Fotógrafo inverte os papéis de gênero em propagandas vintage sexistas, e os homens não vão gostar do resultado

Por , em 18.01.2018

Embora ainda exista preconceito de gênero no mundo todo – não, aqui não tem espaço para negadores do machismo, tanto quanto não há espaço para negadores da mudança climática -, o sexismo de fato já foi pior em décadas passadas.

Especialmente nos anos 1950, a imagem da mulher perfeita frequentemente era encarnada em uma esposa diligente, passiva, escravizada o dia todo, sujeita a punições emocionais e corporais, mas com um constante sorriso no rosto, é claro.

Esta imagem se refletiu muito nos anúncios dessa época, considerados hoje vintage.

Inspirado por tais peças, o fotógrafo e editor de vídeo Eli Rezkallah, de Beirute, no Líbano, decidiu criar uma série chamada “In A Parallel Universe” (em tradução literal, “Em Um Universo Paralelo”), no qual inverte os papéis de gênero retratados nessas propagandas para revelar o absurdo de tais estereótipos com humor.

Antes x hoje

Infelizmente, o que motivou Rezkallah a criar esse projeto foi uma exibição recente de machismo.

“No último Dia de Ação de Graças [um feriado celebrado em novembro], escutei meus tios falarem sobre como as mulheres são melhores quando estão cozinhando, cuidando da cozinha e cumprindo ‘seus deveres femininos’”, escreveu em seu site. “Embora eu saiba que nem todos os homens são como meus tios e pensam dessa maneira, fiquei surpreso ao saber que alguns ainda são, então eu imaginei um universo paralelo, onde os papéis são invertidos e os homens têm um gosto de seu próprio veneno sexista”.

Para saber mais sobre o seu trabalho do libanês, acesse elirezkallah.com.

Hardee’s – “Mulheres não saem da cozinha!”

Neste anúncio, um restaurante chamado Hardee’s nos lembra que “o lugar da mulher é na cozinha”, mas convida homens que ainda não têm uma esposa para cozinhar para eles que venham até o estabelecimento.

Van Heusen – “Mostre para ela que o mundo é dos homens”

Essa propaganda de gravatas garante que as estampas utilizadas nos seus produtos deixam claro para as mulheres que o mundo é dos homens – e ainda as deixam felizes por isso.

“Você quer dizer que uma mulher consegue abri-lo?”

Essa propaganda de ketchup indica a fragilidade da garrafa, que até uma mulher pode abrir.

Chase & Sanborn – “Se seu marido descobrir…”

Esse anúncio da marca de café Chase & Sanborn sugere que seu marido vai te bater se souber que você não está comprando o café mais fresco possível, ou seja, o dela.

Mr Leggs – “É ótimo ter uma garota em casa”

Essa propaganda é de uma marca de calças compridas. Aparentemente, as calças tornam mulheres em capachos.

Schlitg – “Não se preocupe, querida, você não queimou a cerveja”

Nossa, como você é compreensivo, marido.

Hoover – “Na manhã de Natal, ela estará mais feliz com uma Hoover”

Um aspirador de pó é o presente dos sonhos de qualquer mulher.

Lux – “Saia da cozinha mais cedo!”

Essa propaganda de detergente sugere que as mulheres podem lavar toda aquela louça muito mais rápido com o seu produto. Pelo anúncio, eu imaginaria que, se acabarem logo, quem sabe podem ir relaxar com seus maridos e filhos depois. Quem sabe.

Chemstrand – “Estamos empurrando malha collant”

Essa marca de nylon usou um trocadilho – “empurrando” no sentido de estarem incentivando o uso – para promover sua malha collant. A mão na bunda de uma garota é simplesmente porque sim.

Mr Leggs – “Que bom que ele manteve a cabeça”

Essa inspiradora marca de calças ataca novamente com mais um anúncio absurdamente agressivo, no qual usa um trocadilho para sugerir que homens devem punir mulheres por coisas extremamente relevantes, como “demonstrar muito carinho” e “usar uma calça de uma marca rival”. [BoredPanda]

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2 comentários

  • Patrícia Road:

    A ideia foi bacana, mas o homem nessas imagens ficou meio afeminado. Deu noção de que ele “vestiu” o feminino para representar a submissão. Em outras palavras, não mudou nada.
    A imagem 1, por exemplo, a cozinha deveria ter sido retratada com um estilo bem rústico. Na imagem 2, a mulher usa gravata, como se ela precisasse usar uma vestimenta masculina para se sentir dominante.

    Colocar o homem usando rosa apenas fará as pessoas o associarem – de forma pejorativa – aos gays, e não aos héteros. Como eu disse, a ideia foi boa, mas o idealizador continuou preso nos mesmos padrões sexistas.

    • Cesar Grossmann:

      Acho que a ideia era essa mesma…

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