É possível ter vida em Marte, de acordo com pesquisador

Por , em 12.10.2019

Na publicação Scientific American foi divulgado texto de Gilbert V. Levin, que participou de experimento de detecção de vida chamado Labeled Releasse (LR) na missão Viking da Nasa para Marte, em 1976. O autor da publicação é engenheiro, inventor e foi o principal pesquisador do experimento LR na década de 1970.

Os resultados iniciais enviados de Marte foram positivos. Duas sondas pousaram 6 mil quilômetros distantes uma da outra e enviaram quatro respostas com base em cinco variáveis. Os dados indicaram a detecção de respiração microbiana. As curvas de dados provenientes de Marte eram semelhantes àquelas produzidas por testes da LR em solos da Terra.

Entretanto, quando o Experimento de Análise Molecular da Viking não detectou matéria orgânica, a NASA concluiu que o LR havia encontrado uma substância que apenas imitava a vida. Nos próximos 43 anos a NASA enviou missões a Marte para apenas identificar se lá havia habitat adequado à vida sem, no entanto, carregar instrumento de detecção de vida.

O administrador da NASA, Jim Bridenstine falou, em fevereiro deste ano, que poderia ser encontrada vida microbiana em Marte. A detecção de vida naquele planeta ganhou importância com a intenção, dos Estados Unidos, de enviar astronautas para lá, uma vez que a presença de vida pode ameaçar aqueles que forem enviados a Marte, e os que estão aqui, quando eles voltarem.

Elementos que possibilitam a existência de vida em Marte

Embora possa parecer difícil ter vida em Marte, cada vez que um cometa ou meteorito atinge um planeta, material daquele lugar é lançado ao espaço. Isso quer dizer que vida microbiana pode ter passado da Terra para Marte. Além disso, em laboratório, já foi comprovado que há microorganismos que conseguem sobreviver no ambiente característico de Marte.

Tanto antes quanto depois da Viking, diversas execuções foram realizadas com solo terrestre e culturas microbianas, em laboratório e também em ambientes naturais. Nunca foram obtidos resultados falso positivos ou falso negativos. Esses dados conferem confiabilidade aos dados obtidos pela LR em Marte, mesmo que a interpretação ainda seja debatida.

Outros fatores indicam a possibilidade de existir vida microbiana em Marte. Essas evidências foram obtidas pela Viking, por missões subsequentes ou descobertas na Terra:

  • Águas superficiais foram encontradas em quantidade suficiente para sustentar microorganismos em Marte pelas missões Viking, Pathfinder, Phoenix e Curiosity;
  • A ativação ultravioleta (UV) do material da superfície marciana não causou, como proposto inicialmente, a reação detectada no LR: uma amostra colhida sob uma rocha de proteção UV era tão ativa no LR como amostras de superfície;
  • Foi relatada a presença de materiais orgânicos complexos, em Marte, pelos cientistas da Curiosity, possivelmente incluindo o querogênio, que poderia ser de origem biológica;
  • As missões Phoenix e Curiosity encontraram evidências de que o antigo ambiente marciano pode ter sido habitável;
  • O excesso de carbono-13 em relação ao carbono-12 na atmosfera de Marte representa indício de atividade biológica, que prefere ingerir o último;
  • A atmosfera de Marte está em desequilíbrio: o CO2 do planeta deveria ter sido convertido em CO pela luz UV do Sol. Consequentemente o CO2 é regenerado, possivelmente, por microorganismos como na Terra;
  • Microrganismos terrestres sobreviveram no espaço exterior fora da ISS;
  • Provavelmente micróbios viáveis ​​ejetados da Terra chegaram a Marte;
  • Metano foi medido na atmosfera marciana; a fonte pode ser metanógenos microbianos;
  • O rápido desaparecimento do metano da atmosfera marciana exige um sumidouro, possivelmente fornecido por metanotróficos que possam coexistir com metanogênios na superfície marciana;
  • Luzes fantasmagóricas em movimento formadas por ignição espontânea de metano, foram registradas em vídeo na superfície de Marte;
  • Há alegações de que formaldeído e a amônia, possivelmente indicativos de biologia, estão presentes na atmosfera marciana;
  • Uma análise de complexidade independente do sinal LR positivo identificou-o como biológico;
  • As análises espectrais de seis canais realizada pelo sistema de imagens da Viking encontraram líquen terrestre e manchas verdes nas rochas de Marte com a mesma cor, saturação, matiz e intensidade;
  • Uma figura que lembra um verme estava em imagem registrada pelo Curiosity;
  • Grandes estruturas semelhantes a estromatólitos terrestres (formadas por microorganismos) foram encontradas pelo Curiosity. De acordo com análise estatística das características complexas dessas estruturas, há menos de 0,04% de probabilidade de que a similaridade tenha sido causada somente pelo acaso;
  • Nenhum fator adverso à vida foi encontrado em Marte. [Scientific American]

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