Países menos religiosos são também menos violentos

Por , em 7.08.2012

A afirmação parece contraditória, sendo que a maioria das religiões prega a paz e o amor, mas, segundo o Índice Global da Paz (IGP) de 2012, apesar do mundo em geral ter ficado um pouco mais pacífico nos últimos anos, são os países menos religiosos que continuam sendo menos violentos.

O que é o IGP?

O Índice Global da Paz, desenvolvido pelo Instituto de Economia e Paz, em conjunto com a Unidade Economista de Inteligência com a orientação de uma equipe internacional de acadêmicos e experts em paz, classifica as nações do mundo pela sua tranquilidade.

Composto por 23 indicadores, que vão desde o nível de despesas militares de uma nação às suas relações com os países vizinhos e o nível de respeito aos direitos humanos, incluindo os níveis de democracia e transparência, educação e bem-estar material, o IGP usa uma ampla gama de fontes respeitadas, incluindo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, do Banco Mundial e várias entidades da ONU, para contribuir significativamente para o debate público sobre a paz mundial.

O IGP possui investidores de todo o mundo, incluindo Prêmio Nobel, economistas, acadêmicos, agentes humanitários e políticos, como o diplomata Kofi Annan, o presidente Jimmy Carter, Sua Santidade o Dalai Lama, o professor Joseph Stiglitz e o arcebispo Desmond Tutu.

Um lugar melhor para se viver

Em sua sexta edição, o IGP indica que o mundo se tornou mais pacífico pela primeira vez desde 2009; todas as regiões, exceto o Oriente Médio e o Norte da África (que sofrem atualmente as consequências da Primavera Árabe) viram uma melhora nos níveis de tranquilidade geral. O Brasil, em particular, subiu duas posições, passando de 85º para 83º país mais pacífico dentre os 158 analisados.

Apesar da mudança, muitas coisas permaneceram as mesmas. A Islândia é o país mais pacífico do mundo, pelo segundo ano consecutivo, e a Somália continua a ser nação menos pacífica do mundo pelo segundo ano consecutivo.

A Síria foi o país que caiu pela maior margem: mais de 30 lugares, indo para 147º. Isso com certeza têm a ver com o fato de estar passando por uma guerra civil, sofrendo uma escalada da violência nos últimos 14 meses, que matou mais de 16 mil pessoas no país. O contrário ocorreu com o Sri Lanka, já que o fim de sua guerra civil elevou o país em 30 lugares.

Pela primeira vez, a África Subsaariana não é a região menos pacífica do mundo, aumentado seus níveis de paz desde 2007. Como já dissemos, o Oriente Médio e Norte da África é hoje a região menos pacífica, refletindo a turbulência da Primavera Árabe.

Pelo sexto ano consecutivo, a Europa Ocidental continua a ser a região mais pacífica, com a maioria dos seus países no top 20. A América do Norte experimentou uma ligeira melhoria, mantendo uma tendência desde 2007, enquanto a América Latina experimentou uma melhora geral com 16 dos 23 países aumentando sua pontuação de paz.

O ranking

Confira os 10 países mais pacíficos do mundo, seguidos de sua pontuação no ranking:

  1. Islândia – 1,113
  2. Dinamarca – 1,239
  3. Nova Zelândia – 1,239
  4. Canadá – 1,317
  5. Japão – 1,326
  6. Áustria – 1,328
  7. Irlanda – 1,328
  8. Eslovênia – 1,330
  9. Finlândia – 1,348
  10. Suíça – 1,349

O Brasil tem uma pontuação intermediária:

83º Brasil – 2.017

Enquanto os dez países menos pacíficos são:

149º Paquistão – 2,833
150º Israel – 2,842
151º República Centro Africana – 2,872
152º Coreia do Norte – 2,932
153º Rússia – 2,938
154º República Democrática do Congo – 3,073
155º Iraque – 3,192
156º Sudão – 3,193
157º Afeganistão – 3,252
158º Somália – 3,392

