Nossa felicidade depende da felicidade dos outros

Por , em 22.06.2016

Uma nova equação, mostrando como a nossa felicidade não depende apenas do que nos acontece, mas também de como isso se compara com outras pessoas, foi desenvolvida por pesquisadores da University College London (UCL), na Inglaterra.

A equipe desenvolveu uma equação para prever a felicidade em 2014, destacando a importância das expectativas, e a nova equação atualizada também leva em conta a sorte de outras pessoas.

O estudo, publicado na revista Nature Communications, descobriu que a desigualdade diminui a felicidade média. Isto era verdade tanto se as pessoas estavam se saindo melhores ou piores do que outra pessoa que acabaram de conhecer. Os sujeitos no estudo apostavam para tentar ganhar dinheiro e viam se a outra pessoa ganhava ou perdia as mesmas apostas. Em média, quando alguém ganhava uma aposta, ficava mais feliz quando o seu parceiro também ganhava a esma aposta, em comparação com quando seu parceiro perdia. Esta diferença poderia ser atribuída à culpa. Da mesma forma, quando as pessoas perdiam uma aposta, ficavam mais felizes quando o seu parceiro também perdia, uma diferença que poderia ser atribuída à inveja.

Prevendo a generosidade

“Nossa equação pode prever exatamente o quanto as pessoas ficarão felizes, baseada não só no que acontece com elas, mas também no que acontece com as pessoas ao seu redor”, explica um dos coautores do estudo, o Dr. Robb Rutledge, do Instituto de Neurologia e do Centro de Psiquiatria Computational e Pesquisa sobre Envelhecimento da UCL. “Em média, nós ficamos menos felizes quando os outros obtêm mais ou menos do que nós, mas isso varia muito de pessoa para pessoa. Curiosamente, a equação nos permite prever quão generoso um indivíduo será em um cenário separado quando eles são convidados a dividir uma pequena quantidade de dinheiro com outra pessoa. Baseados exatamente em como a desigualdade afeta a felicidade, podemos prever quais indivíduos vão ser altruístas”.

Para o estudo, 47 voluntários que não se conheciam completaram várias tarefas em pequenos grupos. Em uma delas, eles foram perguntados se gostariam de dividir anonimamente uma pequena quantidade de dinheiro com outra pessoa que acabaram de conhecer. Em outra tarefa, eles fizeram apostas monetárias que poderiam ganhar ou perder, e foram informados de que eles iriam ver o que outra pessoa recebia da mesma aposta. Desta forma, os indivíduos poderiam conseguir o mesmo ou diferentes resultados de um dos parceiros sociais, às vezes ganhando mais e, por vezes, recebendo menos. Ao longo deste experimento, os participantes foram convidados a descrever quão felizes estavam em intervalos regulares.

Os resultados mostraram que a generosidade das pessoas não dependia de qual parceiro era ou qual o parceiro que elas disseram preferir. Isso sugere que as pessoas estavam agindo de acordo com traços de personalidade estáveis, em vez de sentimentos específicos sobre o outro participante. Em média, as pessoas cuja felicidade foi mais afetada por ganhar mais do que outros, algo que pode se relacionar com a culpa, deram 30% do dinheiro. Aqueles que foram mais afetados por receber menos do que os outros, algo que pode se relacionar com a inveja, deram apenas 10%.

Culpa x inveja

“Nossos resultados sugerem que a generosidade para com estranhos diz respeito à forma como a nossa felicidade é afetada pelas desigualdades que experimentamos em nossa vida diária”, diz Archy de Berker, do Instituto de Neurologia da UCL, coautor do estudo.

“As pessoas que deram metade de seu dinheiro quando tiveram a oportunidade não mostraram nenhuma inveja quando experimentaram a desigualdade em uma tarefa diferente, mas mostraram muita culpa. Por outro lado, aqueles que mantiveram todo o dinheiro para si não apresentaram nenhum sinal de culpa na outra tarefa, mas exibiram um monte de inveja. Esta é a primeira vez que a generosidade das pessoas foi diretamente ligada à forma como a desigualdade afeta a sua felicidade. Economistas têm tido dificuldade em explicar por que algumas pessoas são mais generosas do que outras, e o nosso experimento oferece uma explicação. A tarefa pode vir a ser uma forma útil de medir a empatia, o que poderia oferecer uma visão sobre distúrbios sociais, tais como transtornos de personalidades. Tais métodos podem nos ajudar a compreender melhor certos aspectos desses transtornos, como a indiferença para com o sofrimento dos outros”. [Phys.org]

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6 comentários

  • Jean Carvalho:

    Que a nossa felicidade depende da felicidade alheia, até aí tudo bem… o duro é acreditar numa Equação q demonstra isso… xD

    • Cesar Grossmann:

      Incrivelmente, dá para quantizar estas coisas. Por exemplo, se você fizer uma pergunta para um monte de pessoas, “você é feliz”, e aceitar respostas como “sim”, “não”, “não sei”, “não quero responder”, você vai ter dados sobre a quantidade de gente feliz e infeliz, por exemplo.

    • Rua:

      Nesse exato momento existem algoritmos controlando a felicidade das pessoas no facebook, p. exemplo.

  • Douglas Wilson:

    Há mais felicidade em dar a outros do que receber – Jesus Cristo (não tirando o mérito científico obviamente)

    • Rua:

      Há mais felicidade ainda em dar aos outros e receber – Bruna Surfistinha

    • Jean Carvalho:

      Entendi, Cesar… mas aí seria montar algo como a amostragem de uma pesquisa, não? Imagino q para montar a equação Mesmo, já dê + trabalho..

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