Meu paciente pegou covid duas vezes: adeus imunidade de grupo

Por , em 13.07.2020
Técnica coletando amostra do nariz de homem para exame de coronavírus

“Espera! Posso pegar Covid duas vezes?” o paciente de 50 anos incrédulo questionou o médico quando seu exame deu positivo para coronavírus pela segunda vez, três meses depois do exame anterior. Isso pode ser péssimo para nossas esperanças de imunidade de rebanho (ou imunidade de grupo) contra o coronavírus.

É possível contrair Covid-19 duas vezes?

Um pequeno número de casos que cresce regularmente indica que a resposta para esta pergunta é, infelizmente, positiva de acordo com o médico D. Clay Ackerly, médico e docente da Harvard Medical School, escrevendo para o Vox.

Doença mais severa

O pior da notícia não para por aí: a segunda vez que a doença acomete pode ser muito mais severa e resultar em várias visitas ao hospital, como relata o médico.

Outros casos recentes também indicam que é possível contrair a infecção mais de uma vez. Em outra instância Daniel Griffin, médico e pesquisador da Universidade de Columbia, descreveu outro caso presumido de reinfecção no podcast  This Week in Virology.

Existe a improvável possibilidade do paciente de Ackerly ter pegado o vírus apenas uma vez, mas a infecção tenha durado três meses. Há pacientes que parecem ter sintomas e infecções de longa duração.

Mas o paciente dele, de acordo com o médico, se livrou da infecção: fez dois exames PCR que eram negativo depois da primeira vez que a infecção o atingiu. Ficou saudável por um mês e meio. Portanto o médico pensa que seu paciente tenha, na realidade, se curado totalmente da primeira infecção e contraído ela novamente já que foi exposto novamente por outro membro da família.

Outras dúvidas sobre a imunidade

Seu paciente não tinha conseguido fazer um exame de anticorpos depois da primeira infecção. Pesquisas pequenas, com pacientes totalmente recuperados, até o momento indicam que nem todos produzem anticorpos depois da doença, apesar de haver alguns resultados promissores no campo da imunidade celular. Outra questão que preocupa os cientistas é que as pessoas que contraem o vírus e não mostram sintomas tem um resposta imune muito rápida, mas os anticorpos diminuem velozmente logo em seguida.

Essas reinfecções repetitivas também podem indicar uma grande quantidade de vírus, inclusive outros tipos de de coronavírus.

No fim das contas ainda há mais dúvidas do que respostas sobre a imunidade após contrair o coronavírus: não sabemos da sua duração, qual a quantidade de anticorpos é necessárias para uma imunização eficiente.

Apostando na imunidade de rebanho

Outra preocupação que os casos de reinfecção trazem é a esperada imunidade de rebanho. Também conhecida como imunidade de grupo, a teoria gira em torno da idéia de que, após certo percentual da população ser exposta ao vírus e imunizada, haveria uma proteção coletiva contra a sua propagação.

No entanto a imunidade de grupo em si é o pior plano B possível. Ela exige infecção maciça da população e — no caso do novo coronavírus, enormes perdas de vida já que a taxa de óbitos da doença é muito alta — antes que haja proteção da população.

A imunidade de grupo foi endossada tanto no Reino Unido quanto na Suécia tempos atrás com horrendos resultados. Portanto, não baixe a guarda por causa de idéia de imunidade de rebanho, mesmo que você já tenha contraído o coronavírus antes.

Resultados como o do paciente do Dr. Ackerly podem indicar que o coronavírus compartilhe aspectos da dengue em que a segunda infecção pode ser muito mais perigosa para o paciente.

Como ficam as possíveis vacinas?

Finalmente, se é possível uma reinfecção durante um prazo tão curto a durabilidade e eficácia de possíveis vacinas também pode ser colocada em dúvida no combate ao Covid-19.

A esperança e que pacientes como do Dr. Ackerly sejam uma exceção ao invés da regra, afirma o médico. Mas ainda não sabemos.

O que sabemos que funciona na luta contra o Covid-19

Mesmo que a imunidade de grupo seja um sonho distante no qual não devemos apostar nossas fichas é fundamental continuarmos com a prevenção: máscaras, lavagem das mãos, distanciamento, evitar lugares fechados com muitas pessoas. Esses métodos comprovadamente funcionam, segundo ele.

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