Religião x paz

Na Nova Zelândia, Dinamarca e Noruega, países que estão no top 10 de mais pacíficos, o conflito religioso na sociedade é praticamente inexistente. Também, um ranking feito pelo sociólogo Phil Zuckerman mostrou que todos os países desse top 10, menos a Irlanda, estão entre os 50 menos crentes do mundo, nas seguintes posições:

Islândia – 28º
Dinamarca – 3º
Nova Zelândia – 29º
Canadá – 20º
Japão – 5º
Áustria – 24º
Eslovênia – 18º
Finlândia – 7º
Suíça – 23º

Será que há alguma relação entre religião e paz? Segundo alguns especialistas, muitas guerras e atrocidades que marcaram a história estão ligadas ao sentimento religioso. Sendo assim, pode ser que países sem conflitos religiosos sejam mais pacíficos.

O Brasil no Ranking da Paz

O Brasil aparece na 83ª posição do ranking. Historicamente, não nos envolvemos em muitas guerras, porém nossa violência interna é suficiente para não deixar o país subir muito no Índice.

Quanto à religião, de acordo com a pesquisa do instituto alemão Bertelsmann Stifung, 95% dos jovens brasileiros (entre 18 e 29 anos) explicitam suas ligações religiosas: somos o terceiro país mais religioso do mundo, atrás apenas dos nigerianos e dos guatemaltecos.

O IGP de 2012 mostra que os pontos em que somos menos pacíficos são, em indicadores em ordem decrescente: homicídios, crimes violentos e terror político, acesso a armas, e violência percebida pela sociedade.

Alguns dos pontos em somos mais pacíficos são, empatados: conflito organizado, atos terroristas, mortes por conflito interno e por conflito externo, armas pesadas e relações com países vizinhos.[VisionofHumanity, UOL, BemParana, Paulopes, AhDuvido]

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52 comentários

  • Felipe Schumacher:

    Está tudo relacionado a ignorância.

  • Alexandre Ernesto:

    da raiva coloca religiao como desculpa para o país ser mais pacifico,logicos sao países bem estruturados, custo de vida baixo…

  • Ilson Silva:

    O que me intriga: é que a ciência sempre prova tudo o que fala, e as religiões nunca prova nada do que fala.

    • Cesar Grossmann:

      Bom, “sempre prova tudo” é exagero, mas tudo que a ciência propõe pode ser provado falso, pelo menos. Até mesmo a teoria das Cordas, que há pouco tempo parecia não ter como ser falseada, parece que já pode ser testada.

      https://hypescience.com/seria-a-vitoria-ou-o-fim-da-teoria-das-cordas/

    • Tato_Octavio:

      Errado, a ciência não PROVA tudo, ela testa o que afirma. O princípio da ciência é a observação e o teste.

    • Tato_Octavio:

      Já a religião é algo baseado em dogmas, fundamenta-se na fé. Ou você acredita ou não acredita, ponto.

    • Ironman74:

      Se Ciencia não tem certeza, ela chama de ‘Teoria’ ate que se torne fato, na religião se vc questionar, esta cometendo blasfêmia kk

    • Marcelo Ribeiro:

      O que é uma teoria científica: https://hypescience.com/o-que-e-uma-teoria-cientifica/

  • Fellipe Pastorello:

    Vocês podem ver, as principais guerras que houveram e ainda tem no mundo tem dois principais motivos, seja diretamente ou indiretamente que são o dinheiro e a religião.

  • Jean P. Carvalho:

    Só p/ reparar, Sanr:

    “Religião não transforma as coisas. As coisas se transformam em religião que transforma as coisas.”

    Com a 2ª afirmação, vc contradiz a 1ª…

  • Solemar Junior:

    Meu saco… ¬¬, até os membros já estão “por aqui!” com estes tópicos, aonde diabos vocês querem nos levar?

    Obviamente a violencia é criada por uma pessoa que se sente intimada dentro de um espaço que acredita ser seu, não são especificamente os religiosos, mas TODAS as pessoas que se acham os “donos do mundo” no momento em que são afrontados e correm o risco de perder o seu status imaginario tornam-se violentos.

    • Pedro Henrique:

      O que por sua vez é um milhão de vezes mais provável de acontecer com alguém que acredita que o seu Deus é o único portador da verdade e da salvação.

