Nova teoria para o mistério dos “anéis de fada”, círculos na vegetação africana

Por , em 16.09.2013

Estudiosos da botânica se debruçam há décadas sobre um mistério que ronda pradarias do Deserto da Namíbia, no sul da África. Em meio à vegetação rasteira, formam-se círculos de solo virgem, que variam de 2 a 12 metros de diâmetro. São os chamados “anéis de fada”. Cientistas já atribuíram a formação dos tais anéis a formigas, cupins e até gases que emergem do chão. Mas pesquisadores de duas universidades, na África do Sul e nos Estados Unidos, apareceram com uma nova teoria nesta semana: os círculos seriam resultado de uma competição interna entre as próprias gramíneas.

De acordo com esta ideia, o chão estaria inicialmente revestido de vegetação rasteira de maneira uniforme. O solo do deserto, no entanto, é pobre demais. A oferta reduzida de nutrientes, associada à baixa ocorrência de chuvas, faz com que somente as plantas mais fortes sobrevivam. Para não morrer, elas consomem os recursos das menos resistentes, próximas a elas, que morrem e deixam um pequeno espaço vazio.

O espaço pequeno vira um espaço um pouco maior, que vira um buraco, que acaba se transformando em um reservatório de água e nutrientes, como um bolsão. Quando o círculo se expande, as plantas periféricas passam a viver deste reservatório, que permanece sem plantas. Os tais anéis de fadas, conforme outro estudo indicou, duram cerca de 24 anos, mas podem chegar a 75.

Esta explicação darwiniana foi defendida por especialistas no assunto, já que os círculos são mais comuns justamente em áreas nas quais a umidade e a fertilidade do solo são menores. Ou seja, quanto menos nutriente para todas, maior a competição.

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Contradições

A teoria causou impacto entre os pesquisadores, já que contraria uma versão divulgada em março, muito apoiada à época, que culpa os cupins pelos círculos. Segundo esta linha de raciocínio, divulgada pela Universidade de Hamburgo, na Alemanha, os cupins se alimentam das gramíneas por baixo do solo, permitindo que a água da chuva fique armazenada nestes locais. O acúmulo da água, por sua vez, garantiria a sobrevivência dos cupins por mais tempo, em um ciclo que faria o anel de fada se expandir pouco a pouco.

Os pesquisadores sul-africanos que desenvolveram a ideia da competição entre as gramíneas, na verdade, não refutam que os cupins tenham participação. A função deles, segundo a nova pesquisa, é acelerar o processo de abertura do círculo se alimentando das gramíneas já mortas por falta de nutrientes.

Esta ideia, segundo os cientistas, é fácil de comprovar através de teste: bastaria adubar e regar um círculo de fada. Se a teoria da falta de nutrientes estiver certa, a vegetação deve se encarregar de fechar o buraco aos poucos. [Live Science / G1]

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1 comentário

  • Andony Nóbile:

    Interessante, eu vi essas estranhas formações serem referenciadas em “O Mundo visto do Céu”, e eles falaram que foram cupins, o que é estranho, pois os anéis se manifestam em uma área enorme e desértica. Mais plausível essa explicação.

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