Eles provaram que Einstein estava certo e ganharam um Nobel por isso

Por , em 3.10.2017

O Prêmio Nobel de Física deste ano foi dado aos cientistas Rainer Weiss, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e Kip Thorne e Barry Barish, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, pela descoberta de ondulações no espaço-tempo, conhecidas como ondas gravitacionais.

Essas “ondas” foram previstas por Albert Einstein um século atrás, mas não tinham sido detectadas diretamente até pouco tempo.

O Dr. Weiss receberá metade do prêmio de 9 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 3,47 bilhões, no câmbio atual) e Dr. Thorne e Dr. Barish dividirão a outra metade.

A teoria

A importante descoberta aconteceu em fevereiro de 2016, quando uma colaboração internacional de físicos e astrônomos anunciou que haviam registrado ondas gravitacionais provenientes da colisão de um par de buracos negros maciços, a um bilhão de anos-luz de nós.

O trabalho validou uma previsão de longa data de Einstein. Em 1916, o físico propôs a teoria da relatividade geral, afirmando que o universo era como um tecido feito de espaço e tempo. Esse tecido podia se dobrar devido a objetos maciços, como estrelas e planetas.

Einstein também propôs que, quando dois objetos maciços interagem, eles podem criar uma ondulação no espaço-tempo. Tais ondulações deveriam ser detectáveis se pudéssemos construir instrumentos suficientemente sensíveis.

Os avanços

Weiss, Thorne e Barish foram os arquitetos e líderes do LIGO, o Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser, o instrumento que finalmente foi capaz de detectar essas ondas. Mais de mil cientistas participaram de uma colaboração para analisar os dados do LIGO.

Tal instrumento permaneceu um sonho até a década de 1970. Foi nessa época que Rainer Weiss sugeriu um projeto que ele pensava poder detectar ondas gravitacionais. Suas ideias foram então traduzidas em realidade através de uma série de pesquisadores, incluindo Kip Thorne, Ronald Drever e Barry Barish, no que se tornaria o LIGO.

Muitas etapas, US$ 1 bilhão em gastos e 40 anos se passaram até que a versão mais avançada do observatório, lançada em setembro de 2015, finalmente capturou o primeiro sinal que significaria a abertura de todo um novo campo da astronomia.

Nobel 2016

Por enquanto, além do Nobel de Física, o Prêmio Nobel de Medicina também já foi entregue a Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young por descobertas sobre os mecanismos moleculares que controlam o ritmo circadiano do corpo.

Mais quatro prêmios Nobel serão concedidos nos próximos dias: de Química, Literatura, Paz e Ciências Econômicas. [NYTimes, QZ]

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5 comentários

  • Alberto Carvalhal Campos:

    Eu tenho a impressão que não descobriram ondas gravitacionais. Veja: “explosões misteriosas”. Qualquer vibração atmosférica pode ser confun

    • Cesar Grossmann:

      Eu tenho a impressão que você está subestimando e muito os cientistas. Como é que vai ter vibração atmosférica em um laser que está em um vácuo quase-perfeito?

  • Bora Bora:

    Não entendo muito bem, se todo evento extremo gera ondas gravitacionais, se temos um universo muito grande, pq este tipo de detecção é raro?

    • Cesar Grossmann:

      Por que este tipo de evento não é tão comum, e quanto mais longe, mais fraca a ondulação gravitacional. Acredito que haja um limite, um horizonte a partir do qual a detecção é impossível por que o efeito é muito pequeno para ser medido.

  • Welton Vaz de Souza:

    Na cotação de hoje(03/10/2017), 9 milhões de coroas suecas são de R$3.477.600,00.

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