Mais um sucesso do programa espacial brasileiro em 2012

Por , em 17.12.2012

Por Mustafá Ali Kanso

Outro importante passo para o Programa Espacial Brasileiro foi realizado em 8 de dezembro último, com o lançamento do foguete de sondagem VS-30/Orion realizado pela Agência Espacial Brasileira no Centro de Lançamentos de Alcântara (CLA) no Maranhão.

Sendo o último estágio da Operação IGUAÍBA o lançamento foi realizado às 20 horas (horário de Brasília) num voo preciso de 680 segundos com um apogeu de cerca de 450 km e um percurso total de 335 km. Uma equipe de mais de 200 profissionais foi envolvida na Operação.

A carga útil embarcada foi composta por diversos instrumentos científicos e tecnológicos como parte do programa de:

  • Estudos da ionosfera e alta atmosfera do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Agência Espacial Brasileira (AEB).
  • Desenvolvimento de sistema GPS para uso espacial, realizado em cooperação entre a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)

O VS-30/ORION V10 é um foguete de 8.870 mm de comprimento composto por dois estágios e o módulo de carga útil. O motor do segundo estágio (Improved Orion) foi fornecido pelo Centro Espacial Alemão (DLR), que está como parceiro na campanha.

O restante do veículo, incluindo as partes mecânicas, pirotécnicas, eletrônicas e a plataforma da carga útil são nacionais e desenvolvidas pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) – organização subordinada ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA).

Durante a operação de preparação para o lançamento do veículo (cerca de 6 horas), foram interligadas as estações de telemetria e rastreio do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), localizado em Natal (RN), de modo que esta unidade funcionasse como uma Estação Remota, ou seja, realizasse a coleta de dados de voo à distância, além da uma unidade móvel de telemetria, doada pelo DRL e operada pelo IAE, que também realizou a coleta de informações durante o voo.

Com esta operação, o Centro de Lançamento de Alcântara alcançou a marca de nove operações realizadas em 2012.

Além da Iguaíba, as operações realizadas em 2012 pelo Centro foram:

  • Quatro lançamentos de Foguetes de Treinamento Básico (FTB) (Operações Falcão);
  • Dois lançamentos de Foguetes de Treinamento Básico (FTB) (Operações Águia)
  • Um teste com um protótipo do Veículo Lançador de Satélite (VLS) (Operação Salina);

 

Operação IGUAÍBA – 2012

De acordo com os dados fornecidos pela Agência Espacial Brasileira a Operação IGUAÍBA pode ser assim caracterizada:

Período da Campanha: 19/11/2012 a 15/12/2012

Veículos: Um foguete de treinamento intermediário (FTI) e um Foguete de sondagem VS-30/ORION

Organizações Envolvidas: DCTA, AEB, CLA. CLBI, IAE, UFRN, INPE e DLR

Missão Atribuída:

Realizar o lançamento e o rastreio do foguete de sondagem VS-30/ORION V10 portando uma carga útil científica com experimentos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), de forma a permitir não apenas a realização desses experimentos em voo suborbital, mas também assegurar a transmissão e recepção das medidas realizadas durante esse voo.

Missão Deduzida:

  • Apoiar o projeto de pesquisa Estudos da Ionosfera e Alta Atmosfera com Experimentos Embarcados a Bordo de Foguetes e Satélites do Instituto Nacional de Atividades Espaciais, permitindo que organizações de ensino, pesquisas e desenvolvimento realizem experimentos científicos e tecnológicos por meio de voos suborbitais.
  • Apoiar o desenvolvimento de um sistema GPS para uso espacial, realizado em cooperação entre a UFRN e o IAE, com suporte financeiro da AEB.
  • Manter a operacionalidade dos centros de lançamento, proporcionando treinamento operacional às diversas equipes envolvidas em campanhas de lançamento.
  • Interligar as estações (Telemetria, Radar e CTDL) do CLA e do CLBI, de forma adequada e operacional.
  • Dar prosseguimento ao Programa Espacial Brasileiro, em coordenação com a Agência Espacial Brasileira (AEB).

