Má fama: Reino Unido recupera tempo perdido para cuidar do meio ambiente

Por , em 20.05.2011

Berço da Revolução Industrial e herdeiro da cultura de obtenção de energia através de fontes pouco sustentáveis como o carvão mineral, o Reino Unido quer mudar sua fama. O país foi o primeiro do mundo a se comprometer legalmente na redução das emissões de gases nocivos a longo prazo.

No Reino Unido, acabou de ser aprovado o quarto orçamento de carbono, que abrange o período de 2023-7. Essa meta de 16 anos vai bem além dos objetivos definidos pela União Europeia, por exemplo.

Funciona assim: as nações possuem um “orçamento de carbono”, determinado pelo Comitê sobre Mudança Climática. Essa é a quantidade total de gases de efeito estufa que o país pode liberar ao longo de um período de cinco anos. Há um pouco de espaço de manobra no comércio de carbono, mas é certamente processo mais complicado do que as simples transações financeiras.

A Lei de Mudanças Climáticas, por sua vez, define as regras pelas quais os governos devem agir – e os países devem ter razões muito boas para divergir do parecer da lei.

Críticos do mundo todo, porém, questionam a eficácia jurídica de todo essa esquema, uma vez que ninguém é processado ou vai para a prisão se as metas forem excedidas.

Em todo caso, outras nações já estão de olho no sistema implementado pela terra da rainha. Em dezembro do ano passado, a Irlanda publicou um projeto de lei de mudança climática com muitas das características da lei britânica. Hungria, Finlândia e Alemanha também discutem estabelecer leis semelhantes.

Além disso, as delegações do Reino Unido não se limitaram à realidade do próprio país. Foram apresentadas ideias possíveis de serem aplicadas em mais de 20 países, tanto do mundo desenvolvido quanto do em desenvolvimento, nos continentes desde a América do Norte até a Ásia. Isso porque a estratégia energética sustentável é um modelo que não funciona em todos os lugares.

Se o modelo britânico já visando o ano de 2037 dará certo, só o tempo nos dirá. O mesmo vale para os países vizinhos que têm o objetivo de seguir a linha do Reino Unido. A tarefa mais difícil, por enquanto, parece ser a de convencer todos os envolvidos no desafio a obedecer o limite estabelecido e reduzir as emissões para o bem comum.[BBC]

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1 comentário

  • Elizabeth:

    Parabéns ao Reino Unido pela atitude. Sei que o príncipe Charles é ambientalista e é bom saber que o governo do Reino Unido está se empenhando em preservar o meio ambiente.
    Espero que outros países sigam o exemplo e que haja respeito às regras ou punição se as metas forem excedidas (infelizmente as coisas só funcionam com punições).

    Enquanto isso no Brasil, governo federal incentivou a compra de automóveis (em nome do progresso), o desmatamento cresce assustadoramente (e ministra diz que isso é “absolutamente inusitado”) e de quebra querem aprovar um novo código florestal que é incentivo a novos desmatamentos ilegais.

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