Estudo revela porque rimos de piadas “desagradáveis”

Por , em 11.08.2010

Uma nova pesquisa ajuda a explicar porque a comédia bruta, mesmo quando envolve assuntos como morte ou tabus morais, pode fazer as pessoas rirem. As pessoas podem achar piadas desagradáveis engraçadas se elas saírem de alguma forma como benignas, sem ferir alguém ou alguma coisa, segundo o estudo.

Teorias do humor dizem que nós achamos coisas incongruentes e alívio da tensão engraçados. Mas, ressaltam os pesquisadores, matar sem querer um ente querido, por mais que seja incongruente e um exemplo de liberação de tensão, é improvável que seja engraçado.

Os cientistas então criaram três critérios para explicar por que as coisas são engraçadas: a anedota ou o cenário tem que ser incongruente (violar algumas normas morais ou sociais, tais como ter relações sexuais com uma galinha morta, por exemplo), benigno, e conciliável. Em outras palavras, a piada tem que ser repugnante por violação moral e simultaneamente benigna.

Os pesquisadores testaram suas idéias em experimentos. Em um deles, os voluntários leram duas versões de uma piada: uma descrição da empresa Jimmy Dean usando um rabino como porta-voz de uma nova linha de produtos de carne de porco, ou Jimmy Dean contratando um fazendeiro como porta-voz. Os participantes estavam mais propensos a rir ao ler a situação que envolvia a violação moral – do rabino promover carne de porco – ao pensar que era “errado” em comparação com a outra versão da piada.

Em outro experimento, os participantes leram uma piada na qual um homem esfrega seus genitais contra um gatinho. Alguns leram uma versão em que o gatinho “ronrona e parece apreciar o contato”, enquanto outros leram uma versão em que o gatinho “lamenta e parece não apreciar o ato”.

A maioria dos participantes, independentemente da versão que leram, julgou o ato errado (72%) e repugnante (94%). No entanto, eles estavam mais entretidos com a versão inofensiva (quando o gatinho gosta de ação) do que a prejudicial – 61% contra 28%.

No cenário inofensivo, o homem da história viola uma norma moral relacionada com a bestialidade, explicam os pesquisadores. Mas desde que ninguém seja prejudicado, o comportamento também é aceitável de acordo com uma norma baseado nos danos, levando à risada.

Distância mental de uma violação também pode fazer com que ela pareça inofensiva. Em outro experimento, os participantes foram preparados para ter uma mentalidade perto do assunto psicologicamente, ou distante, traçando coordenadas cartesianas: pontos muito próximos um do outro, ou mais espalhados. Em seguida, os participantes leram sobre um homem que teve relações sexuais com um frango antes de cozinhá-lo e comê-lo. A maioria dos participantes achou a piada nojenta.

No entanto, aqueles do grupo distante psicologicamente eram mais propensos a pensar que o ato sexual também era engraçado comparado com o grupo próximo psicologicamente: 73% contra 39%.

A distância do real pode fazer a piada ser muito mais engraçada. Segundo os pesquisadores, as pessoas riem quando um amigo bate no outro, porque sabem que eles não serão realmente feridos. É uma violação das normas sociais. Você não pode bater nas pessoas, principalmente em um amigo. Mas na piada, tudo bem porque não é real.

As descobertas podem também explicar por que os filmes de comédia tendem a ter mais sucesso em sua cultura de origem. As formas com que as violações podem ser benignas diferem de cultura para cultura. A comédia que é engraçada em muitos lugares tende a envolver muito humor físico.[LiveScience]

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3 comentários

  • Ivan Ferrer:

    Eu penso que o humor que mais nos faz rir é algo natural que ridiculariza o senso comum de coisas que nós estamos acostumados a rir e achar graça, independente do que é ser engraçado, o ser humano está acostumado a rir da desgraça alheia, mas o que faz tudo ser engraçado é a naturalidade e o peso do absurdo que existe numa situação, principalmente quando a piada está ligada a fatos que fazem parte do nosso cotidiano. Já as piadas forçadas / fabricadas tendem a nos forçar a rir, ou seja, nosso cérebro procura processar algo que provoque nosso próprio humor interior, algo que nos motive a rir daquilo, para que possamos participar e contrin]buir com um evento ou situação, embora muitas vezes o efeito repetitivo de algo que nos force a rir, provoque meio que por osmose, uma necessidade automática de colocarmos para fora nosso bom humor, isso não é necesariamente uma regra, é tudo muito relativo à cada situação e a cada pessoa, então não podemos determinar o que é realmente “engraçado”, isso vai dependert também tanto do estado de espírito de cada um, como da figura que irá interpretar, tem pessoas que só pelo fato de existirem já são engraçadas, nem precisam se esforçar para nos fazer rir, basta serem elas mesmas… e isso acontece muito por aí… kkkk

  • Curioso:

    Eu gosto muito de humor negro. Mas por poder ser ofensivo, deve ser apreciado às escuras, hehe.

  • Douglas Miranda:

    A piada realmente engraçada geralmente fala sobre uma verdade. O problema é que a verdade num país como o nosso costuma ser inconveniente. É por isso que foi proibido humor relacionado à política… Os políticos nos faz chorar. Com a mesma matéria-prima o humor nos faz rir.

    Vamos imitar o Sílvio Santos e fica tudo bem.

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