      “A religião é um insulto à dignidade humana. Com ou sem ela, teríamos gente boa fazendo coisas boas e gente ruim fazendo coisas ruins. Mas, para que gente boa faça coisas ruins, é preciso a religião”.

      Steven Weinberg,físico americano e prêmio Nobel.

  • mukokani tamele:

    A pesquisa é interessante por permitir um debate sobre a relação entre a religão e a violência. Penso porém, que a pesquisa devia ter partido da premissa legal sobre os países tipificados como religiosos. Com efeito, muitos países que primam pela laicidade, têm leis que permitem a proliferação de igrejas e seitas religiosas. São normalmente países onde a religião é separada do Estado (entendido como sociedade organizada através de instituições administrativas e políticas.

    Outros paíes que são eminentemente religiosos, são as suas Constituições que assim o determinam, daí a desgnação, em a lguns deles de: República Islâmica de …; República Católica de … E nesses países devido à falta de tolerência regligiosa é onde, regra geral, se assiste à violência. Mas não é a religiosidade de um país que vai determinar, necessariamente, o factor violência.

    Até porque a maioria das igrejas que surgem hoje, no lugar de pregar a moral, insidem os seus cultos, acompanhados de publicidade televisiva e radiofónica, sobre o sucesso financeiro, profissional, amoroso, etc., o que por si pode levar a outro tipo de violência pois há uma luta para vencer não por competência e trabalho, mas por via de milagres que são propalados como possíveis.

  • Jonatas:

    O fato é que, principalmente no Brasil, o sistema educacional precisa se modernizar, sobretudo com as novas descobertas das neuro-ciências sobre o funcionamento do cérebro humano, e como realmente se deve aprender. Fora isso, as disciplinas são muito focadas no conhecimento acadêmico, falta disciplinas para auto-conhecimento e principalmente ética. 🙂

  • Andre Luis:

    Observando esta matéria, chego a conclusão de que ela foi objetivada para fazer ataques e provocar os teístas. Sei que a pesquisa em si não focou isto, mas a forma como que ela é oferecida ao público deste site demonstra esta ideia. Na minha opinião, o problema não é a pesquisa, mas sim, a generalização de que todo teísta é alienado. Isto não é verdade. Existem muitos fanáticos da vida que são mal educados e querem impor a sua ideologia a todos com “pré”-conceitos, julgando como querem, isto vale para todas as linhas de raciocínio. Eu entendo que independente das crenças que um individuo possui, primeiro deve-se ter o “respeito mútuo”. Este site é simplesmente ótimo, e creio que ele deve ter seu foco para todos os públicos, sem “insinuações” contra as crenças alheias. Tendo respeito as diferentes linhas de raciocínio, pode-se opinar pontos de vista, fazendo-se assim um debate respeitoso e agradável, com muita troca de informações.

  • Marcelo Ribeiro:

    Sua lógica está do avesso. A estatística não julga, faz uma relação simples e clara: locais menos religiosos costumam ser menos violentos. E não o contrário.

  • Marcelo Ribeiro:

    É claro que não é prova de que um causa o outro, e todo cientista, matemático ou estatístico sabe disso. Nem sequer o artigo afirma isso. Mas é uma relação significativa, o que é muito importante.

    Catolicismo e aborto nunca se deram bem e há sim uma relação muito forte entre redução da climinalidade pouco mais de 1,5 década da lei de abortos ter sido aprovada no estado de Nova Iorque na década de 1990. O contrário ocorreu em um país, se não me engano na Armênia. O regime da época proibia contracepção, aborto e fazia campanhas para que cada mulher tivesse o máximo de filhos o possível. Uma explosão de violência assolou o país cerca de 1,5 década depois.

  • Danilo Oliveira:

    E novamente os estudos, a ciência, OS FATOS desmascaram a religião. E é com a mesma que se obtêm somente a violência e a demência.

