Por que algumas pessoas têm acne e outras não?

Por , em 3.03.2013

Quatro em cada cinco pessoas já tiveram (ou vão ter) acne, uma doença que é causada por um tipo de bactéria que, acredite se quiser, vive na pele de qualquer pessoa (mesmo daquelas que não têm sequer uma espinha no rosto).

Se a bactéria (Propionibacterium acnes) é tão presente, por que nem todo mundo desenvolve o problema? De acordo com estudo feito recentemente por pesquisadores dos Estados Unidos, a explicação está na variedade de P. acnes: alguns tipos são nocivos à pele e outros, benéficos.

Os cientistas coletaram amostras da bactéria de 49 voluntários que têm acne e de 52 voluntários que nunca tiveram e, em seguida, analisaram os genes dos micróbios (de mil grupos, foram sequenciados os genomas de 66).

“Dois tipos únicos de P. acnes apareceram em um de cada cinco voluntários com acne, mas raramente ocorreram em pessoas de pele limpa”, explica o dermatologista Noa Craft, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA). Um terceiro tipo, por outro lado, era comum entre pessoas de pele lisa, mas raramente encontrado em voluntários com acne. “Nós suspeitamos que essa variação contém um mecanismo de defesa natural que lhe permite reconhecer organismos agressores e destruí-los antes que eles infectem a célula bacteriana”, destaca o pesquisador Huiying Li, da mesma instituição.

“Esse tipo de P. acnes pode proteger a pele, da mesma forma que bactérias encontradas em iogurtes ajudam a defender o sistema digestivo contra parasitas nocivos. Nosso próximo passo será investigar se um creme probiótico [que contém organismos vivos benéficos] pode evitar que bactérias ‘más’ invadam a pele e formem espinhas”.

Outros estudos deverão focar em remédios que possam eliminar tipos ruins de P. acnes enquanto preservam os bons, no uso de vírus para eliminar bactérias relacionadas a acne, e em um teste simples para prever se a pessoa irá desenvolver um tipo agressivo de acne no futuro.

O pesquisador George Weinstock, da Universidade de Washington em St. Louis (EUA), ressalta que a abordagem realizada pela equipe pode beneficiar estudos de outras doenças.

“Nossa pesquisa mostra a importância de análises de variações de micróbios do mundo humano para definir o papel de bactérias na saúde e na doença. Esse tipo de análise tem uma precisão muito maior do que estudos anteriores que se amparavam em culturas bacterianas ou apenas faziam distinções entre espécies de bactérias”, diz.[ScienceDaily] [NewsWise]

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1 comentário

  • Victor B. Iturriet:

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