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Nova pesquisa conclui que o universo é infinito

Por , em 21.01.2014

Uma grande pesquisa cosmológica, a “Baryon Oscillation Spectroscopic Survey (BOSS) Collaboration”, anunciou os pré-resultados do seu estudo recentemente. Mesmo faltando coletar dados de 10% das galáxias que o programa pretende examinar, seus pesquisadores dizem que já é possível fazer certas análises e chegar a uma conclusão importantíssima: a de que o universo é provavelmente infinito no tempo e no espaço.

Essa descoberta veio a partir do registro do espectro luminoso de mais de um milhão de galáxias com desvio para o vermelho de 0,2 a 0,7, indo até 6 bilhões de anos no passado do universo.

Durante a análise dos dados coletados pelo BOSS, que fazem parte do Sloan Digital Sky Survey (SDSS-III), os astrofísicos liderados pelo professor de física e astronomia Martin White, do Berkeley Lab, notaram que o universo é “plano”, ou bem próximo disso. A “curvatura” do espaço-tempo é muito pequena.

O que eles estudaram foi a densidade da matéria, e descobriram que as galáxias se reúnem aproximadamente em “esferas” (bastante exageradas na imagem acima, feita por um artista), as “oscilações acústicas bariônicas” (BAO), que se formaram nos primórdios do universo, quando a densidade era maior.

Medindo o tamanho destas esferas, e comparando com o valor previsto pela teoria, os astrônomos foram capazes de determinar com uma precisão de 1% a que distância se encontram as galáxias.

Como comenta David Schlegel, “vinte anos atrás os astrônomos estavam discutindo sobre estimativas que diferiam em 50%. Cinco anos atrás, conseguimos refinar esta incerteza a 5%. Um ano atrás ela era 2%. 1% de precisão será o padrão por um longo tempo”.

Esse dado, combinado com as medições recentes da radiação cósmica de fundo, sugere que a energia escura é uma constante cosmológica cuja força não varia com o espaço ou o tempo.

Um universo “plano” implica que o mundo experimentou uma inflação prolongada, até um decilionésimo de segundo ou mais, logo após o Big Bang. E significa também que o universo provavelmente se estende para sempre, sem ter um fim, e também se prolongará para sempre no tempo. Em resumo, os dados são consistentes com um universo infinito.

A “curvatura” do universo é a primeira dica se ele é finito ou infinito. Um universo “plano” pode expandir sem parar, com paralelas nunca se tocando, e os ângulos internos de um triângulo somando exatamente 180°.

A pesquisa BOSS continuará até junho de 2014, embora o resultado da análise dos dados atuais já tenha sido publicado. [io9, Brookhaven National Laboratory, PhysOrg.com]

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40 comentários

  • Arthur Crispim de Aguiar:

    O fato é: se algo se expande, é porque tem um tamanho. Se tem um tamanho, então é finito.

    • Cesar Grossmann:

      Não necessariamente, Arthur. Pode ser infinito e estar expandindo.

  • carloslima583:

    Não faz sentido a matéria ser infinito. Uma coisa se distanciar da outra é diferente de ser infinito, apenas está se distanciando cada vez m

    • Renzo Alhan:

      A matéria é infinitamente divisível!

  • Clerison Alencar:

    A pesquisa não deixou claro, o universo é infinito ou a curvatura é pequena?

  • Marcos Santiago:

    EuRekA! O universo nada mais é senão o espelho da mente humana, ou a mente humana é o espelho do universo: Infinito por expansão…

  • asagodoy:

    com relação a forma de vida, uma pergunta simples, o que é vida? Você está vivo? A vida existe ou é algo que nós inventamos? E a morte? Ela existe?

    Minha opinião: vida é a “energia” atuando na mesma frequência que a nossa, ou seja, tudo está vivo ou morto, depende do ponto de vista!

    Ou seja, existe vida por todos os lados, não necessariamente em outros planetas, apenas não aprendemos a ver, não conseguimos interagir com essa vida pois estamos limitados pelos que sabemos.

  • Mateus Scheper:

    Acho que não é correto dizer que o universo é infinito porque ele está em constante expansão.
    A cada instante, o universo tem um tamanho. Então, se “congelar” o tempo em todo o universo, você pode medi-lo, não é?

    • Alessandro Silveira:

      Veja meu caro, em um universo euclidiano (tridimensionalmente reto) seu limite de expansão é infinito, pois suas bordas nunca colidiriam. A miúde, este conceito pode ser entendido como Infinito Potencial, enfim, espero que esta simples explicação seja suficiente.
      Se quiser estudar mais acerca dos conceitos filosóficos de infinito estude além do conceito de Infinito Potencial o Infinito Absoluto e o Paradoxo de Burali-Forti.

