Pesquisadores criam material tão preto que se torna invisível

Por , em 16.07.2014

Imagine-se no lugar mais escuro que já esteve, no qual não consegue nem ao menos enxergar seu nariz, quanto mais qualquer coisa além dele. Todas as formas e texturas do mundo ao seu redor estão simplesmente invisíveis.

Já pensou que uma coisa poderia ser assim?

Uma equipe de pesquisadores britânicos não apenas imaginou, como criou um material recorde, que é tão preto que você mal consegue vê-lo.

A empresa britânica Surrey NanoSystems produziu o Vantablack, um material “estranho”, “alienígena”, tão negro que reflete somente 0,035% da luz visível, estabelecendo um novo recorde mundial. Observar este revestimento “superpreto”, feito de nanotubos de carbono – cerca de 10 mil vezes mais finos que um fio de cabelo humano – é uma experiência ímpar.

Ele é tão escuro que o olho humano não consegue entender o que está vendo, de maneira que relevos e contornos são perdidos, deixando apenas um aparente abismo.

Produzido em uma folha de papel alumínio, o material absorve a luz e não a deixa sair: os poucos fótons absorvidos quicam para os espaços entre os nanotubos, que estão alinhados como se fossem vários canudinhos juntos, vão saltitando dentro da estrutura e são absorvidos lentamente, sem nunca retornar ao ar.

E não é apenas o Vantablack que é preto demais para ver, como qualquer objeto que seja coberto por ele. Ben Jensen, o diretor técnico da companhia desenvolvedora, explica o que você vê quando uma camada deste material reveste algo amassado e vincado: “Você espera ver as ‘dobras’ e tal (…), [mas] é preto, como um buraco, como se não houvesse nada ali. É tão estranho”.

Mas o que fazer com algo tão escuro? Para começar, esta substância pode fazer com que câmeras astronômicas, telescópios e sistemas de digitalização de infravermelho funcionem de forma mais eficaz. Estes equipamentos, que são utilizados para registrar os objetos mais antigos do universo, precisam ser calibrados. Isso é feito ao apontá-los para algo tão preto quanto possível.

Além disso, ainda há, é claro, a possibilidade de uso militar do material, o que a Surrey NanoSystems não é autorizada a discutir. No entanto, a descoberta tem sido descrita como “muito cara” – valores que a companhia também não revela. [Independent, Gizmodo]

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4 comentários

  • Wanderson Campos:

    juntando aquela materia da força magnetica ser mais forte que a gravidade + essa materia desse material preto

    não estaria ai uma resposta aos buracos negros?

    sempre achei esse negocio de gravidade forte o suficiente para aprisionar a luz meio “forte demais”

    • Cesar Grossmann:

      Não, Wanderson.

      Por mais que um objeto seja escuro, isto significa que ele não reflete, mas não impede que ele emita luz, e este objeto emite luz, como todos os corpos neste universo que estão a temperatura superior a zero absoluto, a radiação térmica.

      Menos os buracos negros, que só emitem a Radiação Hawking.

      Se você acha que este material explicaria os buracos negros, como ele explicaria o disco de acresção e os jatos relativísticos?

  • Guilherme Augusto C:

    “tão negro que absorve somente 0,035% da luz visual”

    Na verdade ele REFLETE somente 0,035%. Se ele absorvesse essa infima quantidade, ele não seria negro. Quanto mais luz um material absorve, mais escuro ele parece, pois há menos luz a ser refletida

  • Ney Frota:

    Minha cadela era assim. Ela era de pelo tao preto, que as fotos eram sem graça. Ficava so uma mancha preta dificil de entender o que era focinho o que era rabo 😉

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