Como poderemos financiar os custos incomensuráveis das viagens interestelares

Por , em 19.11.2013

Especialistas como o físico teórico britânico Stephen Hawking acreditam que a única chance que a humanidade tem de sobrevivência no novo milênio é espalhando-se pelo espaço.

O argumento de Hawking é de que a população e seu uso dos recursos finitos do planeta Terra estão crescendo exponencialmente, junto com sua capacidade técnica para mudar o ambiente, para bem ou para mal. Porém, como nosso código genético ainda carrega os instintos egoístas e agressivos que foram nossa vantagem de sobrevivência no passado, é provável que consigamos evitar um desastre nos próximos cem, mil ou um milhão de anos.

Para os futuristas, cenários apocalípticos abundam – de desastres ambientais à superpopulação e uso de armas nucleares, parece que nosso fim é desgraça e tristeza.

No entanto, de acordo com os colaboradores do “Starship Century” (coleção de argumentos e ficção científica sobre viagem interestelar) Freeman Dyson, Martin Rees e Geoffrey Landis, a ciência que nos trouxe à beira da destruição também pode conter as sementes da salvação. Descobrir como construir uma nave espacial capaz de sobreviver a viagens interestelares também pode nos ajudar a compreender como sobreviver na Terra, se o ambiente se tornar hostil à vida como a conhecemos.

Marc Millis, criador da Fundação Tau Zero e ex-chefe da física de propulsão da NASA, disse que a investigação inicial necessária para determinar o foco e escopo de um programa espacial interestelar pode ser feita com pouco dinheiro. “Nós provavelmente estamos falando de um investimento de menos de US$ 10 milhões (cerca de R$ 23 mi) por ano”, disse.

Mas os esforços para colocar novas teorias em prática, construir e testar veículos espaciais podem rapidamente adicionar trilhões de dólares a essa conta. Robert Zubrin, engenheiro aeroespacial e cofundador da Mars Society, estima que poderia custar US$ 125 trilhões de dólares (cerca de R$ 283 tri) para construir uma nave capaz de viajar a 10% da velocidade da luz, levando algumas dezenas de humanos.

Devemos então concluir que a viagem interestelar está fora do nosso alcance com base apenas no seu custo absurdo?

O futurista Peter Schwartz, um dos pioneiros em planejamento de cenários, acredita que não necessariamente. Ele estabelece panoramas pelos quais fundos poderiam se materializar para a realização de viagens interestelares. Por exemplo:

  1. Estados-nação podem ter que responder à crise. As coisas podem ficar tão ruins na Terra que os governos das principais nações serão estimulados a agir. Coalizões de países ricos reunirão seus recursos e lançarão naves a planetas habitáveis. Esse cenário funciona com naves nas quais os seres humanos viajam em “estase” (o estado no qual o fluxo normal de um líquido corporal para, por exemplo, o fluxo de sangue através dos vasos sanguíneos), ou naves de geração, onde os seres humanos vivem até que, de geração em geração, lentamente, seus parentes chegam a outra galáxia.
  2. Religiões do mundo podem assumir a liderança. Superpopulação é acompanhada por um crescimento da religião organizada. Cidades podem ser substituídas por arcologias, enormes habitats autossustentáveis. Enquanto isso, nós finalmente encontraremos sinais de vida inteligente em outros lugares do universo. As maiores religiões competirão para lançar projetos missionários interestelares.
  3. Trilionários e seus brinquedos podem entrar em ação. Uma população cada vez menor controla um planeta extremamente rico. É uma época de computação quântica, reatores de fusão, biologia sintética e energia solar altamente eficiente. O crescimento médio global de 5% pode levar a uma duplicação da riqueza a cada 15 anos, enquanto avanços na extensão da vida levam a pessoas que vivem além de 150 anos. Por 2200, o mundo será mil vezes mais rico do que é hoje, e terá metade do número de pessoas. Assim como os ricaços atuais voltam sua atenção para projetos espaciais e de extensão da vida, também farão os trilionários de amanhã.

Ao falar sobre cenários para o financiamento de viagens interestelares, é difícil escapar da ficção científica. Ainda assim, como Schwartz lembra, ninguém teria imaginado há dez anos os papéis predominantes que magnatas de negócios como Richard Branson, Jeff Bezos e Elon Musk estão desempenhando em programas espaciais atualmente. Sendo assim, nem tudo é fantasia.

