Por que sua memória é ruim e como você pode melhorá-la

Por , em 1.07.2013

A memória humana é muito complicada e incerta. Mesmo quando pensamos que lembramos dos detalhes com precisão, na verdade, é mais provável que nossa lembrança tenha sido retorcida e alterada.

A ciência ainda não revelou todos os mistérios sobre o nosso cérebro e memória. O que sabemos é que muitas pessoas têm problema em se lembrar das coisas, e de muitas maneiras diferentes. Talvez você esteja sempre esquecendo de alguns itens no supermercado, ou você pode não se lembrar de eventos de sua infância tão bem, ou você se lembra de um evento da faculdade de forma diferente do que um amigo.

Imperfeita por natureza

A memória de cada pessoa é diferente, mas nenhum de nós tem uma memória perfeita. Para entender como a memória funciona, precisamos entender como nosso cérebro armazena informação.

Por exemplo, pense em como você se lembra de imagens (memória visual). Parece simples: você vê alguma coisa, e se lembra dela.
Mas é mais complexo do que isso. Memórias visuais (por exemplo, um prato que você jantou) são usadas para executar até mesmo o mais simples dos cálculos, de lembrar o rosto de alguém que você acabou de conhecer a lembrar que horas eram da última vez que você olhou no relógio.

Memórias como o que você jantou são armazenadas na memória visual de curto prazo, uma espécie de memória de curto prazo muitas vezes chamada de “memória de trabalho visual”.

A memória de trabalho visual é onde as imagens são armazenadas temporariamente enquanto sua mente funciona em outras tarefas, como um quadro em que coisas são brevemente escritas e depois apagadas.

A importância do contexto

Então, o que faz com que essas memórias não sejam apagadas do quadro? De acordo com um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA), se uma imagem é significativa, geralmente a conectamos a outros conhecimentos. Se você pode conectar a imagem com outra coisa, isso aumenta as chances de você se lembrar dela mais tarde.

Assim como a aprendizagem, a memória depende de contexto. Reconhecimento de padrões é a chave da boa memória. Essencialmente, quanto mais conexões com uma nova memória você fizer, mais provável será se lembrar dela.

Especialistas acreditam que o hipocampo, juntamente com outra parte do cérebro chamada de córtex frontal, é o responsável por analisar estas novas informações e decidir se vale a pena se lembrar delas ou não.

Estes vários bits de informação são armazenados em várias partes do cérebro; como esses pedaços são depois identificados e recuperados para formar uma memória coesa, no entanto, ainda não é conhecido.

Falta de atenção = memória ruim

Para codificar corretamente a memória, primeiro você deve estar prestando atenção. Como ninguém pode prestar atenção a tudo o tempo todo, a maioria do que você vê todos os dias é simplesmente filtrada, e apenas alguns estímulos passam para a sua consciência.

Sendo assim, prestar atenção às informações pode ser o fator mais importante para se lembrar delas mais tarde.

Provavelmente não é nenhum segredo que você não pode confiar na sua memória. Todos nós já tivemos momentos em temos lembramos errado de um detalhe, ou nos esquecemos de algo, ou até mesmo inventamos completamente coisas. A razão para isso é muito simples: a memória é uma questão de percepção. A atenção redobrada pode ajudar a diminuir nossos erros de percepção.

Memórias também são sentimentos

Memórias são alteradas por todos os tipos de coisas. Nostalgia tem um papel na forma como nos lembramos das coisas, e é surpreendentemente fácil instigar falsas memórias nas pessoas. O mais chocante, porém, é a forma como muitas vezes estamos simplesmente errados sobre detalhes. Por exemplo, testemunhas oculares são notoriamente pouco confiáveis, já que nossa memória de grandes eventos é consistentemente imprecisa.

A maioria das pessoas têm memórias incorretas de onde estavam e do que estavam fazendo quando algo importante aconteceu, como um fato histórico (por exemplo, o impeachmant de Collor).

