O que é pior: um futuro em que 100% das pessoas morrem ou que 80% se vão?

Por , em 8.11.2019

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Oxford publicou um artigo sobre a extinção humana na revista Scientific Reports e constatou que as pessoas não parecem encarar a perda da humanidade como trágica.

Eles entrevistaram a mais de 2,5 mil pessoas nos Estados Unidos e Reino Unido sobre três possíveis cenários: uma catástrofe que causa a extinção total da humanidade, uma catástrofe que causa a morte de 80% da população humana ou nenhuma catástrofe.

Os participantes foram instruídos a classificar os três cenários de melhor para pior. Conforme o esperado, a maioria das pessoas classificou o cenário sem catástrofe como a melhor possibilidade.

Mas quando questionados sobre a diferença entre os cenários de catástrofes, os participantes viam a possibilidade de perder 80% da humanidade como pior do que perder 100% das pessoas.

“Os participantes não veem a extinção humana como excepcionalmente ruim”, escrevem os autores.

Zebras vs. humanos

O curioso é que quando as vítimas do cenário são trocadas, o resultado é bastante diferente: os cientistas fizeram as mesmas perguntas, mas tratando de zebras ao invés de pessoas.

Ao pensar nas zebras, as pessoas preferiram perder 80% delas do que 100%. Esta diferença acontece porque nos cenários que envolvem humanos, as pessoas focam mais nos efeitos dessas mortes em quem ficou para trás. Imagine perder sua família e amigos de uma vez e ter que continuar a vida sozinho.

Em outras palavras, nós tendemos a pensar em um mundo sem zebras como mais trágico do que um mundo em que a maioria delas morre. Mas para a humanidade, a maioria das pessoas pensa o contrário.   

Em busca da era de ouro

Os pesquisadores encontraram uma forma de influenciar os participantes a considerarem a perda de nossa espécie inteira como excepcionalmente ruim: eles apenas mencionavam que a humanidade perderia a oportunidade de viver uma existência longa e “melhor do que o que temos hoje em todas as formas concebíveis”.

A conclusão é que as pessoas têm maiores chances de se importarem com o futuro da humanidade se elas estiverem se sentindo otimistas sobre o que vai acontecer. Isso pode evitar caminhos autodestrutivos, como guerras nucleares ou envenenamento da terra com poluição. [Futurism]

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