    • Andre Luis:

      Creio que seja um ponto de vista equivocado, devido a superficialidade desta pesquisa. A violência e a demência na verdade estão atreladas a inumeros outros fatores como a Educação por exemplo. E ainda tem mais, culpar a religião não tem nexo algum, pois tais atos são exatamente contrários ao que a maioria das religiões pregam. O problema esta no ser humano que tem o livre arbitrio para realizar seus atos. Culpar a religião se baseando nesta pesquisa chega a ser anti-científico!

  • Glauco Ramalho:

    O César tá que tá hoje.

  • Brenno Henrique:

    Percebo que existem muitas variáveis que afetam a qualidade de vida de uma nação, inclusive, se vamos analisar o quesito religioso, não podemos pôr todas as religiões no mesmo pé de igualdade, visto que muitas tem ideologias opostas. Existem religiosos fanáticos, que acreditam em qualquer coisa que seu líder espiritual fala e existem religiosos prudentes, que põem todos os fatos a prova racional.

    Observando contexto brasileiro, podemos ver que as regiões mais ricas e seguras possuem um nível de religiosidade bem inferior, se comparado com regiões pobres e violentas, isso não demostra que os religiosos estão causando essa violência, mas que as pessoas estão buscando na religião uma fonte de paz.

  • Jonatas:

    “””Uma sociedade onde a maioria acredita em deus ou deuses não é mais tranquila e pacífica que uma sociedade onde a maioria não acredita em deus ou deuses.”””
    As magníficas sociedades europeias estão em crise econômica e fazem arruaças como qualquer outra, e essa fiasqueira vimos ao vivo e a cores nessa Eurocopa, provavelmente ali o choque foi exclusivamente por questões políticas do passado e uma rivalidade que não morreu entre alguns países, o futebol só as reacendeu. As duas maiores economias do mundo são cristãs e budista, EUA e China, estatísticas como a dessa matéria só mostram uma tendência, não uma afirmativa.
    A lista dos dez países mais pacíficos só reflete uma questão realmente comum a todos: Educação, incluindo a Finlândia, que bem sabemos o melhor sistema educacional do mundo. Pra ser realmente contundente, ela devia citar algo que ela mesma já deixou mais evidente que a questão religiosa: A educação é o principal meio para uma sociedade saudável, isso sim seria uma utilidade.

    • Cesar Grossmann:

      Pra ser realmente contundente, ela devia citar algo que ela mesma já deixou mais evidente que a questão religiosa: A educação é o principal meio para uma sociedade saudável, isso sim seria uma utilidade.

      Eu continuo achando que vocês estão perdendo o foco. A pesquisa não visa identificar as CAUSAS da violência ou da não-violência, apenas mostra que a religião, que se arvora em guia moral da humanidade, não parece fazer a diferença em relação à violência, e que alguns países menos religiosos são pacíficos.

      Ou, dito de outra forma, há quem afirme que a religião é necessária, para que as pessoas sejam boas. Esta pesquisa mostra que não. Religião não impede que alguns países sejam extremamente violentos, e a ausência de religião não parece tornar um país violento.

      Quando muito, pode ser um estudo que mostra que a religião ou ausência dela é irrelevante para o índice de violência, ou, na pior das hipóteses, está associado de alguma forma a uma sociedade violenta.

      Mas o estudo é bom por que desperta a discussão e dá origem a alguns questionamentos: Por que entre os países mais violentos estão os mais religiosos, e vice-versa? Será que só a educação explica isto?

  • Gödel Téssera:

    Apesar de concordar pessoalmente que realmente a religião não leva a paz, vemos isso estudando a história da humanidade. Acho que o ponto principal em relação ao países menos violentos está na qualidade de vida e no bem estar material, normalmente estes dois fatores afastam as pessoas da religião.

  • Leandro Monteiro:

    Com todo o respeito aos religiosos e sem fazer generalizações. Muitas religiões são baseadas em dogmas, verdades absolutas, e muitas pessoas vinculadas a essas religiões julgam o outro a partir desses dogmas e por isso não respeitam a posição ou modo de vida dos adeptos de outras religiões ou dos agnósticos.
    Em sociedades laicas, por predominarem os valores mundanos os valores são relativos e as pessoas tendem a respeitar as liberdades individuais.