Um estudo da Universidade McGill, em Montreal, Canadá, mostrou que a memória das pessoas do ataque terrorista ao World Trade Center é bem imprecisa. Enquanto 73% dos 569 estudantes universitários questionados se lembraram de ver imagens de televisão em 11 de setembro do primeiro avião atingindo a torre norte, tal filmagem só foi ao ar pela primeira vez no dia seguinte.

Não são apenas eventos traumáticos que perturbam nossas memórias. Um estudo publicado na revista Association for Psychological Science informou que simplesmente recordar memórias já as aumenta ou distorce.

Ou seja, se lembrar de algo é mudar ativamente esse algo. Em parte, isso tem muito a ver com uma grande variedade de vieses de memória que nós temos. Desde o efeito positivo (que faz com que lembremos de algo positivo mais frequentemente do que algo negativo) ao viés egocêntrico (no qual nos lembramos de nós mesmos como sendo melhores e mudamos constantemente nossa memória de uma forma que beneficie como vemos a nós mesmos), confiar em sua própria memória nem sempre é a melhor ideia.

Um estudo publicado no The Journal of Experimental Psychology também mostrou que temos a tendência de pensar que vamos nos lembrar de algo “importante” mais do que nós realmente nos lembramos. Isso explica, essencialmente, porque não anotamos uma ideia brilhante – porque achamos que nunca vamos esquecê-la, mas a esquecemos imediatamente.

Como evitar vieses e melhorar a memória

Infelizmente, como a maioria de nossos preconceitos, a única maneira de realmente neutralizá-los é saber que eles existem.

Saber que a sua memória não é perfeita significa que você vai prestar mais atenção a essas imperfeições no futuro – o que pode ajudar a se lembrar melhor ou mais corretamente dos acontecimentos.

Além disso, melhorar a sua memória é possível, mas não se trata apenas de exercícios mentais. Pelo contrário: os cientistas concluíram que a atividade física afeta o cérebro de uma série de maneiras positivas, incluindo a memória.

O papel da atividade física na memória é complicado, no entanto. Em resumo, conforme explica Teresa Liu-Ambrose, professora da Universidade de British Columbia (Canadá), para melhorar a memória, é provavelmente aconselhável fazer exercícios aeróbicos e treinamento de resistência. Parece que cada tipo de exercício “visa seletivamente diferentes aspectos da cognição”, provocando a liberação de diferentes proteínas no corpo e no cérebro.

Essencialmente, o exercício melhora as funções cognitivas, e quando isso acontece, aumenta a nossa memória de armazenamento e de recuperação, o que certamente aumenta as chances de você se lembrar de algo.

Por fim, o sono também desempenha um papel importante na memória. Este é um tema bastante pesquisado, e apesar de ainda termos muito a aprender, pesquisadores afirmam que o sono afeta significativamente a formação da memória.

Mais um de estudo já mostrou que as pessoas que têm a chance de dormir se saem melhor em um teste de memória do que as pessoas que ficam acordadas.

Basicamente, determinadas fases do sono podem ajudar a formar diferentes tipos de memórias. Assim, as memórias declarativas (coisas como fatos e conhecimentos) são reforçadas pelo sono de ondas lentas (sono profundo), enquanto memórias implícitas (memórias de longo prazo que não necessitam de pensamento consciente, como andar de bicicleta ou amarrar um sapato) são reforçadas pelo sono REM. Essencialmente, quanto melhor for seu sono, melhor será sua memória.

Alguns dos efeitos mais nocivos de uma noite mal dormida envolvem processos mentais como aprendizagem, memória, julgamento e resolução de problemas. Enquanto dormimos, aprendizagem e memória são codificadas no cérebro, e sono adequado é necessário para o cérebro trabalhar de forma otimizada. Pessoas bem descansadas são mais capazes de aprender uma tarefa e mais propensas a se lembrar do que aprenderam.

Cientistas até sugerem que o declínio cognitivo que tantas vezes acompanha o envelhecimento pode, em parte, ser resultado da falta de sono crônica.

