Por que Spock?

Por , em 1.03.2015

 

Quando escrevi o artigo Por que Star Trek? Qual o segredo de tanto sucesso? simplesmente arrolei as principais razões de eu gostar tanto de Star Trek.

Seja, por efetuar esse convite para vivermos a grande aventura em busca do novo, ou por oferecer um pacto ficcional muito bem costurado com destaque em suas muitas “previsões” de avanços científicos e tecnológicos tais como telefone celular, memória flash, monitores de TV com tela plana, etc. Além é claro da visão otimista de Roddenberry em conceber um futuro no qual a humanidade realmente evoluiu a ponto de resolver toda as questões mais emergentes: sejam ambientais, étnicas, religiosas ou políticas.

No entanto, naquela oportunidade, ficou um hiato em minha abordagem.

Não me dei conta de que omiti, talvez, um dos fatores mais importantes do sucesso dessa série televisiva.

Foi apenas com a notícia do falecimento de Leonard Nimoy que esse componente me saltou aos olhos.

Spock.

Entre tantos aspectos da personalidade desse personagem: inteligência, força, precisão, coerência, etc., no entanto, foi a personificação da dualidade entre a razão e a sensibilidade que me marcou significativamente.

Vivendo o conflito interno entre sua parte humana e sua parte vulcana, Spock revela aspectos importantes dessa dualidade latente em cada um de nós.

Originalmente concebido por Gene Roddenberry em 1964, Spock teria etnia marciana, dotado de pele avermelhada e orelhas pontudas e se nutriria de energia pura por meio de um implante cibernético em seu abdome.

No entanto, o roteirista Samuel A. Pebbles teria sugerido a Roddenberry que Spock fosse metade humano para que ficasse mais próximo do público e que, ao mesmo tempo, esse conflito interno entre os dois lados de sua natureza pudesse oferecer a oportunidade de discorrer sobre nossa condição humana.

Além disso, a necessidade de um planeta natal original para Spock fez de Vulcano uma realização notável. Um planeta igualmente vivo e fascinante.  Uma consequência da esperança de Roddenberry de que a exploração de Marte ocorresse durante a exibição da série.

Uma esperança no sucesso de ambos os programas americanos: o televisivo e o espacial.

Outra polêmica relatada, se refere a preocupação de alguns produtores da NBC com a aparência satânica das orelhas e sobrancelhas pontudas de Spock.

Foi até solicitada a exclusão do personagem.

Segundo Oscar Katz, existia a percepção de que “o cara com as orelhas pontudas iria assustar todas as crianças da América”.

Nada mais falso.

Com o auxílio do próprio Katz, Roddenberry felizmente conseguiu manter o personagem.

Também a natureza não emocional e puramente lógica de Spock só foi incorporada ao personagem depois do segundo episódio oficial.

De acordo com o vice-presidente da Desilu, Herbert Solow, a caracterização só foi credível e convincente graças ao talento e criatividade de Leonard Nimoy que incorporou Spock tornando-o um exemplo vivo.

Spock, Magro e Jim estabeleceram uma espécie de triunvirato no destino da astronave que, quase como um quarto personagem, tende a simbolizar o poder, a força e o instrumento na descoberta do novo, na superação dos limites e no transcender das fronteiras.

Mas é com a luta interna de Spock em tentar sublimar o que nele existe de humano, que descobrimos o mais grandioso que o ser humano pode almejar: a lealdade, a coragem e a verdadeira abnegação.

Embora Leonard Nimoy parta em sua derradeira aventura e nos deixe em luto, persiste para seus fãs sua mais importante criação como ator.

Um ícone que viverá para sempre, perene, em nossas recordações.

*Leonard Nimoy (1931-2015) in memoriam.

Artigo de Mustafá Ali Kanso 

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LEIA A SINOPSE DO LIVRO A COR DA TEMPESTADE DE Mustafá Ali Kanso

[O LIVRO ENCONTRA-SE À VENDA NAS LIVRARIAS CURITIBA E SPACE CASTLE BOOKSTORE].

Ciência, ficção científica, valores morais, história e uma dose generosa de romantismo – eis a receita de sucesso de A Cor da Tempestade.

Trata-se de uma coletânea de contos do escritor e professor paranaense Mustafá Ali Kanso (premiado em 2004 com o primeiro lugar pelo conto “Propriedade Intelectual” e o sexto lugar pelo conto “A Teoria” (Singularis Verita) no II Concurso Nacional de Contos promovido pela revista Scarium).

Publicado em 2011 pela Editora Multifoco, A Cor da Tempestade já está em sua 2ª edição – tendo sido a obra mais vendida no MEGACON 2014 (encontro da comunidade nerd, geek, otaku, de ficção científica, fantasia e terror fantástico) ocorrido em 5 de julho, na cidade de Curitiba.

Entre os contos publicados nessa coletânea destacam-se: “Herdeiro dos Ventos” e “Uma carta para Guinevere” que juntamente com obras de Clarice Lispector foram, em 2010, tópicos de abordagem literária do tema “Love and its Disorders” no “4th International Congress of Fundamental Psychopathology.”

Prefaciada pelo renomado escritor e cineasta brasileiro André Carneiro, esta obra não é apenas fruto da imaginação fértil do autor, trata-se também de uma mostra do ser humano em suas várias faces; uma viagem que permeia dois mundos surreais e desconhecidos – aquele que há dentro e o que há fora de nós.

Em sua obra, Mustafá Ali Kanso contempla o leitor com uma literatura de linguagem simples e acessível a todos os públicos.

É possível sentir-se como um espectador numa sala reservada, testemunha ocular de algo maravilhoso e até mesmo uma personagem parte do enredo.

A ficção mistura-se com a realidade rotineira de modo que o improvável parece perfeitamente possível.

Ao leitor um conselho: ao abrir as páginas deste livro, esteja atento a todo e qualquer detalhe; você irá se surpreender ao descobrir o significado da cor da tempestade.

[Sinopse escrita por Núrya Ramos  em seu blogue Oráculo de Cassandra]

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6 comentários

  • Genioso Irreligioso:

    Jornada nas Estrelas era originalmente pra mostrar os conflitos humanos do comando de uma nave estelar pela visão do cap. Kirk

    • Genioso Irreligioso:

      Mas Spock chamou a atenção mostrando que os nerds tinham seu lugar na cultura pop mundial!

      Vida longa e próspera!

      \\//_

  • Pedro Leopoldo Filho:

    Ele me ajudava a viajar no imaginário.

  • Cesar Grossmann:

    Bravo! Eu era muito novo quando assisti pela primeira vez ST, e lembro que o personagem com orelhas pontudas despertou minha curiosidade.

  • Luis Fernandes:

    Ótimo texto. É impressionante como um personagem de ficção científica pode ser tão inspirador para tantas gerações.

  • paulo joão:

    Um dos grandes personagens da ficção.Vai fazer muita falta.

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