Óculos ajudam a desvendar sobre o que chimpanzés pensam

Por , em 28.04.2013

Como você sabe o que um chimpanzé está pensando? Ele está pensando em você, ou na banana que você está segurando?

Uma maneira de se ter uma ideia do que acontece na cabeça desses primatas inteligentes é através da identificação dos objetos para o qual eles estão olhando – e talvez isso possa ser alcançado com óculos especialmente concebidos.

Um estudo publicado na revista PLOS One analisou um novo método para examinar o corpo e os movimentos dos olhos de um chimpanzé a um micronível – com um óculos rastreador.

Os pesquisadores, Fumihiro Kano e Masaki Tomonaga, testaram os óculos em uma chimpanzé fêmea enquanto ela se envolvia em interações diárias com um experimentador humano.

O rastreador gravou seus movimentos oculares com precisão enquanto o animal movia livremente sua cabeça, mãos e corpo. Três câmeras de vídeo registraram seus movimentos corporais e manuais a partir de vários ângulos.

Para ver como os movimentos oculares da chimpanzé se relacionavam aos contextos interativos, os cientistas preparam dois cenários experimentais: uma fase de saudação cara-a-cara no momento da chegada do experimentador na sala, e uma fase posterior que envolveu uma tarefa entre os dois, incluindo gestos manuais e recompensas com frutas.

O padrão geral de visualização do chimpanzé, medido em termos da duração das fixações do olhar do animal, extensão de suas sacadas individuais, e tempo total de visualização do rosto/corpo do experimentador, era muito semelhante ao observado em estudos de rastreamentos oculares anteriores que utilizaram situações não interativas.

No entanto, o chimpanzé viu o experimentador e os objetos da cena de forma diferente dependendo do contexto e das ações em curso. O chimpanzé observou mais o rosto e o corpo do experimentador durante a fase de cumprimento, mas só notou a face e as mãos do experimentador na fase do prêmio em forma de fruta.

Estas diferenças podem ser explicadas pelo diferencial das interações produzidas entre o chimpanzé e o experimentador durante cada fase.

Além disso, o padrão de visão do chimpanzé também variou dependendo da identidade do experimentador (isto é, da experiência prévia do chimpanzé com o experimentador).

Segundo os pesquisadores, esses métodos e resultados iniciais oferecem novas possibilidades para examinar o comportamento de olhar natural dos chimpanzés.[DiscoverMagazine, PLOSOne]

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