O experimento que provou: qualquer país pode criar uma arma nuclear

Por , em 9.06.2013

Você tem, por exemplo, 10 anos de sobra? Então você provavelmente poderia projetar uma arma nuclear funcional. Isso é o que indica uma experiência um tanto estranha, realizada na década de 1960 pelo governo dos Estados Unidos.

Na década de 1960, com a Segunda Guerra Mundial finalizada a algum tempo, os Estados Unidos e a União Soviética ainda estavam em um longo conflito: a Guerra Fria. Ambos os países estavam nervosos, sabendo que cada um tinha projetado e construído armas nucleares. Pelo menos, no entanto, eram os únicos dois países que poderiam controlá-las. Mas quanto tempo levaria até o próximo país construir uma arma? Isto preparou o palco para uma estranha experiência, conduzida pelos Estados Unidos.

Os Estados Unidos foram o primeiro país a desenvolver armas nucleares. A União Soviética foi o segundo. Qual país seria o próximo? Não havia dados disponíveis sobre a ideia ainda. O desenvolvimento da bomba atômica dos Estados Unidos aconteceu em circunstâncias extraordinárias – incluindo a de não saber se a ideia era mesmo possível. A União Soviética não falava sobre como eles chegaram a sua bomba – embora naquela época os EUA sabiam que havia espiões russos no Projeto Manhattan.

O experimento americano foi feito para estimar qual a probabilidade de qualquer outro país chegar ao mesmo processo.

Em 1964, os EUA escolheram três jovens estudantes de física que já tinham doutorados, mas sem qualquer formação específica sobre armas. Eles receberam um salário, uma equipe de suporte básico e toda a informação disponível ao público sobre armas nucleares, e tiveram que (tentar) projetar uma bomba nuclear.

Os Estados Unidos queriam saber se um pequeno número de pessoas brilhantes, com motivação suficiente e o conhecimento de que tais bombas são possíveis poderia apresentar o projeto certo.

Ninguém teve que esperar muito tempo. Em 1967, os doutores apresentaram aos funcionários do experimento um projeto que todos os envolvidos concordaram: era uma bomba atômica funcional. Com uma equipe maior, ou um pouco mais de experimentação, não levaria muito tempo para algo que já era letal se aperfeiçoar.[io9]

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8 comentários

  • João Pedro:

    Só não temos “a bomba” porque isto nos traria mais prejuízos diplomáticos do que benefícios.

    • Lucas Samuel:

      O que te garante que “nós” não temos? Nunca se tem certeza dessas coisas, vocês lembram o que dizia o titio Maquiavel?

  • Luiz Vicentine Del Pavarone:

    A muito tempo o brasil já possui tecnologia para construção de bombas
    nucleares. como o submarino nuclear que já está quase pronto com tecnologia 100% brasileira, também já foram realizados testes nucleares no subsolo brasileiro o poblema é os americanos que utilizam
    diversas manobras para impedir que o brasil consiga lançar seu foguete na base de alcântara… enfim é mantida, sob segredo de Estado, no Instituto Militar de Engenharia do Exército, a tecnologia para desenvolver uma bomba atômica, semelhante, ao modelo da ogiva nuclear norte americana W-87

  • Antonio Braga:

    HÁ, algum tempo, por favor. Verbo haver, e não artigo. Isso virou uma praga!

  • Orlando Rios:

    Construir bomba é fácil, dificil é conseguir ou processar material fissil ou nuclear, pois é tudo altamente controlado por acordos internacionais. Cada grama de urânio é administrada e controlada, inclusive os rejeitos das usinas.

  • Michel Wilhelm:

    Por isso amo física hahah mas não é necessário construir uma bomba para provar que pode ser feita. Brasil inclusive tem capacidade de produzir (se fosse necessário é claro) em torno de 9 bombas por ano, inclusive por que temos o melhor sistema de enriquecimento de urânio do mundo

    • Saprugo:

      Pelo que sei, atualmente apenas dois processos de enriquecimento de urânio são comercialmente viáveis: difusão gasosa e ultracentrifugação. E a tecnologia das ultracentrífugas do Brasil são, ao que me consta, um dos mais eficientes, senão o mais eficiente dos métodos para enriquecimento de urânio em uso atualmente, tanto para combustível de usinas nucleares (arranjo em paralelo – grande massa e baixa concentração de isótopos U235) ou fins bélicos (arranjo em série – pequena massa e alta concentração de isótopos U235). E o país que teve um acordo com o Brasil no meio dos anos 70, para cooperação em transferência de tecnologia de enriquecimento de urânio, pelo método de ultracentrifugação, foi a Alemanha, e foi a partir de uma ultracentrífuga alemã que foi desenvolvida a tecnologia atual. Também li que a levitação magnética usada nas ultracentrífugas brasileiras, para resolver o problema do atrito devido as altíssimas velocidades de rotação requeridas pelo método, é tecnologia exclusiva do Brasil. Corrijam-me se eu estiver errado.

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