Polêmica: como falar de poligamia com seu parceiro?

Por , em 4.07.2011

Falar sobre infidelidade com seu parceiro pode ser uma tarefa difícil. Um dos lados pode ficar com a cabeça quente ou levar mágoas da discussão. Mas, ao contrário da crença popular, é possível discutir temas como monogamia, poligamia, sexo e traição de uma maneira racional e aberta com seu parceiro – sem ferir alguma das partes.

Um tema ainda muito engessado e que várias pessoas evitam discutir é o da monogamia. O jornalista Dan Savege é um fervoroso crítico dessa opção sexual. Para ele, a monogamia funciona com alguns casais, mas para outros ela não é a escolha ideal.

Crer que o homem anseie uma relação monogâmica pode ser precipitado, de acordo com Savege. Já foi aceito em nossa sociedade que o homem tivesse amantes e acesso a prostitutas. A revolução feminina, ao invés de permitir que as mulheres também pudessem se relacionar com vários homens, teria reprimido a liberação sexual com a instituição dos casamentos igualitários e monogâmicos – que por esse mesmo motivo, muitas vezes acaba de maneira desastrosa.

Algumas pessoas não esquentam a cabeça com relações que envolvam várias pessoas, mas para outras essa é uma situação difícil de engolir. Caso você tenha feito uma proposta de poligamia para seu parceiro é essencial não pressionar ou jogar a responsabilidade em cima de quem não aceitou o relacionamento não convencional. Para algumas mulheres, é mais fácil dizer “sim” do que “não, eu não quero isso, vamos tentar outra coisa” justamente pela opressão que elas temem sofrer.

Há mulheres felizes em ter pequenos casos enquanto o marido está viajando. A diferença é no modo em que o casal vê isso. Pode variar de “não diga nada” e “eu não quero saber” para “traga ele para casa para apimentar nossa relação”.

Parece óbvio que os parceiros tenham que falar sobre suas expectativas de exclusividade sexual ou a falta dela e descobrir uma maneira de relação que funcione para ambos. Isso parece simples, mas tem gerado debates improdutivos sobre o que as mulheres desejam, o que os homens precisam, o que é certo, o que é errado e o que é normal. Não seria mais fácil aceitar o fato de que cada relacionamento é único e funciona de maneira diferente?

Alguns convictos na poligamia consideram as relações monogâmicas ilusórias, inseguras e chatas. Mas insistir na questão com quem não concorda com ela pode não ser produtivo, já que pode reabrir feridas de pessoas que já foram traídas e não gostaram nada disso (quem não tem lembranças sobre infidelidade é muito sortudo ou deve ter menos de 15 anos de idade).

Um dos maiores problemas é a forma como as pessoas estão acostumadas a enxergar a situação. Quem já sofreu com a infidelidade pode se tornar inseguro por isso e passar a enxergar quem convive com as relações múltiplas como uma pessoa pervertida. Não precisamos desejar uma relação poligâmica, mas é importante aceitar quem vive com ela. Todos merecem respeito, sejam monogâmicos, poligâmicos ou alguma coisa entre isso, certo?[Jezebel]

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15 comentários

  • D:

    Muito bom artigo. Estamos realmente em vias de quebrar esse tabu besta. Pelas opiniões que a gente lê, fica clara a fragilidade de toda argumentação contrária, quando há, já que as pessoas realmente não ligam dependendo da forma como se trata o tema, ou se virar moda por exemplo. Tudo é questão apenas de costume e do que a maioria começa a fazer.

  • franobre:

    Para mim existe traição ao combinado (implicita ou explicitamente) quando o casal decidiu compartilhar suas vidas, ou às expectativas assumidas. Aquele(a) que sabe não conseguir manter-se em uma relação monogâmica deveria ser honesto(a) e tratar disso com o(a) parceiro(a), combinando a forma que poderiam manter a união, mesmo com casos ocasionais ou permanentes, conhecidos ou velados. A sinceridade é que deveria permear a relação e o sentimento mútuo é que sustentaria a sua continuidade.

