O abismo inevitável: todo ano nós perdemos uma seção do universo

Por , em 2.06.2020

Galáxias inteiras desaparecem nas bordas do universo conhecido por nós a todo o momento. Claro que estrelas e planetas não desaparecem simplesmente; eles seguem viagem para fora da região que pode ser visualizada da Terra e passam a ocupar o universo não-observável.

Distanciamento cada vez mais rápido

A palavra “observável” não se refere à capacidade da tecnologia moderna de detectar luz ou outra informação de um objeto distante, ela indica o limite físico criado pela própria velocidade da luz. Se a expansão do universo não estivesse acontecendo de forma acelerada, cedo ou tarde nós conseguiríamos ver absolutamente tudo no cosmos.

Mas este não é o caso, pois a objetos que estão se distanciando de nós em regiões do espaço distantes se movimentam com velocidade superior à velocidade da luz. Isso significa que a luz dessas regiões nunca vai nos atingir. Mesmo daqui a 100 bilhões de anos.

Vamos pensar na situação inversa: se um fóton deixasse o nosso planeta, ele nunca ultrapassaria a marca de 15 bilhões de anos-luz daqui, porque o espaço além desse ponto está se expandindo mais rapidamente do que a velocidade da luz.

Como a expansão do universo é contínua e acelerada, a cada ano mais e mais regiões do espaço ultrapassam esse limite cósmico e entram no universo não-observável.

70 galáxias

Com o passar do tempo, todas as galáxias que não estão ligadas à nós pela gravidade – apenas 70 delas – sairiam da região observável. Ainda bem que vai levar muito tempo pra isso acontecer. Enquanto isso, podemos nos distrair com as 2 trilhões de galáxias que ainda não ultrapassaram o limite do universo observável. [Science Alert]

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6 comentários

  • Nicolasbm_:

    Isso é evidencia o suficiente de que vivemos em uma realidade simulada, atingimos o máximo de renderização do sistema o resto é tudo FOG kkkkkkkkkkk

  • RebeloFernandes:

    Haverá sempre partes do universo que nunca veremos.
    Outras desaparecerão temporariamente pois pode acontecer que a partir de certa altura a velocidade de expansão associada a velocidade de translação ultrapassem C e outros irão reaparecer pois se a velocidade de translação passar a ser na nossa direção a velocidade poderá baixar da velocidade da luz.

  • RebeloFernandes:

    Isto não é verdade.
    A aparente aceleração do universo, é provocado pela contração do tempo devido à expansão do universo. As medidas feitas a partir do universo são condicionadas pela contração do tempo o que aparentemente atira as radiações para o vermelho, criando a leitura de que a fonte de luz se está a afastar cada vez mais rápido.

    (link suprimido)

    • Cesar Grossmann:

      Existem outras medidas que concordam com a conclusão de expansão do Universo usando o desvio para o vermelho do espectro luminoso. Por outro lado, não há contração do tempo, as galáxias continuam orbitando segundo velocidades normais, se houvesse alteração no tempo então veríamos elas girando mais rápido ou mais lento, mas os perfis de velocidade não tem estas tendências.

  • luauau:

    Gente: provavelmente o autor quis dizer seções do universo e não “sessões” como está escrito…um certo cuidado com o idioma faz bem…
    Como podem galáxias sumir “num momento” se a própria luz pode levar cem mil anos ou mais para atravessar uma galáxia?
    No mais, vejo como excelentes os artigos..abraço a vocês.

    • Juliana Blume:

      O autor quis, sim, dizer “seções” ao invés de “sessões”. Nada de cookies para o autor. A parte do “num momento” seria em um sentido de “está sempre acontecendo de forma ininterrupta, porque o universo está se expandindo de forma ininterrupta”. Os autores agradecem a leitura e interação aqui no site!

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