  • evaldo flamarion de alvarenga:

    Por enquanto ainda não podemos raciocinar infinitamente ( seja macro ou micro , pois o infinito é adimensional ) já que vivemos em um universo tridimensional + uma temporal. Segundo a teoria das cordas, existem nove dimensões espaci-
    ais e uma temporal, só que infinitamente pequenas e super densas ( na ordem de milhões de toneladas por cm3 ) Por
    isto é melhor tratarmos daquiolo que está mais ao nosso alcance com a ética e a moral (como pensam os budistas : ter um coração puro

  • ico:

    A um emaranhado de idéias me vem através desta questão.
    O que o fez ter a forma plana não seria porque ele pode estar girando? uma ideia meio absurda eu sei, porque conduziria a um centro de massa e implicaria em Big Crunch, mas até onde eu sei não existe nada plano no cosmo que não gire.
    O universo pode ter sido expelido de uma outra dimensão, isso explicaria sua forma plana e explicaria porque as galáxias distantes estão se distanciando com mais rapidez , seria porque elas teriam se expelido quando essa fenda dimensional estivesse mais abarrotada e depois foi perdendo sua energia aos poucos.
    Em se tratando do universo talvez a questão mais relevante hoje seja qual parte dele nos percebemos para estudo, porque se percebemos através de estudos somente 5 % dele , ele poderia ter qualquer forma que não implicaria no todo, no entanto não se vê sequer um divagação sobre seu tamanho, talvez o fato de o universo ser uniforme de uma pista ou que vemos apenas uma parte pequenina dele, eu como aficionado que sou penso que se temos em estudo uma parte considerável do cosmo para defini -lo como plano ou não deveríamos também ter uma idéia de seu centro, isso mesmo, isso tudo pode não ter fim mas teve um começo, sabe aquele ponto onde tudo se espalhou? aquele pontinho no nada onde tudo nasceu, aquele marco zero, ele deve estar por aí, a fenda no tempo , o Santo Graau da nossa existência, será que existe alguma evidência do começo ainda? .. como um cordão umbilical fóssil?

  • asagodoy:

    1. ser infinito = não pode ser compreendido, ser infinito não significa que o universo é infinito…rsrs…poderíamos dizer que ele é diretamente proporcional a compreensão.
    2. como pode medir algo apenas usando a visão? A existência de algo não pode ser definida apenas pelo que pode ser visto.
    3. eu diria que o universo é o que quisermos que ele seja! Só precisamos melhorar nossa criatividade, evoluir nossas tecnologias (de acordo com nossa criatividade e competência de concretizá-las) e logo poderemos transformar o universo na teoria que melhor convir no momento.
    4. lógico que hoje podemos medir o universo com mais precisão, evoluimos a ferramenta de ontem, mas ela continua sendo a mesma…

    • Felipe Granado:

      Você mencionou uma coisa muita importante: Criatividade. Atualmente, os maiores telescópios, radiotelescópios e sondas, logicamente feitos com base em “dólares e ouro”, procuram água de preferencia liquida espaço a fora, pelo simples motivo que pelos a vida na Terra, se iniciou com base na água. Porém, considerando um universo infinito, deve se considerar também que há outros tipos de vida que não precisam de água, de oxigênio, nitrogênio ou carbono, pois as possibilidades poderão ser infinitas.

    • Cesar Grossmann:

      Felipe, o grande problema é: se não sabemos como é esta forma de vida alternativa, como poderemos encontrar? Buscar água e formas de vidas semelhantes à nossa tem duas vantagens, pelo menos:

      1. sabemos que existe vida deste tipo;

      2. sabemos encontrar os sinais deste tipo de vida.

      Eu falei que não sabemos como poderemos reconhecer uma forma de vida desconhecida, mas isto não é inteiramente verdade, os astrobiólogos buscam o desequilíbrio químico.

    • asagodoy:

      Dólares e ouro, eu digo que esse dinheiro é o salário de pessoas que fornecem tempo e cérebro para aumentar o campo de visão das outras pessoas, que precisam de um telecopio para ver algo, afinal, o que é visto no telescópio é uma interpretação da nossa mente do universo, no extremo do meu raciocíonio não precisaríamos do telescopio, exemplo concreto é Einstein que com lápis e papel viu coisas que só agora estamos vendo….vemos apenas o que nos ensinaram, somos cegos para o desconhecido.

    • Marcelo Ribeiro:

      Einstein teorizou. Só tivemos certeza por causa das observações feitas com instrumentos como telescópios.