 

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Fontes: CLA/ DCTA/ AEB / IAE

Imagem: IAE

 

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Foi premiado com o primeiro lugar no Concurso Nacional de Contos da Scarium Megazine (Rio de Janeiro, 2004) pelo conto Propriedade Intelectual e com o sexto lugar pelo conto Singularis Verita.

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11 comentários

  • Falcone Big:

    Isso realmente é muito bom, face o incidente ocorrido em Alcântara em 2003 (e muito suspeito por sinal), que nos fez perder excelentes técnicos e pesquisadores, fato que atrasou e muito o programa brasileiro espacial (penso eu) !

    • Elimu:

      Esse é de fato um assunto interessante para se discutir face a importancia do dominio de tecnologias aeroespaciais para o nosso País,mas penso que existe um longo caminho a percorrer ja que temos muitos problemas para serem resolvidos a começar pela educação que é primordial para muitos avanços em nossa sociedade.

  • Alex Sander:

    E isso é para comemorar ou chorar? Um País que se diz 6ª economia Mundial,8 Instituições envolvidas (DCTA,AEB,CLA,CLBI,IAE,UFRN, INPE e DLR),Milhões de dólares gastos e em 18 anos de AEB só conseguimos lançar Foguetinhos sub-orbitais???
    Até Coréia do Norte e Irã com investimentos bem modestos e uma pressão internacional terrível conseguem fazer foguetes de verdade.
    Sei lá, acho que têm coisa errada aí.
    Acabem com cabide de emprego e a burocracia que impera nesses centros de pesquisa,contratem engenheiros e pesquisadores de verdade,mesmo que precisemos importá-los do exterior (A Nasa fez isso com os cientistas Alemães),faça engenharia reversa (como todos fizeram) e podem ter certeza que chegaremos até a Marte.

    Alguns dados em relação ao nosso atraso:

    55 anos em relação aos Russos.
    54 anos em relação aos Americanos
    47 anos em relação aos Franceses.
    42 anos em relação Chineses.

    • Mustafá Ali Kanso:

      É para comemorar meu caro leitor. O custo do programa espacial dos países por você citados gira na ordem de bilhões de dólares. Só o programa do ônibus espacial norte-americano, por exemplo, consumiu algo em torno de 500 bilhões de dólares por ano até seu encerramento em 2010 (com um orçamento congelado por cinco anos na casa dos 18 bilhões de dólares). Cada voo russo fretado (com foguetes com a mesma tecnologia da década de 1960) custa atualmente para a NASA a bagatela de 50 milhões de dólares.
      Logo os avanços conquistados pelo nosso programa espacial são fantásticos quando se faz a relação custo/benefício. Nesse ritmo até 2018 o Brasil estará lançando os seus próprios satélites – e isso não é pouco – para um país cujos investimentos oficiais em Educação, Ciência e Tecnologia estão entre os menores do mundo. Consequentemente, esse mérito pertence aos nossos cientistas que mesmo num cenário extremamente inóspito conseguem realizar grandes feitos.

    • Alex Sander:

      Sim Mustafá, Você têm toda a Razão e desculpa se meu comentário foi tendencioso e pareceu ofensivo, realmente o Governo investe pouco no programa espacial e principalmente menos ainda em educação de base que é a chave para todo o progresso científico, também não desmereço a capacidade dos nossos cientistas mas sim em nosso políticos.
      Todo mundo sabe que o setor público no Brasil é extremamente corrupto, mal organizado e burocrático que acamamos generalizando e olhando com desconfiança em toda a iniciativa publica, principalmente quando os resultados demoram a aparecer, aí perguntamos: Será que o problema é somente dinheiro? E essa foi a natureza do meu comentário.
      Enfim,o problema é mais político que técnico.

  • Ewerton Souto:

    Finalmente chegamos aos anos 50!!!

    • Mustafá Ali Kanso:

      E só chegaremos ao século XXI se a Educação, Ciência e Tecnologia passarem a ocupar os primeiros lugares na lista de prioridades do povo e,consequentemente, do governo brasileiro.

  • Glauco Ramalho:

    Vou botar fé quando eles perceberem que dá prá canalizar a energia presente na ionosfera para a Terra em forma de eletricidade pura, igual o Tesla fez no passado.

  • Antonio Souza:

    MUITO BOM

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