Comer em casa não significa se alimentar melhor

Por , em 16.09.2010

Segundo uma nova pesquisa, cozinhar sua própria refeição pode não significar comer melhor. Os pesquisadores afirmaram ter encontrado pouca evidência de que aqueles que tipicamente ajudaram a preparar a refeição tinham dietas mais saudáveis do que aqueles que deixaram a cozinha para outra pessoa da casa.

Os resultados parecem contrariar a teoria de que pessoas que preparam suas próprias refeições geralmente comem melhor. Embora poucos estudos tenham sido feitos na área, alguns encontraram uma associação entre o envolvimento na preparação de refeições e uma melhor qualidade de dieta, em ambos adolescentes e jovens adultos.

Porém, a pesquisa recente não mostrou qualquer relação forte, embora isso não signifique que seja melhor comer refeições preparadas por outros.

O estudo envolveu 2.814 australianos com idades entre 26 e 36 anos. Dois terços das mulheres disseram ter a responsabilidade de fazer a refeição em casa nos dias de semana, e 29% dos homens afirmaram o mesmo. Outros 23% das mulheres disseram que ajudam com a preparação da refeição, assim como 27% dos homens.

Em geral, as mulheres que disseram ter ajudado na tarefa de preparação de refeições tenderam a comer mais vegetais na sua dieta do que as mulheres que evitaram a cozinha; mas a diferença era de menos de uma porção extra.

Elas relataram comer um pouco menos de duas porções de legumes por dia, em média, em comparação com 1,6 porções entre as mulheres que deixaram o trabalho de cozinhar a outra pessoa. Essa diferença é significativa em termos estatísticos, mas pequena em termos de qualidade da dieta na vida real.

Da mesma forma, homens que tinham sido os únicos responsáveis pela preparação da refeição tenderam a comer mais carne magra e carnes “alternativas” do que os homens menos cozinheiros. Mas, novamente, a diferença média foi pequena.

O que o estudo reforça é que simplesmente estar envolvido na preparação das refeições não é suficiente. Você também tem que tomar as decisões corretas e incluir alimentos saudáveis na comida que estiver preparando.

Alguns especialistas também notaram algumas limitações do estudo. Os pesquisadores apenas pediram que os participantes respondessem se ajudaram a fazer a refeição principal do dia, e qual o impacto das outras refeições sobre a qualidade alimentar global. Eles não deram aos participantes uma definição de “preparação de refeições”, o que, para alguns, pode ter significado simplesmente aquecer uma comida congelada.

Segundo os pesquisadores, o que interessa é que todos precisam estar cientes dos ingredientes que podem compor uma refeição saudável: frutas e legumes, cereais integrais, feijão, peixes, gorduras insaturadas como o azeite, e quantidades moderadas de carnes magras e aves.

Não houve nenhuma evidência de que homens e mulheres que fazem as suas próprias refeições comem menos fora de casa. E, segundo os pesquisadores, limitar essas saídas para comer é uma medida acertada. Geralmente, nesse momento as pessoas comem alimentos ricos em açúcar, gordura e sal.

A dica é de que as pessoas façam suas próprias versões mais saudáveis dos alimentos – como pizza com uma crosta de grão integral coberta com abundância de vegetais e queijo com baixo teor de gordura.

Porém, os resultados apresentados não são conclusivos. Como há pouca pesquisa sobre o envolvimento na preparação das refeições e a qualidade da alimentação, ainda não ficou claro o quão relevante estas descobertas podem ser. [Reuters]

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