“Há muitos cenários possíveis, com diferentes motivações, formas de propulsão, níveis de população”, disse Schwartz. “Há muitas maneiras de se fazer isso. Não há uma única resposta certa”.

É esperar para ver (ou viver). [Forbes]

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7 comentários

  • franobre:

    Concordo com a idéia de que é inviável a longuíssimo prazo a nossa permanência unicamente aqui na Terra, mesmo que a humanidade se torne o suprasumo da consciência humanística e ecológica, mesmo que resolvamos as enormes diferenças econômicas e sociais e acabemos com qualquer divergência filosófica ou religiosa. Mesmo assim, há a natureza que conspira contra nós e que pode inviabilizar nossa permanência ad-infinitum na Terra. Porém, dada essa experiência perigosa de viver prostrado em um planeta errático, sujeito a toda sorte de acidentes de percurso, acho que essa pretensa futura humanidade terá, além de colônias mais ou menos temporárias em diversos planetas e luas, naves gigantescas que simulem exatamente nossos habitats (não como o são hoje, mas de acordo com nossas as novas necessidades dos humanos de milhares de anos no futuro) e possam se deslocar para onde precisarmos ou desejarmos, o que não nos deixará mais sujeito a asteróides, cometas, explosões solares, estelares ou falta de recursos ou suprimentos.

  • Cesar Grossmann:

    Construir naves interplanetárias é uma necessidade — se ficarmos aqui, teremos o mesmo fim dos dinossauros.

    • Edir Marcelo Zucolli:

      Naves interplanetárias não bastam. Precisamos de naves interestelares ou intergalácticas, pois os planetas vizinhos são impróprios e não temos certeza se os exoplanetas podem abrigar formas de vida como nós. O pior de tudo é que não há tempo para atingirmos tal patamar tecnológico e escapar da vindoura extinção em massa. Basta um derrame basáltico continental ou um asteroide orbitando fora do plano da elíptica para que possamos dizer: GAME OVER.

  • Edir Marcelo Zucolli:

    Viajar pelo espaço vai ser muito difícil, mas, por ora podemos viajar orgulhosamente pela maionese! Falando sério, até parece que alguém vai se dispor a financiar algo assim, a menos que se tenha a certeza de um régio retorno monetário. Retorno duvidoso, caso os conquistadores “queimem
    as caravelas” assim que chegarem ao “Novo Mundo”.

    Que foco equivocado, considerando-se o pouco que sabemos das profundezas oceânicas, estas sim, repletas de tesouros.

  • Hercules Lima:

    O que está destruindo gradualmente nosso planeta é a ganância e o egoísmo das grandes empresas e governos. A falta de respeito ao meio-ambiente e ao próximo está consumindo recursos cada vez mais rapidamente, além de gerar mais detritos como lixo. Habitar outro planeta ou a Lua vai parecer como fugir de uma guerra indo para um deserto. Não poderemos habitar na superfície de outros planetas que não tenham uma atmosfera semelhante à nossa, não paenas pela questão do oxigênio, mas por causa da proteção contra meteoros e meteoritos que destruiriam qualquer forma de construção. Teríamos que habitar no subsolo. O custo de uma nave convencional à base de combustível líquido é altíssimo, mas ainda não se estudou exaustivamente outros meios de propulsão. Por exemplo, usando energia cósmica concentrada e amplificada. Essa idéia já existia há mais de 100 anos através de Nikola Tesla. Estou tentando desenvolver um protótipo com esse princípio, mas está difícil.

  • Tom:

    É impressão minha ou a nave da representação artística se chama mesmo UFC voyager? quem sabe não será o parente do Anderson Silva do futuro a encontrar um novo planeta com um novo espécime a desafiar?

  • Tom:

    “Religiões do mundo podem assumir a liderança” nada seria tão engraçado quanto os novos jesuítas explorando o universo com suas naves espaciais que eles provavelmente chamariam de arcas, e quanto alguma criança dissesse: veja aquele planeta girando entorno daquela estrela. o “jesuitanauta” o acertaria com uma bíblia e grasnaria: na verdade o planeta está girando entorno de nós, seu insolente.

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