    • Jonatas:

      Tem que ver que esses dogmas que agem dessa exata forma que citastes são interpretações: quem estudou o princípio filosófico das religiões certamente se deu conta que os preconceitos foram criações exclusivamente humanas afim de usar a religião como justificativa a interesses puramente de poderio, opressores, políticos e econômicos. Nem se quer nos princípios islâmicos se diz que você deve se explodir para matar infiéis, muito menos o cristianismo alguma vez instigou cruzadas e matanças em nome de Jesus.
      Essa pesquisa pode ter todos os dados reais que quiser e mesmo assim é precária na profundidade da questão, violência e outras males em que os seres humanos vivem não é culpa de nada que não seja exclusivamente dos próprios seres humanos, da falta de união, da falta de consideração ao próximo.

  • Raimundo Santos:

    Curiosamente os mesmos países ditos pacíficos, menos religiosos, estão no topo dos países com o maior índice de suicídio do mundo.
    Se usarmos a mesma dinâmica da reportagem poderíamos atribuir o suicídio desses povos à ausência de uma religião.

  • 1.618:

    As pessoas geralmente buscam a religião porque não podem contar com nenhum outro apoio além do “divino”. Quem nunca ouviu propagandas de igrejas evangélicas? As pessoas as buscam para solucionar seus problemas. Em países estruturados, com educação, saúde e paz é natural que a religião perca espaço.

  • Jonatas:

    Com todo o respeito aos órgãos autores da pesquisa, ela passa uma ideia errada em relação ao papel da religião nas sociedades violentas: ela é coadjuvante, não autora. É só uma motivação a mais pra maus elementos convencerem as pessoas a fazerem coisas absurdas e primitivas como agredirem outras pessoas, é só uma ferramenta, nada mais, não pode ser um indicador de algo.
    Conheçam o islamismo, o cristianismo e outras doutrinas em todas essas nações agressivas e verão que em quase nada as filosofias das religiões inspira a alguma violência, muito pelo contrário, como bem lembra a reportagem logo no começo. Um povo mais religioso geralmente o é por mais necessidade de ser religioso e porque tem mais crises, está tudo conectado, o que essa estatística fez foi pegar só o princípio religioso. Não está errado, mas passa uma interpretação errada, como se só religião fosse o problema, da pra ver pelo título da matéria, aqui e em outras fontes de notícia.
    Vamos pegar o melhor exemplo, USA:
    Alguns devem pensar nesse exato momento: os americanos são religiosos e são o povo mais agressivo do mundo! Não, o governo americano, no âmbito internacional, prega a paz mas é menos confiável que uma raposa dentro dum galinheiro. Sabemos disso. Já o povo americano é um povo como os outros, com algumas diferenças culturais como todos os demais… não lembro o que impera lá mas acho que é o protestantismo, e os conflitos internos são mais inter-raciais do que religiosos. Pergunte ao povo americano e se surpreenderá ao ver que a maioria desaprova a guerra, e essa falta de apoio às iniciativas foi sem dúvidas o maior vetor da perda da guerra no Vietnã. A guerra ao terror provavelmente o povo apoiou mais mas evidentemente porque a agressão foi diretamente a eles, os atentados de 11/09. O fato é o seguinte: o povo americano é menos patriota do que parece, talvez até menos que a gente. O que me leva a essa conclusão, na qual posso estar enganado e agradeço se me corrigirem, é o recurso de mídia usado pra tentar levantar o patriotismo: o mais escancarado o mundo todo vê, bandeirinha americana nas cenas mais emotivas é super-comum.
    No exemplo brasileiro, vemos a verdade evidente e que NÃO precisa de nenhuma estatística: a violência não tem causa religiosa, tem causa na falta de Educação, Segurança, Saúde, e outros indicadores que impedem a sexta maior economia do Planeta de ser classificada como uma nação desenvolvida.

    • Cesar Grossmann:

      Acho que você entendeu errado. Não é que a religião promove a violência, é que ela NÃO PROMOVE A PAZ. Não era de se esperar que em um país em que a maioria da população se unisse na adoração ao mesmo amigo imaginário, digo, deus, a população fosse mais pacífica? E nos países onde a maioria não acredita em uma “moral absoluta”, não era de se esperar que houvessem mais crimes (se a gente acreditar na pregação religiosa, de que o amor ao amigo imaginário torna as pessoas boas)?

