Poligamia: boa para os homens, ruim para as mulheres

Por , em 2.03.2011

Em 1862, a decisão do Congresso Americano em tornar a poligamia ilegal naquele país, transformou a vida dos mórmons. Os mórmons são um grupo que faz parte de uma religião cristã conhecida como a Igreja de Jesus dos Santos dos Últimos Dias. Eles são uma comunidade bastante fechada que valoriza a família e que geralmente se casam apenas entre outros membros religiosos. Antes da lei, era comum aos homens mórmons terem várias esposas. Em 1890, no entanto, a Igreja fez uma declaração acabando com a prática, inclusive no estado de Utah, onde vive um número grande de mórmons. Algumas décadas depois, menos de 1% dos mórmons deste estado tinham mais de uma esposa.

Cientistas da Indiana University Bloomington decidiram estudar como a proibição da poligamia mudou a vida dos homens e mulheres desta comunidade. O autor do estudo, Michael Wade, escolheu os Mórmons porque eles seriam “uma população singular que sofreu uma mudança compulsória em seu estilo de união, da poligamia para a monogamia. E melhor ainda, nada mais mudou. O estilo de vida continuou o mesmo, eles não mudaram seus hábitos alimentares ou onde vivem”. Eles decidiram, então, estudar como a mudança afetou o as pressões evolucionárias nos homens e mulheres mórmons na hora da seleção sexual, onde existe competição entre cada gênero para conseguir um companheiro ou companheira.

Para medir a seleção, eles buscaram os registros genealógicos de cerca de 150 mil homens e mulheres que nasceram entre 1830 e 1864 e quase 635 mil descendentes da base de dados populacionais de Utah. Eles utilizaram, também, dados do Censo do Governo dos EUA para completar as estimativas do número de pessoas que não tiveram filhos. Os cientistas consideraram os “monógamos em série”, pessoas que se casaram várias vezes, ou as pessoas que ficaram viúvas e se casaram de novo, mas nunca estiveram envolvidos em um relacionamento poligâmico.

Segundo os pesquisadores, a poligamia exacerbaria a competição para os homens, afinal, para cada homem com cinco esposas, existiriam quatro homens sem esposa nenhuma. Este sistema resultaria em alguns homens com vários filhos e outros sem nenhum. Não foi nenhuma surpresa descobrir que os polígamos tinham mais filhos. A cada nova esposa, o homem poderia ter mais seis herdeiros. Com as mulheres, acontecia o contrário: a cada esposa adicional, elas deixariam de produzir um filho.

Os cientistas descobriram que quando a poligamia ficou ilegal, a diferença entre o número de filhos dos homens que sempre foram polígamos e daqueles que nunca tiveram uma esposa caiu impressionantes 58%.
Em relação a competição entre os homens na hora da seleção da esposa, a variação na diferença entre os homens que conseguem se reproduzir com sucesso não necessariamente significa uma evolução na seleção. De acordo com o professor de antropologia da Universidade de Utah, Henry Harpending, “a pesquisa é impressionante”, mas “os homens que antes tinham três mulheres poderiam tê-las simplesmente porque tinham algo melhor que os outros homens. Se este é o motivo, então houve uma diferença no banco de genes. Se a escolha for aleatória – meu tio me ajudou a comprar uma fazenda e eu consegui três esposas – então, isto não muda nada”.

As mulheres foram beneficiadas com a monogamia. “Se você só tem um parceiro o número máximo de descendentes para o homem será o mesmo que para as mulheres”, disse Wade. Assim, o relacionamento entre gêneros ficou mais equilibrado. “A variação de parceiros para um homem, com a monogamia, passa a ser quase igual para as mulheres”.

Em relação ao número de filhos, que diminuiria a cada nova esposa que chegasse à família, Harpending explica que o motivo poderia ser a idade das mulheres. As recém-casadas geralmente eram mais novas, já as que se casaram antes seriam mais velhas e menos férteis. Outra explicação seria que algumas viúvas, antes de se casar de novo, teriam perdido um período de sua fertilidade.