  • Washington n:

    “quem não tem lembranças sobre infidelidade é muito sortudo ou deve ter menos de 15 anos de idade”

    Nenhum dos dois. Qualquer um pode refletir e aprender sobre inteligência emocional antes de se engajar num relacionamento amoroso. A pessoa terá condições de verificar se a outra vale a pena e conversar abertamente sobre temas ‘tabu’. Quando os dois estão em sintonia, sabem dialogar, compartilham tudo sobre a vida do outro, admitindo suas falhas e estando seguros sobre seus objetivos, será difícil uma infidelidade.
    O grande problema é que nas escolas não ensinam psicologia. O resultado são pessoas desajustadas que se entregam a paixões, a semi desconhecidos e não procuram conhecer alguém de modo racional. A afobação costuma estar presente.

  • Helô:

    não acho interessante dividir meu esposo com outra mulher, pois haveria com certeza uma comparação entre mim e ela, e se ela for melhor? Na cama, como companheira, e se ele resolve me largar pra ficar só com ela? Sabe, se fosse talvez uma mulher que fosse muito minha amiga, que não o dipsutasse comigo, apenas dividisse amigavelmente, de repente seria interessante, mas é complicado demais, prefiro nao tentar… E sei que ele ia adorar, por mais que nao confesse isso pra mim hehehe… Agora varias mulheres avulsas, isso me incomodaria profundamente, nao sei explicar direito pq… mas incomodaria. E se fosse um casamento aberto, eu teria receio de de repente, me apaixonar por outro… ou ele por outra… nada é impossivel.

    • Alex DS:

      Nunca vivi isso, mas ja li vários relatos. Acho que em fazer com uma amiga que é o perigo, poderia contratar uma prostituta, ele deixar um cara com vc qdo vcs fizer uma viajem de férias em uma cidade distante, Fazem regras de não pegar contato e tal. Eu não tenho esse fetiche, mas não julgo quem tem não. O casal decide o que é certo e o que é errado.

  • Skill:

    Para aprendermos basta olharmos os animais…como somos animais, nada justo aprendermos com eles.

    Alguem já viu animais casado? Alguem já viu um animais com apenas uma unica(o) parceira(o)?

    Não me venham dizer daquelas araras…sabemos que elas traem. O ser humano deve ser livre para se expressar sexualmentee fugir de padrões impostos por dogmas.

    Por fim…viva os arabes e mulçulmanos, por poderem dentro de uma determinada regra, ter varias mulhres, o que falta agora é deixa-las ter vários homens (se elas não querem, ou não achar interessante, então continuem com um apenas).

    Pesquisem como surgiu o casamento tradicional cristão e ocidental e terão um surpresa.

    abraço

    • Rosana Oliveira:

      “Alguem já viu animais casado? Alguem já viu um animais com apenas uma unica(o) parceira(o)?”

      Você perguntar se já vimos animais casando com pretexto de invalidar o casamento, é a mesma coisa que perguntar se já vimos animais cozinhando ou temperando uma comida. Casamento é característica evolutiva e cultural, assim como cozinhar alimentos, fazer funerais, etc.
      Quanto a animais monogâmicos, você com certeza perguntou isso na ignorância mas com tom de desafio. Vou dar 5 exemplos, mas há muito mais: lobo cinzento, ariranha, cisne, castor, gibão (um tipo de primata)
      Como eu disse anteriormente, casamento é questão evolutiva E cultural, ou seja, não existe casamento só no cristianismo.
      Mas uma coisa é certa: quem ama não trai, seja com ou sem casamento.

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      “O ser humano deve ser livre para se expressar sexualmente fugir de padrões impostos por dogmas.”

      Concordo com você, DESDE QUE a relação seja aberta desde o início. Ambos devem estar cientes da liberdade. Uma coisa é o ser humano querer ser livre e outra bem diferente ser desonesto, começar um relacionamento sabendo que o outro espera fidelidade, não conversar sobre o assunto para colocar os pintos nos i’s e fazer tudo ao contrário escondido. Quem faz escondido sabe que está sem razão, sabe que está errado.
      Não tenho nada contra quem tem relacionamento aberto, pois apesar de cada um sair com pessoas diferentes, ambos estão cientes da situação. Há HONESTIDADE. Relacionamento aberto não faz meu estilo, mas não tenho nada contra quem é adepto.
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      Quanto aos árabes e muçulmanos, mude-se pra lá pra ver como é ótimo ter que sustentar várias mulheres. É, meu filho…eles podem casar com várias, mas o cara, além de ter que ter tutu pra sustentar todas, elas devem ter a aprovação da primeira mulher dele. Não pensa que é tudo escondidinho e sem compromisso.