    • asagodoy:

      buscamos vida em outros planetas pois precisamos explorar a fronteira do nosso conhecimento, a vida não está em outros planetas e sim no limite do que sabemos.

    • asagodoy:

      Na verdade acredito que o telescópio não dão certeza de nada, vemos o que queremos ver! Se Einstein não tivesse falado nada, estaríamos vendo alguma coisa? Sendo mais concreto: Se não tivessem te ensinado a identificar a cor azul, você saberia diferenciar o azul das mais de 100 quinquilhões de cores? E o que te ensinaram, que é o azul, será que te ensinaram certo, a cor azul existe? OU é apenas uma interpretação do cérebro? Vemos o que querem que vejamos, o que aprendemos a ver!

    • asagodoy:

      com relação a forma de vida, uma pergunta simples, o que é vida? Você está vivo? A vida existe ou é algo que nós inventamos? E a morte? Ela existe?

      Minha opinião: vida é a “energia” atuando na mesma frequência que a nossa, ou seja, tudo está vivo ou morto, depende do ponto de vista!

      Credito exista vida por todos os lados, não necessariamente em outros planetas, apenas não aprendemos a ver, não vemos a nossa interação com essa vida pois estamos limitados pelos que sabemos.

  • Ernesto von Rückert:

    O mais interessante é que, se o Universo é plano e infinito espacial e temporalmente (para o futuro), então ele sempre foi infinito, desde que surgiu, mesmo que com densidade estupidamente grande de modo que o atual universo observável (com 92 bilhões da anos-luz de diâmetro) se reduzia a um diâmetro menor do que um átomo ou, talvez, um elétron, com todo o conteúdo de campo que hoje é campo, matéria e radiação.

    • Cesar Grossmann:

      Se eu entendi corretamente, professor, então o Universo já era infinito quando o Big Bang aconteceu. Ou seja, um Universo infinito com uma densidade e temperatura monstro, que começou a expandir violentamente (inflação), certo?

    • Alessandro Silveira:

      Muito interessante comentário, contudo, quando se referes com “sempre” inclui neste “sempre” o período pré-inflacionário? (se supostamente acredita nele, senão poderia dissertar mais sobre isso?)

    • Jairo Roberto Etchichury Morales:

      Quem sabe um dos leitores possa me dizer se a minha interpretação está correta:

      Eu sempre considerei o universo como “infinito” no sentido de ele estar em constante expansão: Por mais longe que um hipotético viajante espacial pudesse ir, ele jamais chegaria as “bordas” do universo, porque sempre haveria distâncias ainda maiores a serem percorridas.

      Procede esse raciocínio senhores?

  • Herberti Pedroso:

    O texto diz “precisão de 1%”, mas entendo que o correto é “com incerteza de 1%”. Aliás, o paragrafo seguinte confirma isto.

  • Expedito Marinho:

    Tenho comigo uma imaginação, muito curiosa sobre o universo , estamos ainda vivendo dentro das proposituras que iniciou a existência de tudo isso que estamos estudando, precisamos entender para que serve tudo isso, que esta ao nosso entorno? afinal no meio de Bilhões de galaxia porque só nos ? tenho a impressão que vamos descobrir quando nós souber-mos a usar nossa mente para um transporte de contatos imediatos com quantos graus forem necessários a uma outra fonte de energia que ainda não conhecemos. primeiro temos que compreender porque e para que existimos ? pois temos que fazer uma profunda reflexão para por em ordem nossos rumos e dai tirar conclusões através de estudos cientítico para que o curso da nossa existência tenha sua finalidade cumprida e cujas proposituras tenha alcançado o cumprimento do propositar.

    • Aiwass Eanderea:

      Tudo isso já foi explicado,já estudei antropismo e uma das lei antropológicas,é que o ser existe num local onde existe sua possibilidade existencial,num ambiente e local pré-definido.
      Não há porque perguntar para que existimos no momento que sua existência não é ameaçada,e sua possibilidade já é garantida,Só a psico humana tem objetivos que são dadas atravez ID e foram majoritariamente pré-definidas através da seleção natural.

  • Pedro Ornellas:

    Ah, mas os ateus e os evolucionistas com certeza poderão nos explicar de forma convincente onde o espaço termina, o que tem depois, quando o tempo começou e quando termina, e o que havia antes e haverá depois…

    • Cesar Grossmann:

      E isto é um problema? Quer dizer, encontrar uma explicação convincente para o Universo é algo ruim? Não é este o objetivo de todo mundo que tem curiosidade sobre a vida e o Universo, tentar encontrar uma explicação convincente? E se a explicação é convincente, não significa que ela é plausível e amparada pelos fatos?

