Primeiro raio de anti-matéria é criado, não é uma arma de vilão do James Bond

Por , em 23.01.2014

Criar raio de anti-matéria soa como algo que só um cientista louco faria, porém, não há nenhuma maluquice no feixe de átomos de anti-hidrogênio que os cientistas geraram pela primeira vez no centro de pesquisa CERN (Organização Européia de Pesquisas Nucleares), na Europa.

Os pesquisadores por trás da realização técnica revelaram na última terça-feira, dia 21, na revista “Nature Communications”, que o feixe poderia ajudá-los a entender mistérios profundos como por que vemos muito mais matéria do que antimatéria no universo, e Por que existe um universo.

O primeiro raio de anti-matéria

Teoricamente, quantidades iguais de matéria e antimatéria deveriam ter sido criadas no Big Bang que deu origem ao cosmos como o conhecemos. Mas, como qualquer fã de “Jornada nas Estrelas” sabe, a matéria e a antimatéria se aniquilam mutuamente em um flash de energia quando interagem. Assim, os físicos suspeitam que deve ter havido alguma diferença sutil que permitiu que a matéria dominasse o universo.

Experimentos anteriores de colisão de partículas forneceram um punhado de pistas sobre essa diferença, entretanto, os físicos realmente gostariam de resolver o mistério estudando anti-átomos reais. O problema é que é difícil manter os átomos em existência tempo suficiente para fazer boas medições em escala.

Na verdade, as aplicações de antimatéria estão ao nosso redor há um longo tempo. Hospitais rotineiramente fazem uso de antielétrons, ou pósitrons, para tirar fotos internas do nosso corpo com PET (sigla em inglês para tomografia por emissão de pósitrons). E os pesquisadores estão querendo usar feixes de antiprótons para tratar o câncer.

Mas foi só nos últimos três anos ou mais que os físicos foram capazes de combinar antiprótons e pósitrons em átomos inteiros de anti-hidrogênio e mantê-los dentro de uma câmara à vácuo magnética especialmente projetada nas instalações do Desacelerador Antipróton do CERN, na fronteira suíço-francesa. Mesmo assim, é difícil analisar esse anti-hidrogênio, porque o campo magnético que encurrala os anti-átomos também interfere com as medições.

Em 2012, cientistas da colaboração ALPHA, do CERN, anunciaram que finalmente conseguiram fazer as primeiras medições espectroscópicas de anti-átomos dentro de sua câmara à vácuo. Agora, os cientistas de uma colaboração diferente, conhecida como ASACUSA, dizem que seu aparelho criou um feixe de átomos de anti-hidrogênio que pode ser medido com mais precisão fora da câmara magnética onde foram criados. Pelo menos 80 dos anti-átomos foram detectados, 2,7 metros abaixo da região de produção.

O aparelho da ASACUSA faz uso de dispositivos com nomes que aqueceriam o coração de um cientista louco: uma bobina de supercondutores anti-Helmholtz, eletrodos de múltiplos anéis, uma cavidade de micro-ondas e um seletor rotativo de feixe de focagem. O resultado é que os anti-átomos energéticos podem ser guiados para uma região com um campo magnético fraco.

“Como os átomos de anti-hidrogênio não têm carga, foi um grande desafio transportá-los de sua câmara”, explicou o líder da equipe ASACUSA, Yasunori Yamazaki, pesquisador do centro japonês RIKEN, em um comunicado à imprensa do CERN. “Nossos resultados são muito promissores para estudos de alta precisão de átomos de anti-hidrogênio, em particular da estrutura hiperfina, uma das duas propriedades espectroscópicas mais conhecidas do hidrogênio. Sua medida no anti-hidrogênio permitirá o teste mais sensível de simetria matéria-antimatéria”.

Yamazaki disse que sua equipe vai retomar as experiências nos próximos meses com uma configuração que deve produzir feixes de alta energia para estudo. [CERN News, NBC]

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14 comentários

  • Luiz Silverio:

    Ja que produziram um anti-hidrogenio, poderiam produzir um anti-gaz-carbonico (CO2) e os problemas do aquecimento global se extinguiriam como uma explosão…

    • Tiago Cunha:

      ai meio que todo mundo morre 😛

    • Jean Carvalho:

      Quer reduzir a concentração de CO2? Simples, plante + árvores…

  • Francisco Gomes:

    existi sim antimatéria matéria escura e energia escura mais estamos um pouco longe dessa realidade pois nossos aparelhos nao conseguem indentifica-los ainda e teremos que nos aprofundar mais ainda na fisica quantica e quimica quantica….

  • Fabiano Mattoso:

    Eeeeba! Agora só falta o tele-transporte, um andróide e construir a Enterprise!

  • Alessandro Silveira:

    Muito legal a matéria, mas se me permite uma pequena correção no seguinte trecho:
    “uma bobina de supercondutores anti-Helmholtz”

    O certo seria uma bobina anti-Helmhotlz supercondutora.

    Uma Bobina de Helmholtz é um dispositivo que consiste em duas bobinas magnéticas colocadas de forma simétrica onde h = R.
    Uma bobina anti-Helmhotlz é um dispositivo semelhante, contudo a corrente nas bobinas correm em sentidos opostos, isto é, os momentos de dipolo são anti-alinhados. Com os campos a partir dos dois pontos em sentidos opostos, cria um campo entrelaçado que é zero no centro das bobinas.

  • Bruno Angelucci:

    O universo é holográfico! não adianta ficar a procura tudo esta dentro de nós, não fora!!!

  • Rafael Costa Ferreira:

    Gostei do artigo, bem esclarecedor para quem se interessa por física de partículas, porém como físico, cientista e professor fiquei decepcionado com a manutenção do preconceito de dizer que todo cientista é louco.
    Temos que acabar com essa imagem pejorativa do cientista.

    • Marcelo Ribeiro:

      einstein

      Sério?

    • Luiiz Gustavo Ferreira Ferrari:

      Verdade meu colega dr. Rafael Costa Ferreira .. apesar de eu me considerar extremamente, louco .. rsrsrsr

  • Thiago Corrêa:

    Se a antimatéria for provida de antigravidade, esta seria uma prova indireta dos gravítons com a sua antipartícula o antigravíton.

    • Thiago Corrêa:

      Correção: a pronuncia correta de graviton em português é Gráviton, com acento no Á.

  • Leonidas Alves:

    Os Cientistas do CERN estão de parabéns!

  • Alvaro Mateus:

    ótima matéria, sobre as anti matérias

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