      E é justamente o contrário do que alardeiam os religiosos. Países mais religiosos são mais violentos que países mais seculares. A religião não ajuda a melhorar a vida das pessoas.

    • Jonatas:

      Nah, a religião é só uma crença, os religiosos agressivos e/ou iludidos é que não promovem a paz, eles usam a religião pra agir de acordo com o instinto agressivo e revolta pessoal que é comum nas pessoas, a vontade de ser o dono da razão. O fato dessa violência via religião é a forma como as pessoas escolhem usar, e não o que a religião tem em si. O mesmo vale pra ciência, pode escolher entre avançar a medicina pra melhorar a vida das pessoas ou entre atirar uma bomba atômica em alguém.
      Eu sou ateu mas sei que religião não se pode definir em acreditar em seres imaginários, mas em toda uma gama filosófica e social do passado que aceitemos ou não participou da construção o mundo em que vivemos.
      Mas tem razão, a religião não ajuda a melhorar a vida das pessoas, e nem a ciência se pensar bem; mas se, e somente se, as pessoas não souberem usar da maneira correta.

    • EDSON_HYPE:

      Muito bom Jonatas, você foi sensato e justo dentro do teu ponto de vista e demonstrou respeito com aqueles que crêem no Sobrenatural. Este tópico tinha e tem tudo para desencadear os mais absurdos comentários a respeito daqueles que crêem em Deus. Ah, vale ressaltar que (muito bem observado por você) acreditar em algo Sobrenatural é muito diferente de ter amigos imaginários como o Grossman colocou… É como eu lhe disse em comentários anteriores, existem os ateus “elegantes” mas também existem aqueles insipientes e redundantemente mentecaptos que acham equivocadamente que armazenam mais massa cinzenta do que os que são crédulos e, por isso, utilizam termos pejorativos para se referirem a crença das pessoas… Grande abraço

      Grande abraço

    • Glauco Ramalho:

      Cesar, vc confunde muito religião com religiosos.

    • Cesar Grossmann:

      Sem os religiosos, não existe religião.

    • Glauco Ramalho:

      Tá vendo como confunde? Falta filosofia na sua matemática, engenheiro.

    • JHR:

      Qual a correlação estatística entre a migração de cegonhas e o indice de natalidade local? Provavelmente nenhuma.
      Comparar indices de violência com a religiosidade me parece leviano pois sabe-se que nesta equação entram outras variáveis como distribuição de renda, escolaridade, densidade populacional só para citar algumas.

    • EDSON_HYPE:

      JHR, este tipo de pesquisa é tendenciosa, provavelmente movida por uma ou mais cabeças cujo objetivo é denegrir a fé das pessoas. Você tem toda a razão, existem muitos outros pontos que geram violência: a discriminação, o amor e o apego desmedido ao dinheiro e aos bens materiais, as disputas que incluem desde o futebol até a política. Mas quem é contra a religião, normalmente ignora os princípios fortes e profundos do amor ao próximo passados por ela, mas se detém nas pessoas incautas que são violentas por natureza, sendo religiosas ou não. Grande abraço

    • Cesar Grossmann:

      JHR

      Um dos argumentos que eu mais ouço é que a religião faz com que as pessoas evitem o crime, que dá padrões morais, e que se as pessoas deixassem de acreditar em Deus passariam a roubar, matar e estuprar.

      Se este argumento fosse verdadeiro, então países onde a maioria das pessoas são religiosas seriam pacíficos, não importando se o país é rico ou pobre, e vice-versa, países mais seculares deveriam ser violentos, também sem importar se o país é rico ou pobre.

      Só que não é assim. O estudo mostra que os países onde tem menos violência são seculares, e os países onde tem mais violência são religiosos.

      O estudo não vai atrás das raízes da violência por que quem afirma que a religião dá padrões morais que as pessoas mundanas não tem, também não fala de situação econômica e coisa e tal.

