Estamos à beira de uma explosão astronômica com as ondas gravitacionais

Detectamos as primeiras ondas gravitacionais há pouco tempo. Agora, diversos outros detectores estão em fase de desenvolvimento e poderão nos trazer muito mais informações ainda mais rápido do que pensávamos.

Um protótipo de detector de ondas gravitacionais com base espacial, por exemplo, se saiu muito melhor do que o esperado durante o seu período experimental, o que aumenta as perspectivas de que um observatório de acompanhamento para ouvir os ecos das maiores explosões do cosmos seja lançado antes do previsto.

LISA Pathfinder

O LISA Pathfinder, que esteve em órbita há pouco mais de um ano, tinha como objetivo testar se dois pequenos cubos poderiam ser mantidos em um estado extremamente estável e mensurável de queda livre.

Essa técnica deve ser usada detectar ondulações no espaço, um fenômeno imaginado primeiramente por Albert Einstein há 100 anos.

As ondulações, chamadas de ondas gravitacionais, ocorrem devido a objetos maciços, como buracos negros e estrelas de nêutrons, entortando o tecido do espaço-tempo enquanto se movem.

A primeira detecção de ondas gravitacionais foi feita no ano passado, com o Observatório de Ondas Gravitacionais com Laser Interferômetro, ou LIGO.

Melhoria significativa

Colocar um detector no espaço daria aos astrônomos uma maneira de identificar ondulações que oscilam ao longo de horas, em vez de frações de segundos, como as detectadas pelos observatórios LIGO.

As ondas de LIGO foram causadas por dois buracos negros, cada um deles cerca de 30 vezes mais maciços do que o sol, colidindo para se tornar um único buraco negro a mais de 1,3 bilhão de anos-luz de distância.

O observatório espacial LISA, por comparação, seria capaz de detectar buracos negros um milhão de vezes mais maciços do que o sol, que datam do início do universo.

“É uma astronomia diferente e muito, muito rica”, disse o astrofísico Stefano Vitale, da Universidade de Trento, na Itália, em uma reunião recente da Associação Americana para o Avanço da Ciência em Boston, nos EUA.

Chuva de detectores

Para que o LISA funcione, os cubos espaciais têm de ser mantidos num nível de quiescência equivalente a um milionésimo de um bilionésimo da força da gravidade da Terra. O objetivo da missão de demonstração era conseguir até 10% dessa marca. O Pathfinder terminou excedendo essas expectativas.

Originalmente previsto para lançamento em 2031, os cientistas agora pensam em lançá-lo dois anos mais cedo.

Até lá, o LISA deve ter muitas contrapartes terrestres. Os dois detectores LIGO estão em processo de atualização e serão unidos este ano a um terceiro detector de ondas gravitacionais, chamado Virgo, na Itália.

Com três detectores, os cientistas podem triangular uma observação e identificar o local de origem com precisão. Por exemplo, Se Virgo estivesse operacional quando LIGO fez sua primeira detecção de onda gravitacional, os cientistas teriam sido capazes de determinar onde os buracos negros caíram até 10 graus quadrados em vez de 600 graus quadrados.

Além de Virgo, em 2020, o Japão espera inaugurar seu detector de ondas gravitacionais, o KAGRA, e um quarto detector deve estrear na Índia em 2024. [Seeker]

Por: Natasha RomanzotiEm: 7.03.2017 | Em Espaço, Principal  | Tags: ,  
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