Em resumo, a poligamia trazia mais benefícios para os homens, mas só para os que já tinham várias esposas. A monogamia diminuiu as diferenças reprodutivas entre aqueles que, antes, não tinham uma esposa sequer. A competição para arrumar um parceiro ou parceira, que antes era menos acirrada para os homens, acabou se igualando. Os homens tiveram que começar a correr atrás! Para completar, o número médio de filhos que um homem poderia ter era alto quando podia ter múltiplas esposas. Com as mulheres era o oposto. Os cientistas preferiram definir se a poligamia era boa ou ruim, mas ficou claro que, se era boa, era só para os homens casados. [LiveScience]

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23 comentários

  • Gilmar Geraldo Xavier Xavier:

    A poligamia favorece a mulher solteira por aumentar sua chance de se casar, favorece a mulher casada por diminuir o número de solteiras assediando leviana e irresponsavelmente vários homens casados, podendo casar se mais uma vez o homem não precisa abandonar a primeira esposa e nem enfraquecer a ligação com os filhos desta, sabendo se co-esposa a mulher não se sente enganada, e aumenta o valor e a dignidade da mulher por diminuir a promiscuidade e a prostituição e o melhor de tudo para os dois, quando tem dor de cabeça a mulher não se sente culpada nem o homem se sente rejeitado.

  • Gil:

    A pouca vergonha que os mórmons inventaram (poligamia) é detestada pela sociedade ocidental. Buscaram apoio bíblico lá no começo da bíblia, uma absurdo. A seita mórmon tem várias fragmentações e uma delas, os fundamentalistas, até hoje praticam a poligamia, escondendo-se da lei que proibe.
    Pessoas sensatas terão repulsa pela poligamia. Os mórmons creem que Deus é poligamo e que quem se tornar um mormon, terá que ser poligamo no mundo futuro. Uma ideía maluca.

    • Rosana Oliveira:

      Seguinte: não sou mórmon e não adepta da poligamia, mas quem quiser, não tenho nada contra.
      Por um lado seria até melhor, pois a pessoa tem consciência que o parceiro está saindo com outras e não fica se iludindo.

      Mesmo assim poligamia não é meu estilo. Eu não me sentiria bem.

  • claudemir da silva:

    o poblema é ter varias despesas ta dificil com uma imagine ter varias

  • Richard:

    Isso foi machista.
    Eu sou homem e não gostei nem um pouco disso.

  • lol:

    O povo da foto parecem que estão empalhados.

  • Leônidas Loureiro:

    AINDA BEM QUE A MULHER FOI TIRADA DE UMA COSTELA DO ADÃO, PORQUE SE TIVESSE SIDO DO FILÉ DO ADÃO, SÓ OS RICOS COMERIAM, E OS POLÍGAMOS SE DARIAM MUITO BEM. rsrsrsrs

  • Julio de Castilho:

    Poligamia de forma diferente é bem melhor.
    Durante uma vida ativa sexualmente podemos, sim, ter várias mulheres; uma de cada vez. A maioria dos artistas são “polígamos” e eu já fui. Eu já fui porque casei com três mulheres (uma de cada vez, lógico!). A minha primeira mulher seguiu meu exemplo no gênero dela ganhou e ganhou quatro casamentos.

  • luciana:

    Pelo menos não existia tanta solteirona como eu.

  • clarice:

    uma boa desculpa para não ter “uma por fora” kkksksksksks

  • Lilian:

    willney,
    Porque as pessoas acham que a vida se resume nisso. Imagine um homem casado com 3 mulheres, 3 compras de supermercado mensais, pagamento de escola para todos os filhos, energia, água, condomínio, IPTUs etc etc etc…
    Fora aguentar 3 TPMs mensais, sendo que apenas uma, nem nós mulheres aguentamos, rs!

  • willney:

    Sou casado a sete anos com uma mulher e mesmo q houvesse poligamia, creio q não teria paciência casar com outra. Porque quando se fala desse assunto se pensa logo em SEXO?

  • Lilian:

    luis / 2.03.2011
    So uma mulher pra achar isso….rsrsrs

    Queria saber como funcionaria um divórcio ‘coletivo’. O cara ficaria literalmente sem as cuecas.
    A monogamia é bem interessante para os homens, também…
    Mas só para os inteligentes!

