha um papel importante no derretimento. Quanto mais calor e água sob a geleira, ela derrete mais rápido”, resume Milillo.

Nível do mar: o desastre

Isso é importante, já que a Thwaites atualmente responde por cerca de 4% do aumento do nível do mar global. Se desaparecer por completo, o gelo contido na geleira poderia elevar o oceano em cerca de 65 centímetros.

E esse sequer é o pior cenário possível.

A geleira Thwaites também mantém geleiras vizinhas e massas de gelo mais para o interior. Se essa força de sustentação sumir, as consequências poderiam ser impensáveis, razão pela qual é considerada uma estrutura natural tão fundamental na paisagem antártica.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Science Advances. [ScienceAlert]

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