      O estudo, então, não é leviano. É na medida certa para responder os crentelhos que afirmam que os ateus são assassinos, ladrões e estupradores, e que sem religião a sociedade vira um caos.

    • EDSON_HYPE:

      Avaliar paises em relação a violência é muito subjetivo… Deve-se avaliar as pessoas, os históricos, os povos, as tribos, as famílias, os porquês. Violência não é o único mal da sociedade… Esqueça as fronteiras, analise os povos do planeta como grupos menores, com sua história, conquistas e mazelas… Todos precisam de regras, sem as quais o mundo se torna um caos… A religião, ou pelo menos algumas delas, contribui sim com muitas regras, isto é fato histórico, mas a violência é gerado por diversas fontes e onde há o ser humano há podridão, violência, traição, desrespeito e isso independe de religião… Muitos que se dizem crentes e que são peças do quebra-cabeças da violência, é porque são néscios e falsos seguidores, mentirosos e amantes da mentira… Saiba diferenciar a sabedoria de uma religião daqueles que a seguem de maneira cega e doentia… Você generaliza muito quando se refere a pessoas que acreditam em Deus… Como é dito: “Nem todo aquele que me diz ‘Senhor’ entrará no meu reino”.

    • Rodrigo Botecchia:

      César, gosto dos teus posts. Mas vocês muitas vezes age tal qual um crente fanático, e parece um dos usuários da ATEA no facebook: boa parte dos ateus “não militantes” se irritam com postagens feitas por eles.
      A violência está enraizada no ser humano, é muito fácil e as vezes reacionário dizer que é “tudo culpa da religião”.
      Um exemplo tosco (mas não deixa de ser exemplo) que gosto de usar é um episódio do South Park, onde o Cartman fica congelado em animação suspensa, e é acordado no futuro: um futuro sem religião e apenas ateus. Dois grupos acham ele: o grupo dos “ateus unidos” e o outro, “novos ateus reformadores”. Dentro de poucos segundos começam a BRIGAR ENTRE SI. Entendeu a mensagem do desenho tosco? E vale lembrar que South Park não PERDOA NINGUÉM: nem a hipocrisia de alguns religiosos, nem a MESMÍSSIMA hipocrisia de ateus militantes.

    • Cesar Grossmann:

      O que isto tem a ver com o artigo?

    • EDSON_HYPE:

      A não promoção da paz é independente de religião. Um pai pode pagar uma excelente faculdade de medicina a dois filhos, lhe ensinar a cuidar das pessoas e incluir em sua vida profissional a caridade para com aqueles que não podem pagar. Depois de formados, um escolhe ser bem sucedido e seguir os conselhos do pai, passando a incluir em seu cotidiano obras de apoio aos carentes, mas o outro só quer saber de dinheiro, poder e pode até ter em sua carreira ocorrências de omissão de socorro. Cada um escolhe o caminho que deve seguir, o da benção ou da maldição. Isto é um problema de caráter, e não de religião. Hoje se mata por amor ao dinheiro, política, futebol, adultério, calúnia, difamação, tolices, etc. E a religião é contra isso tudo. Agora se seus seguidores não são, isto é problema de personalidade, como eu disse: caráter.

    • Cesar Grossmann:

      É, Edson Hype

      Mas os religiosos são bem rapidinhos em acusar os ateus de serem imorais. Alguém lembra o infeliz episódio do Datena?

      O estudo aqui mostra que o Datena e todos os religiosos que pensam como ele estão errados, não é por que um país é cheio de gente que “não tem deus no coração” que ele vai ser violento, e que não é por que um país está cheio de gente “com deus no coração” que ele se torna pacífico.