  • Alex:

    Stephanie D’Ornelas conheço alguns estudantes que estão escrevendo uma tese sobre uma modalidade de ‘casamento aberto’ que vem ganhando muita expressão no Rio e em São Paulo.

    Nas entrelinhas do que você escreve é perceptível que você conhece essa ‘tendência cultural’.

    Ótima matéria. Nossa sociedade ainda esconde preconceitos mas sutis e difíceis de combater.

  • Edmar Nascimento:

    O ser humano, a sociedade humana, caminham no sentido de tornarem cada vez mais civilizados. Para isto usa de princípios morais ou procedimentos. Quanto mais elevados os princípios mais organizada e próspera se torna a sociedade. Quanto mais atrasados mais problemática e pobre se torna.
    Como o nível moral varia em cada indivíduo, nem todos empurram a evolução da sociedade. Muitos estão puxando para traz. Assim temos os que pensam de forma criminosa porque acreditam que o crime é forma legítima de prsperidade. A sociedade por sua vez tenta identificar mas nem sempre consegue, os procedimentos sociais que desorganizam. As leis tenta identificar os problemas, mas infelizmente depois de ocorridos e muitos fatos criminosos passam a serem tratados. Assim temos princípios e atitudes como assassinatos, roubos, agressões, infidelidade, escravidão moral, todos com milhares de anos de existência e com vasta ação de freiar a sociedade no no sentido da prosperidade. Nem todos os crimes são percebidos. Percebemos mais os que ferem o egoísmo humano. Para os outros somos cegos e insensíveis. Devemos fazer o que organiza, não a própira vontade. Desta forma fechamos a porta para as opiniões criminosas muito em destaque nestes últimos dias.
    Edmar

  • Shappaaa:

    Os homens sofrem mais com a monogamia que as mulheres. Contraditoriamente (ou não) os homens sofrem mais com as traições que as mulheres.
    Pense sobre isso.

  • Thiago:

    Cada cabeça um mundo. Algumas pessoas podem se sentir bem com monogamia em seu relacionamento, outras não.

  • David:

    Concordo com o Cláudio, mas já acho que poligamia é demais… é um desrespeito ao parceiro… não se pode amar conjugalmente mais de uma pessoa ao mesmo tempo. (sim, eu sou romântico!)

    • Washington n:

      Desrespeito é trair, ou seja, enganar. Algumas pessoas acreditam que alguém casado e que está com outra mulher, está traindo. Quem pode saber? Se a esposa sabe e não se incomoda, não é traição.

      Sobre amar mais de uma ao mesmo tempo, claro que é possível. Por acaso um pai não pode amar os dois filhos? Um neto não ama a avó e o avô ao mesmo tempo? Um sobrinho não pode amar dois tios? Por que SÓ não se pode amar duas mulheres ou homens ao mesmo tempo? Isso é invenção do romantismo clássico, aquele que vive no mundo da Lua, que idealiza a pessoa perfeita(como se existisse) e sofre por “amor”, como se amor fosse sinônimo de sofrimento.

  • Cláudio:

    Concordo em gênero, número e grau quando diz que cada relacionamento é unico. Mas em todos eles deve ser aberto o diálogo totalmente aberto, justo e sincero.

    Se isso for praticado desde o começo, evita-se casos de infidelidade, brigas bobas e relacionamento chatos, inseguros e que não dão certos.

    As pessoas tem que entender que o que funciona pra umas não funciona pra outras, e cada casal tem que sentar e conversar sobre o que quer e o que sente. E isso deve ser praticado desde o primeiro dia de relacionamento.

    Quando se conversa sobre assuntos como sexo/intimidades, viver torna-se algo muito mais prazeroso.

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