      Qual o problema com as explicações convincentes? A não ser que você prefira as explicações que não convencem, as alegações especiais, os sofismas, e as fraudes.

    • Eduardo Araújo:

      Como ateu e evolucionista te darei a resposta que mereces, da forma mais convincente e com precisão absoluta de medidas: utilizando-se como unidade de área o Universo, o Universo tem exata e precisamente a área de 1U.

  • Miguel Rozsas:

    A frase “ou bem próximo disso” abre muitas possibilidaes e nenhuma é a da certeza. Além disso, a observação limite de apenas 6 bilhões de anos luz de distância, deixa muita margem ….o que terá além disso ? É uma conclusão baseada na na miopia de nossa tecnologia que não nos permite ver o quadro geral e estão criando conclusões com dados incompletos. Sim, eu sei que é um modelo, sei que eles sabem fazer extrapolações, mas é interessante frisar que nenhuma conclusão é definitiva, por enquanto.

    • Cesar Grossmann:

      Da forma que eu vejo, o que se busca é descobrir a curvatura do Universo, e você sempre vai estar limitado à descobrir a curvatura usando o Universo Visível. Considerando o Universo muito maior que este, quanto maior o Universo, menor a curvatura. Só que quando este valor fica muito baixo, se torna indiscernível para a nossa tecnologia do valor zero, de um Universo infinito. Em outras palavras, para as nossas réguas e relógios, o Universo pode ser infinito, mas na realidade ele pode ser tão grande que não percebemos isso.

      Imagine que você esteja tentando descobrir se a Terra é um plano infinito que está viajando e acelerando em uma direção que identificamos como sendo “para cima” ou se é uma esfera muito grande. Você está preso dentro de um complexo esportivo, e não tem como obter informações de fora do estádio. Você pensa “se a Terra for infinita, então uma superfície líquida deve ser perfeitamente plana, se a Terra for uma esfera, então o oceano deve seguir uma superfície equipotencial gravitacional, ou seja, deve ter uma superfície esférica também”. Com este conhecimento (que está correto) você se aproxima de uma piscina e tenta medir a curvatura da piscina. Você chega à conclusão que, pela curvatura superfície da água da piscina, a Terra é um plano ou é uma esfera muito grande – a curvatura vai ser muito pequena para você conseguir medir. É a mesma coisa.

      Claro, se você tiver acesso a um lago, vai descobrir que a Terra é esférica, e neste caso, não tem mais ambiguidade. O problema todo é que se o Universo é realmente infinito, nunca teremos certeza absoluta disso, pelo menos não usando estes métodos, serão necessários outros métodos para chegar a esta conclusão. Teria que existir uma propriedade do Universo que pudesse discernir sem ambiguidade alguma se o Universo é muito grande ou infinito. Eu não sei de nenhuma propriedade assim.

      Pelo menos é como eu entendi este assunto.

  • Warllen Pantuzzo:

    Isso significa que durante o BigBang, a matéria se expandiu em todas as direções como em uma esfera que se irradia, e com o tempo foi se contraindo, mas ao in vez de se aglutinar, se expandiu em um plano reto, como acontece com o retorno da água, depois que se atira uma pedra em um lago?
    É isso mesmo que está descrito na pesquisa?

  • Toni Rocha:

    Infinito? Realmente não entendo como algo espacialmente infinito pode ter surgido de um ponto.

  • Itamar Perolin:

    Ora se o universo teve um inicio e continua se expandindo, como ele pode ser infinito?

    • carloslima583:

      Complementando: Nada pode ser infinito, exceto o espaço. O espaço é o mesmo que andar em circulo e tentar achar o começo ou o fim.

  • Rafael Pinheiro:

    Vai ver que o Universo é uma hiperesfera muito, muito, muito, muito grande. Dai parece ser levemente plano.

    E não seria infinito.

  • leigo:

    Essa deve ser a questão mais paradoxal, interessante e divertida que conheço. Tomara que logo achem as falhas desta pesquisa, para podermos continuarmos discutindo infinitamente.

    • Ney Glauber Rios Frota:

      Colega Leigo, raro um comentário tão espirituoso, divertido em sua ironia e, paradoxal, sintético e absoluto na sua simplicidade. PARABÉNS. Compartilho das suas palavras.

    • leigo:

      Obrigado, Ney Frota! Raras são as pessoas elogiosas.

    • Alékos Elefthérios:

      Um dos grandes prazeres da vida é não saber as respostas, mas ser apaixonado pelas perguntas, e nunca desistir de tentar compreende-las.

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