    • Jonatas:

      Cesar, eu sou bem mais novo que você, como pessoa e como profissional também, tenho muito menos experiência, por isso peço desculpa se um conselho meu lhe soar… desagradável. Mas parece cometer o descuido de confundir o teísta inteligente e racional com o religioso fanático. Esses fanáticos dogmáticos é que são uns chatos, vem a sites não só como esse mas outros e publicam esses absurdos pejorativos contra o ateísmo e essa história de “sem deus no coração” é uma fala muito comum desse dito público, que muitas vezes se enquadram na classificação taxonômica de “trolls”, por sinal adoram discussões cíclicas e matérias como essa o chamam feito moscas, aí está maior necessidade da moderação.
      O teísta inteligente é diferente, não acredita por dogma e fé cega e não se preocupa em julgar os outros, acredita porque em sua visão lhe é lógica a existência divina, e isso não os impede de ser pessoas inteligentes que merecem de nós o mesmo respeito que nos dão, e não é certo serem enquadrados no mesmo grupo dos fanáticos. Quando falamos em religiosos, temos que ver bem a qual classe nos referimos. É o que penso.

    • EDSON_HYPE:

      César, há ateus e ateus, crédulos e crédulos, assim como há bons e maus profissionais em todas as áreas, assim como há boas e más pessoas em todos os lugares… Há sacerdotes que são, como já foi dito: “Lobos devoradores”, enganadores, mas há também os que são honestos e sinceros… Onde há o ser humano, há os bons e os ruins… Simples assim…

    • EDSON_HYPE:

      Jonatas, muito bem observado quando você retratou duas categorias de teístas. Agora, se puder, me responda, com toda a sinceridade é claro, baseado em nossos debates passados, em que grupo eu me encaixo na tua observação? Gostaria disso para que eu possa realizar uma auto-avaliação, ok! Grande abraço!

    • Jonatas:

      Eu considero a resposta meio óbvia mas tudo bem… és o teísta racional e inteligente sem dúvidas. Aquele com quem se pode conversar.

    • Cesar Grossmann:

      Jonatas, quem faz a imagem da religião não são os teístas moderados. Eles só se manifestam para dizer que nem todos são iguais. Mas onde estão os “frutos” desta diferença? Eu penso que os moderados deveriam se diferenciar em atos, e não em palavras. O movimento contra o obscurantismo deveria começar dentro das Igrejas, entre os “moderados”.

    • EDSON_HYPE:

      Um grande problema da sociedade é a intolerância, e isto independe de religião ou secularidade. As disputas existem e são evidentes: Disputa entre países, entre regiões, entre estados, entre cidades, entre bairros, entre ruas, entre vizinhos, entre parentes, entre alunos, entre colegas de trabalho, entre empresas, etc… Olimpíadas são disputas, jogos são disputas, guerras são disputas… Então num mundo tão cheio de pessoas isoladas em seus próprios interesses, que não sabem disputar com tolerância, impera o racismo, a discriminação, a violência, a ignomínia, e assim por diante… Algumas pessoas confundem o discordar com intolerância… São coisas distintas, pois eu posso discordar de alguém em algum ponto e almoçarmos juntos e darmos boas risadas… Eu, teísta, sou totalmente contra os religiosos intolerantes que, arrogantemente, julgam e condenam aqueles que contrariam seus dogmas… Isto não é fé e muito menos religiosidade… Não aprenderam com o Mestre que criticou os fariseus por serem esses pseudo-religiosos… Há muito joio se achando trigo… Mas justiça seja feito com os que realmente são trigo… Ateus e religiosos podem sim viver em paz com respeito e tolerância, desde que sejam abolidas as ofensas…

    • EDSON_HYPE:

      Jonatas, obrigado por responder a minha pergunta. A resposta estava óbvia sim, mas só quis ter a certeza de que consegui cumprir o meu objetivo que foi de passar essa visão de que ser teísta não significa ter menos cultura, menos inteligência, menos racionalidade, como alguns chegam ao cúmulo do absurdo de pensar. A recíproca do respeito também é verdadeira, pois vejo que você tem é bastante educado e elegante ao expor suas idéias. Grande abraço!

  • Glauco Ramalho:

    Estatística mostra o que você quiser mostrar.

    • Wagner Pires:

      Estatística é uma ciência exata, e ela mostra o que os dados mostram. Se você discorda dos resultados de um estudo estatístico, pode mostrar as falhas na amostragem, coleta, ou interpretação de dados. Se não, a resultado da pesquisa estatística está certo, mesmo que contradiga o que você esperava como certo.

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