Mais técnicas que podem ajudar

Calma: sua memória provavelmente não é tão ruim quanto você pensa. É apenas necessário alguma manutenção regular e um pouco de treinamento para melhorá-la. Algumas técnicas podem ajudá-lo a reter mais memórias. Veja:

  • Treine seu cérebro: pesquise sistemas de memorização diferentes, teste-os e veja quais se adequam melhor a você;
  • Melhore a sua memória com a técnica de segmentação: a técnica de segmentação utiliza o reconhecimento de padrões para se lembrar de novas informações – já vimos acima que contexto e associação são importantes. Em termos mais simples, é como lembrar de um número de telefone usando as letras no teclado de discagem em vez de apenas os números do telefone (o número 2352, por exemplo, forma a palavra “bela”. É mais fácil se lembrar disso, do que do número, não?).
  • Combine informações com imagens bizarras: se você precisa se lembrar de um certo conjunto de detalhes, muitas vezes é mais fácil fazê-lo quando combinamos essa informação com algo louco. Então, se você precisa se lembrar de comprar leite e bananas no supermercado, pense em uma banana gigante com um machado perseguindo uma vaca para tirar leite. Duvido que isso não fique na sua cabeça.
  • Use o “sistema mnemônico de peg”: essa dica é um pouco mais complicada, mas, essencialmente, o que o sistema de peg faz é listar itens como uma rima – o que torna mais fácil se lembrar das informações.
  • Aumente seus poderes de observação e percepção: você só se lembra do que você percebe, por isso, se você quer melhorar suas habilidades de memória, uma coisa que você precisa fazer é prestar mais atenção ao que está acontecendo. Veja o mundo de perto, formando conexões entre o que está acontecendo e o que você sabe. Quando mais valorizamos a memória, mais provável que nos lembremos dela.
  • Tire uma soneca: já mencionamos que dormir tem um impacto direto sobre a sua memória, mas mesmo um rápido cochilo pode ser útil. É uma ferramenta eficaz para melhorar a memória e a capacidade de aprendizagem. Se não for possível tirar um cochilo, meditação funciona tão bem quanto.[LifeHacker]

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7 comentários

  • Roberto Junio:

    Me respondam uma coisa. É verdade que assistir muita pornografia literalmente oblitera sua memoria de curto prazo?

    • Marcelo Ribeiro:

      Encontrei um estudo pequeno que fala sobre algo assim, mas não necessariamente sobre memória. Mas é pequeno e não o levaria em consideração. O que cada um teria que avaliar é se assistir ou ver estas imagens está levando a um desempenho pior nas outras áreas da vida diretamente.

  • Yvonne Vieira:

    Gostei de ler… me deu um pouco mais de tranquilidade nessa história de perda de memória. Tenho 80 anos, e sempre achei que memorizar é sempre muita atenção em tudo. E eu sempre fui sem muita atenção – só mesmo quando estudava para provas… tirava boas notas. Quando esqueço e não ligo muito… de repente me lembro. Engraçado… não é? Mas quando quero lembrar na marra… não consigo. Grata por isso…HypesCience.

  • samuel.martins:

    Boas técnicas mas eu acrescentaria ainda a técnica de flashcards. Eu utilizo para aumentar vocabulário na Língua Inglesa e obtenho ótimos resultados.

  • Jéssika Santiago:

    “(…) se você precisa se lembrar de comprar leite e bananas no supermercado, pense em uma banana gigante com um machado perseguindo uma vaca para tirar leite.”
    Eu ri… será que funciona mesmo?

  • Eduardo Tinoco:

    Muito bom! eu estava desenvolvendo algo parecido para meu aprendizado, mas não conhecia a lista peg vai ajudar bastante.

  • Jaguaracy Conceição:

    Apesar de tudo o que a neurociências vem mostrando ainda há pessoas que perdem noite estudando e dizem que estão aprendendo. Sempre mostro aos discentes como eles devem estudar de acordo com o que é mostrado no presente texto.

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