  • VEIO:

    O Problema não é ter varias mulheres….e ter varias sogras….

  • Alex:

    Acho muito bom a poligamia ser proibida. Se não os jogadores de futebol teriam várias mulheres, ai os políticos pegariam outra grande fatia, da mesma forma os empresários. No fim sobraria as de menor qualidade para a população em geral hehehe.

    • Angelloo JA:

      verdade alex nos ficaríamos só com os tribufus e ainda correndo riscos de perder

  • Netnature.wordpress.com:

    Interessante, considerando que o trabalho foi feito com os Mórmons. Obviamente que uma sociedade poligamica tende a favorecer os homens, pois ele pode passar seus genes para frente com uma gama maior de mulheres. A disputa é grande realmente, é grande para homens que ainda estao sem mulheres, e para a mulher é pessimo ja que ela só pode passar seus genes pra frente com o seu homem. Gostaria de saber mais sobre as raras sociedades poligínicas, onde as mulheres podem ter vários homens.

  • DELTON MART:

    ESTA CLARO QUE A NATUREZA DO HOMEM E ESSENCIALMENTE POLIGAMA, SO NÃO VÊ ISTO QUEM NÃO QUER. O CRISTIANISMO E OUTRAS DOUTRINAS DOGMATICAS, TENTAM ACABAR COM A NATUREZA POLIGAMA DO HOMEM, MAS SOMENTE NO COMPORTAMENTO SOCIAL, ISTO É EM SOCIEDADE. POIS NATURALMENTE O HOMEM É POLIGAMO, ASSIM COMO A MAIORIA DOS ANIMAIS MACHOS DO PLANETA. ISTO É ASSIM COLOCADO, PARA QUE SE TENHA A VIDA E A REPRODUÇÃO A QUALQUER PREÇO, INDEPENDENTE DE QUAL SER VAI CUIDAR DO RECÉM-NASCIDO. SE VOCÊS NÃO ACREDITAM, BASTA OBSERVAR A NATUREZA ANIMAL. ALÍAS O HOMEM É O UNICO QUE VAI CONTRA A SUA NATUREZA, NESTE SENTIDO, COM TODA SUA “INTELIGÊNCIA” NISTO ELE PERDE PARA OS ANIMAIS IRRACIONAIS.

  • Denommus:

    Leônidas, estavam apenas pesquisando em termos de número de filhos produzidos. Um filho não ía sair numericamente maior ou menor por causa da poligamia. 😛

  • Leônidas Loureiro:

    APENAS UM DETALHE DESSAS PESQUISAS: ESQUECERAM DE PESQUISAR SE A POLIGAMIA ERA BOA PARA OS FILHOS. PENSARAM APENAS NAS MULHERES E NOS HOMENS. E PARA OS FILHOS? ERA BOM OU NÃO?
    Leônidas Loureiro
    Belém.PA

  • luis:

    So uma mulher pra achar isso….rsrsrs

  • Marcelo Todaro:

    É bom ter em mente que essa é a visão de uma única pessoa que, por mais que tenha tentado aprofundar-se no assunto, não conseguiu alcançar o cerne dele. A poligamia, ou mais corretamente a poliginia (casamento de um homem com mais de uma mulher), não foi algo implementado meramente para satisfazer os desejos lascivos de um punhado de homens, e sim um princípio religioso tanto quanto o sacramento, por exemplo. Para quem quiser ter uma visão mais interior do assunto, recomendo a leitura do seguinte artigo de meu blog:

    http://marcelotodaro.info/?p=1076

    Estou curioso para saber a que conclusões Michael Wade chegaria se estudasse a poligamia existente entre os patriarcas da antiga Israel. Acho que nem precisaria ir tão longe: por que ele não estuda também as modernas sociedades poligâmicas, como a da religião islâmica, por exemplo?

    Um abraço!

    • Notreve:

      Embora a poligamia mórmon seja um ponto histórico interessante, não é relevante ao mormonismo moderno.

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